Luísa Quental Mota Vieira, especialista em Genética Humana

“Sinto que estou a viver uma outra vida”


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Chamo-me Luísa Quental Mota Vieira. Nasci há 60 anos na ilha de São Miguel, numa família com mais cinco irmãos, infelizmente uma já falecida. Até ir para Lisboa, cresci a praticar desportos náuticos no Verão (na verdade, pertenço à última geração do antigo Clube Naval), e a estudar no Inverno. Sou bióloga geneticista e investigadora doutorada.

Fale-nos do seu percurso de vida no campo académico e profissional?
Sinto-me feliz pelo meu percurso. Na minha altura, os jovens tinham poucas oportunidades. Tive principalmente duas: os meus pais, por terem confiado nas minhas escolhas, e a Fundação Calouste Gulbenkian, por me ter atribuído várias bolsas de estudo ao longo do meu percurso académico no país e em França: foram 5 bolsas em 10 anos. Licenciei-me em Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tendo realizado o estágio do 5º ano no Laboratório de Virologia do Instituto Português de Oncologia. Frequentei até ao 3º ano a licenciatura de Ciências Farmacêuticas na mesma universidade, curso que interrompi porque, entretanto, ganhei uma bolsa da Fundação para ir realizar um estágio de 10 meses em citogenética em Paris. O estágio correu muito bem e o meu Director de Laboratório incentivou-me a prosseguir a minha formação académica, tendo realizado o mestrado e o doutoramento na Universidade de Paris VII, e a componente experimental nos laboratórios de uma grande instituição francesa: o INSERM (Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale). Especializei-me em Genética Humana, mais precisamente no diagnóstico laboratorial e na investigação de doenças genéticas.
No campo profissional, sou investigadora no Hospital de Ponta Delgada e leccionei em várias universidades, nomeadamente, no programa de doutoramento da Gulbenkian (nos três primeiros anos após o meu regresso de Paris), mais tarde num programa de doutoramento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e durante 16 anos no Ciclo Básico de Medicina da Universidade dos Açores. A pandemia da doença Covid-19 obrigou-me a parar com a docência universitária.

Quais as suas responsabilidades?
Quero crer que sempre desempenhei as tarefas que me foram confiadas com responsabilidade e rigor, até talvez por excesso. Não meu deu mal, porque os resultados alcançados nas várias universidades permitiram ganhar as bolsas de estudo atribuídas pela Fundação Calouste Gulbenkian. Desde a sua criação, em Novembro de 2001, tenho à minha responsabilidade a Unidade de Genética e Patologia Moleculares do HDES em Ponta Delgada. Actualmente, o combate à pandemia da doença Covid-19 constitui o maior desafio da minha vida. Uma vez terminada esta pandemia, o Governo dos Açores deveria reunir quem realmente esteve no terreno, para avaliar as medidas implementadas nos vários sectores da sociedade, no sentido da Região estar melhor preparada para, no futuro, responder a outra crise sanitária (nova pandemia, por exemplo) ou a uma crise de outra natureza. Não nos esqueçamos que vivemos em ilhas de origem vulcânica.

Qual a sua opinião sobre a forma como a sociedade está a evoluir?
A sociedade actual deveria agir e evoluir no interesse das gerações futuras. Os Governos deveriam preocupar-se por desenvolver políticas públicas sustentáveis a favor de uma verdadeira economia da vida, investindo fortemente na educação da próxima geração (os indicadores ao nível da educação necessitam muito de melhorar) e na saúde da geração actual. O Governo dos Açores tem total autonomia nestes dois sectores: educação e saúde.

Que importância tem os amigos?
Os amigos têm um lugar muito especial; são a família que escolhi. Estes amigos, bem como os meus queridos irmãos João e Gabriela e primos, a minha psicóloga Selma e a minha empregada Sandra, são o meu porto de abrigo para resistir e sobreviver ao esforço físico e psicológico a que estou sujeita diariamente há já dois longos anos. Não sei porquanto tempo irei resistir! A exigência é muita.

Que actividades lúdicas gosta de desenvolver no seu dia-a-dia?
Gosto de ler, viajar, caminhar, no Verão desfrutar de uns banhos de mar na Piscina da Lagoa, e jantar em família e com amigos. Agora, estas actividades estão muito reduzidas ou são inexistentes. A única excepção foi os 14 dias de férias passados no Algarve na companhia do meu estimado irmão José Luís. Ainda penso nos bons passeios e almoços à beira mar, “um oásis” nos últimos meses. Sinto que estou vivendo outra vida e que a minha vida pessoal está suspensa num fio à minha espera. Já tentei recomeçá-la, mas a actual onda pandémica está novamente a exigir muito esforço e dedicação. Só resta tempo para dormir, dar alguma atenção à minha Mãe (com praticamente 92 anos) e fazer umas caminhadas terapêuticas com o meu irmão João e ao Domingo de manhã, quando possível, na companhia agradável da minha amiga Graça.

Que sonhos alimentou em criança?
Tive uma infância feliz. Até aos 6 anos, brincava em casa com os meus dois irmãos mais novos, o João e a Isabel, habituando-me a ver os mais velhos a ir para a escola, o ciclo preparatório e o liceu. Desejava o dia que a “minha” escola abrisse para começar a aprender e a ganhar mais liberdade. Por isso, lembro-me das provas na costureira das batas brancas que usei na escola primária e da primeira ida à escola. Os meus sonhos foram, assim, alimentados pelos estudos (não me lembro dos meus pais me mandarem estudar; fazia-o naturalmente). Sempre me interessei pelas ciências da vida. Quero crer que o meu gosto e interesse pela investigação nasceram nas aulas práticas do Ciclo Preparatório e do Liceu.

O que mais o incomoda nos outros?
Ingratidão, deslealdade, dupla personalidade.

Que características mais admira no sexo oposto?
Aprecio muito uma boa conversa e o debate de ideias, sobretudo se for com pessoas inteligentes que me mostrem outros pontos de vista, um pouco de humor e a vontade natural de ajudar.

Gosta de ler? Diga o nome de um livro?
Sim, gosto de ler, mas confesso que faço mais frequentemente em francês. A língua francesa permite-me viajar e afastar o meu dia-a-dia. Gostei de ler dois livros recentes: “La família grande” de Camille Kouchner (Seuil, 2021) e “Passé composé” de Anne Sinclair (Grasset, 2021). Actualmente, estou a ler “Faire réussir la France” de Jacques Attali (Fayard, 2021), ensaio de grande interesse já que a França terá eleições presidenciais em Abril deste ano. Sempre que posso, vejo o telejornal francês (France 2), bem como seminários, nos últimos tempos, sobre a evolução da pandemia da Covid-19. Isto permite-me perceber e preparar-me para o que possa surgir.

Como se relaciona com o manancial de informação que inunda as redes sociais?
Utilizo as redes sociais sobretudo para temas científicos do meu interesse, sempre que possível, evitando perder tempo com inutilidades.

Vivia hoje sem telemóvel e internet?  
Sim, com certeza. A minha geração tem esta experiência e lembra-se desse tempo. Vivíamos menos em tempo real. Actualmente, estamos muitas vezes ao telefone e, quase em simultâneo, a pesquisar algo na Internet ou a escrever ao computador. Sou uma defensora das novas tecnologias da informação e comunicação, e faço todos os possíveis para acompanhar os desenvolvimentos que estão ao meu alcance. Mas tenho consciência que, se tiver herdado os genes da minha mãe (praticamente 92 anos e lúcida), irei terminar os meus dias “analfabeta”. Ainda neste campo, gostaria de lembrar que há muitas pessoas que não têm acesso à internet e lutam por bens essenciais, como: água, alimentos básicos, habitação, educação, entre outros.

Costuma ler jornais?
Pouco em papel, mais no iPad quando o tempo permite.

Que notícia gostaria de encontrar amanhã no jornal?
Gostaria de ler a notícia do Director-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, biólogo doutorado em Saúde Pública, anunciando o fim da pandemia à Covid-19. Trata-se evidentemente de uma notícia utópica, atendendo ao aumento significativo de novos casos positivos diários e semanalmente.

Gosta de viajar?  
Sim, gosto de viajar, sobretudo, descobrir cidades e novas realidades. Na vida, tudo é relativo. É difícil de dizer a viagem que mais gostei; prefiro dizer as duas viagens que mais me marcaram: a primeira vez que fui a Nova Orleães (em 1993), e mais recentemente, antes da pandemia, à região da Escandinávia.

Quais são os seus gostos gastronómicos?  
Bem, o meu prato preferido é o famoso e gostoso pudim de atum feito pela minha irmã Gabriela. Aprecio também sopa de peixe (obrigada Sandra), filetes de abrótea (obrigada Lorena), pargo recheado e línguas de bacalhau à moda da minha família materna. Ao longo dos anos que estive em Paris, aprendi igualmente a gostar da cozinha francesa que mato saudades, e são muitas, quando lá vou.

Qual a máxima que a inspira?
“Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”, Pitágoras.

Em que época gostaria de ter vivido?
Gosto de viver no tempo que estou. Assisti a grandes transformações na sociedade - da ardósia ao iPad -, e a tudo o que esta transformação está associada. Vivi oito anos em Lisboa e oito anos em Paris. Os anos de Paris foram, sem dúvida, os mais marcantes para quem sou hoje, em termos pessoais e profissionais. Foram anos muito exigentes, mas de grande aprendizagem. Quando cheguei a Paris, não compreendia o francês parisiense. Os primeiros três meses foram, assim, como se vivesse a vida de um “surdo” que ouve sons sem os compreender verdadeiramente. Ganhei uma segunda língua, desfrutei de um ambiente cultural muito bom (lembro-me do ano fabuloso – 1989 – que assinalou a comemoração do bicentenário da Revolução Francesa), e fiz amizades para a vida. Sem a formação adquirida em França, não sei se teria a experiência para organizar, lidar e prever muitas situações que tenho de enfrentar hoje. Digo muitas vezes aos meus colegas, vejam com o braço mais longo, pensem com os “olhos da cabeça”; refiro-me, evidentemente, a terem uma reflexão mais profunda e não ficarem pelas aparências.

Porque e quando surgiu a Unidade de Genética no Hospital do Divino Espírito?
A criação de um laboratório de genética no Hospital de Ponta Delgada deve-se ao saudoso Dr. Estrela Rego, na altura Director do Hospital, um visionário, de que hoje temos falta. Estava a trabalhar no Instituto Português de Oncologia em Lisboa quando, numas férias, o Dr. Estrela Rego lançou-me este desafio. Após reflectir, aceitei-o mediante a realização de estágios em genética clínica laboratorial, inicialmente em Lisboa. De seguida fui para Paris por 10 meses, fiquei oito anos. Regressei com a devida formação técnica e científica para criar a Unidade de Genética e Patologia Moleculares. No início, o processo foi muito difícil. Algumas mentalidades da Região não estavam preparadas para me receber. Estive dois anos em casa. Hoje, esta situação é impensável, mas aconteceu. Felizmente, leccionei aulas no programa de doutoramento da Gulbenkian e em licenciaturas noutras instituições. Não desisti da ideia. Tive o apoio de várias pessoas a quem quero agradecer: ao Dr. Henrique Schandler, ex-Director Regional da Ciência e Tecnologia dos Açores; ao professor António Coutinho, ex-Director do Instituto Gulbenkian de Ciência; e ao professor Mariano Gago, infelizmente já falecido, à data Ministro da Ciência e Tecnologia. Todos acompanharam de perto a criação da Unidade, tendo-se deslocado a Ponta Delgada para se inteirarem do trabalho em curso. Precisava de ouvir as ideias deles. A Unidade de Genética foi inaugurada a 27 de Novembro de 2021 pelo então Presidente do Governo dos Açores Carlos César e pelo Ministro Mariano Gago.

Que investigação tem desenvolvido na Unidade de Genética e com que resultados?
Os primeiros trabalhos de investigação incidiram sobre caracterização da diversidade genética da população dos Açores, resultados que foram objecto de 9 artigos indexados na PubMede de uma tese de doutoramento (Claudia Castelo Branco, 2008). Mais recentemente, antes da pandemia, os nossos interesses versavam a análise de variantes genéticas que, devido à sua função, podem ser responsáveis por doenças hereditárias monogénicas, aumentar o risco para o desenvolvimento de doenças multifatoriais e, ainda, estar associada à variabilidade da resposta terapêutica. Paralelamente, realizamos investigação no âmbito das doenças infecciosas, de que é exemplo a Leptospirose, bem conhecida como a “doença dos ratos”, na população da ilha de São Miguel. Validamos clinicamente um método molecular de pesquisa do DNA da Leptospira em amostras biológicas (sangue e urina). O diagnóstico molecular da leptosopirose contribui significativamente para a redução da mortalidade por esta causa, sendo hoje praticamente zero. No total, publicamos 55 artigos, dos quais 25 como grupo principal, e 30 em colaboração com outros grupos de investigação. A Unidade de Genética tem ainda uma importante actividade de diagnóstico molecular. No seu conjunto, a experiência laboratorial e o conhecimento científico adquiridos ao longo dos anos estão sendo aplicados e rentabilizados no combate à pandemia da Covid-19.

Tem sentido necessidade de mais equipamentos e especialistas?
Ao fim de 20 anos, é compreensível que os equipamentos do Laboratório estejam em fim de vida ou tenham sido descontinuados. Pelo mecenato, recebemos equipamentos para trabalhar com a actual pandemia. No entanto, não são suficientes. Necessitávamos de mais um extractor de 96 amostras ou de um processo mais automatizado, mas não temos mais espaço físico. Além disso, a Unidade de Genética precisa de evoluir tecnicamente para métodos de sequenciação de nova geração, a fim de realizar diagnósticos moleculares à luz do conhecimento actual. Esta pandemia veio revelar a todos que os Açores têm lacunas em termos laboratoriais. A Região necessita de ter dois laboratórios bem equipados e dotados de recursos humanos especializados. A ilha de São Miguel tem mais de metade da população dos Açores (133 390 habitantes, 56,4%), e é a principal porta de entrada de passageiros. A Unidade de Genética do HDES quer participar e fazer parte desta solução: tem conhecimento; tem resultados; um percurso que é por todos reconhecido, e tem vontade de evoluir e crescer.

Qual é a sua actividade na Unidade de Genética nos últimos dois anos?
Estou inteiramente dedicada à gestão técnica do laboratório, que inclui os testes Covid, por RT-PCR, e os outros diagnósticos moleculares. Além disso, tenho a meu cargo a gestão das pessoas que trabalham comigo,  atenta aos seus “rostos cansados” que me preocupam bastante. Com alguma frequência, sou contactada por colegas do HDES ou de outras instituições, como a USI de São Miguel e de Santa Maria, e dos laboratórios privados que, por vezes, necessitam de um esclarecimento ou de uma ajuda. A ligação ao Instituto Dr. Ricardo Jorge e outros laboratórios nacionais também é fundamental. Dar e ter uma resposta é muito importante; a comunicação é essencial. A pandemia é um processo muito dinâmico que obriga a uma constante actualização técnica e científica. Enfim, o meu compromisso profissional é grande e enquadra-se no âmbito do serviço público de saúde.

A Unidade de Genética reorientou a sua actividade há dois anos com o aparecimento da pandemia da Covid-19?  
Sim, completamente. No princípio da pandemia (refiro-me de Março a Junho de 2020), os cinco técnicos superiores e um investigadora foram divididos em duas equipas de três elementos, cada equipa com uma assistente técnica, que trabalharam alternadamente 20h-24h por dia. A exigência foi tanta que começamos a adoecer. Ainda hoje temos uma colega que se encontra de “baixa médica”. A actividade de diagnóstico molecular “não Covid” foi reduzida, tendo ficado a cargo de uma única Técnica Superior que trabalhou tanto ou mais do que as restantes Colegas. Estes meses foram duríssimos e deixou marcas em todas nós. Durante a fase inicial, em que tudo era novo na pandemia, gostaria de destacar o trabalho de gestão de proximidade que a Administradora Hospitalar, Dr.ª Leonor Balcão Reis, realizou com a Unidade e comigo em particular. Não esqueço o 1º de Maio de 2020, dia do trabalhador, e de muitos outros dias. Posteriormente, com muita dificuldade e alguma incompreensão, as equipas foram reforçadas de forma progressiva; foi necessária formação e treino, incluindo em segurança biológica; o processo analítico dos testes foi optimizado até alcançarmos os 1.000 testes/dia. No entanto, há semanas que fazemos cerca de 1.200 testes em vários dias consecutivos. No total, já ultrapassamos os 400 mil testes Covid (por RT-PCR)!
Das 9 pessoas iniciais passamos para 49, de um funcionalmente de 8 horas diárias (muitas vezes com prolongamentos) para 24 horas. Estas horas são asseguradas pelas 4 equipas Covid constituídas por técnicos superiores (todos biólogos), assistentes técnicos e assistentes operacionais, a trabalhar por turnos rotativos de oito horas (muitas vezes com prolongamentos): noite, manhã, tarde. Infelizmente, não houve crescimento das instalações físicas para melhorar e automatizar o processo analítico dos testes Covid. Se não fosse o mecenato de algumas grandes empresas regionais, de uma família e de um movimento cívico, não sei como estaríamos. Produzimos muito, com o pouco que temos. Levamos a nossa capacidade ao limite dos resultados.

Que impacto está a ter na Unidade de Genética o aumento de casos de Covid-19?
A Unidade de Genética está sob enorme pressão diária. Temos recebido mais de 1.000 amostras diárias só para testes Covid (por RT-PCR), e muitas mais amostras para outras análises por biologia molecular. Tudo fazemos para não aumentar o tempo de resposta, nomeadamente para não afectar os resultados aos doentes graves, aos utentes pertencentes a grupos de risco, e a todas as situações clínicas prioritárias. O importante é que todos tenham o resultado dos testes no tempo clinicamente útil para terem o acompanhamento médico que necessitam.
Evidentemente que a prestação de serviço seria ainda melhor se tivéssemos mais e melhor equipamento e num espaço físico maior. As câmaras de segurança biológica estão praticamente sempre em funcionamento, mostrando também elas os seus limites. As bases de dados informáticas funcionam de forma lenta. No seu conjunto, estes constrangimentos dificultam o trabalho.

Tem algo mais a acrescentar que considere relevante no âmbito desta entrevista?
Sim, gostaria de fazer um agradecimento público às pessoas que trabalham na Unidade de Genética do HDES pela sua dedicação, esforço e compromisso todos os dias, sem excepção.

                                                   

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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