Trabalhos artesanais da Associação Seara do Trigo de encantar a quadra natalícia

Já cheira a Natal! Para o efeito, visitamos a Associação Seara do Trigo, isto porque o Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) começou a preparar a quadra natalícia com a devida antecedência.
Na sala onde estivemos funciona o Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão, onde estavam expostos diferentes trabalhos de Natal. “Estes trabalhos resultam de diferentes ateliers, nomeadamente das salas de têxteis 1 e 2 e da sala de reciclagem”, relevou a psicóloga Ana Nabais.
No caso particular da sala de reciclagem, “temos aproveitamento de vários tipos de materiais, como folhas e cascas de árvores, papel de jornais, rolhas, garrafas, que depois os clientes dão uma segunda vida a esses materiais”. Na sua reutilização Ana Nabais validou ainda, “que são ainda utilizados outros materiais, para dar um outro toque aos produtos finais”.
Nas salas de têxteis 1 e 2, os utentes “fazem trabalhos de colãs, linhas, tecidos e outros tipos de materiais, mas depende das competências que são desenvolvidas, tanto na área da costura ou colagem, ou seja, temos aqui diferentes técnicas para dar depois o resultado definitivo”.
Regra geral, as pessoas já procuram “os trabalhos de Natal da Associação Seara do Trigo pelas redes sociais, nomeadamente pelo Facebook, mas nos anos anteriores já tivemos produtos em exposição na loja Sweet Arts, mas também estamos numa plataforma da Internet, porque também já temos algumas pessoas no continente que nos procuram”.

Trabalhar o Natal cedo

Chegar à casa das pessoas, numa altura tão especial como é o Natal, é um dos objectivos. “Cada vez mais, temos que começar a trabalhar no Natal cedo, porque percebemos que é uma época que as pessoas gostam de oferecer estes miminhos, estão mais atentas e começam a procurar mais cedo, o que oferecer. Deste modo, em Setembro já temos que começar a ter todas as ideias, daquilo que se vai fazer, conhecendo que tipo de produtos é que têm mais adesão para depois se começar a produzir”. De sublinhar, que são trabalhos artesanais e que é difícil ficarem todos iguais e não se trata de uma produção em série, por isso é que cada um dos trabalhos tem um toque tão especial, que não se consegue replicar de mesma forma”.
Nesta agradável conversa com a psicóloga, ficou desde logo assente, que Ana Nabais gosta imenso aquilo que faz. “Muito, muito mesmo. É muito compensador trabalhar aqui. Os clientes, enchem-nos e ensinam-nos muito. Acho, que essa questão de procurarmos sempre as potencialidades de cada um é uma lição para todos nós”.
Por este motivo e muitos outros mais, “os clientes surpreendem-nos diariamente. Sobretudo, e somos apologistas que eles devem experienciar, mas temos a certeza que eles gostam, aderem bem e eles próprios criam coisas que não estávamos à espera, porque eles dão aquele toque e até funciona melhor com a ideia deles, e isso é o que acho que faz toda a diferença”.
No Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão, uma árvore de Natal já está toda decorada com efeitos feitos pelos ateliers da Associação Seara do Trigo, concebidos com os mais variados materiais.

Outras actividades complementares da Seara

Para além dos ateliers, os clientes também têm outras actividades complementares, quer do ponto de vista terapêutico quer do posto de vista mais lúdico, surgindo uma horta, que produz produtos hortícolas para consumo próprio.
Realçam-se, de igual modo, outras salas, com objectivos ocupacionais e de promoção de bem-estar e de lazer, que também são muito importantes, assim como uma sala de acamados e sala Eugénio, que trabalha com pessoas da perturbação do espectro do autismo, a sala Arco Íris, ou seja, são salas que já têm necessidades de outro nível de apoio e de suporte, a nível da execução das actividades, mas que têm igualmente as suas actividades muito bem definidas em horários, e depois também há o grupo de transição, cujos clientes precisam de um outro nível de suporte e de necessidades, mas que também desenvolvem os seus trabalhos e participam em muitas actividades da Instituição.
“Paralelamente, a estas salas e ateliers onde eles estão, também temos outro tipo de actividades complementares, a nível de ocupações terapêuticas, desde snoezelen, psicomotricidade aquática, equitação adaptada, que são actividades que funcionam fora da Instituição, ou seja, a piscina e a equitação, porque temos uma sala de snoezelen”, que é uma sala multi-sensorial que tem como objectivo a estimulação sensorial e/ou a diminuição dos níveis de ansiedade e de tensão, complementou.
“Ainda em termos de outras actividades de intervenção, também temos natação, futsal e temos um grupo de artes circenses e um outro conjunto de clientes que praticam ioga, assim como uma música terapeuta que também trabalha connosco, um professor de animação musical e outro formador de Tecnologia da Informação e Comunicação”, acrescentou.

Fundo de maneio

Acresce referir, e convém ressalvar, que o lucro da venda do artesanato natalício serve depois para proporcionar aos utentes actividades que eles gostam. Às vezes, almoços fora da instituição, actividades de Verão, passeios ou trilhos e serve de fundo de maneio para isto. “Obviamente, que às vezes também nos ajuda para comprar ofertas de Natal para eles”.
A festa de Natal da Associação Seara do Trigo é sempre concretizada numa altura em que todos estejam juntos, porque depois vão passar a quadra junto das suas famílias.

“A verdadeira inclusão social é mostrar aquilo que todos somos capazes de fazer, porque dificuldades todos temos”

A psicóloga Ana Nabais, de 38 anos idade, elucidou-nos acerca da sua função nesta importante Instituição Particular de Solidariedade Social. “O meu trabalho aqui, sobretudo, tem como missão apoiar os utentes e respectivas famílias, também, sempre que necessário, com apoio psicológico, e também desenvolver as competências pessoais e sociais de todos”.
A frase todos diferentes, todos iguais, fala da necessidade da igualdade das pessoas, pelo que “o objectivo, acima de tudo é valorizarmos as potencialidades de cada um, e mostrarmos isso à sociedade. Isto é que é a verdadeira inclusão, ou seja, mostrar aquilo que todos somos capazes de fazer, porque dificuldades todos temos”.
Assim, todos os frequentadores da Associação Seara do Trigo têm as suas competências? “Nem mais, mas a grande questão aqui é a forma que nós temos para compensar um bocado as dificuldades e conseguir que as potencialidades deles sobressaem”.
No Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão estão cerca de 70 utentes, o que demonstra ser uma estrutura bastante grande. Deste modo, “surgiu a necessidade de dividi-los em ateliers, consoante cada perfil de cliente, mas também de acordo com aquilo que os motiva mais, nas áreas de interesse deles, por isso acabam todos por estarem muito bem divididos e não se tem a percepção, que são tantos ao mesmo tempo”, com idades compreendidas entre os 20 e os 60 anos de idade.

 

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