Candidaturas abrem entre 15 de Fevereiro e 15 de Maio

Região reduziu 2% da produção de leite num ano mas o Governo vai ajudar produtores para que produção baixe ainda mais

O Presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, fez um balanço positivo da estratégia definida pela Federação Agrícola dos Açores, que entretanto já deu frutos, e à qual o Executivo se juntou, como forma de desvalorizar os impactos negativos do preço do elite na produção.
No final de uma reunião que juntou à mesma mesa o Presidente do Governo Regional dos Açores, o Secretário Regional da Agricultura, António Ventura, e o Presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, além dos elogios à estratégia definida para a redução da produção de leite, o Executivo anunciou que vai abrir candidaturas para apoiar a continuidade desta redução. O período de candidaturas será aberto entre 15 de Fevereiro e 15 de Maio, permitindo que às candidaturas que sejam aprovadas seja atribuído um apoio de 150 euros por cada tonelada de leite reduzido. Isto, até ao limite de redução de 20% das entregas comparativamente a 2021. “É um incentivo ao percurso estratégico que iniciámos em 2021, para garantir a valorização do produto e do rendimento do produtor”, referiu José Manuel Bolieiro.
Mas o Presidente do Governo alertou que a estratégia é sempre “adaptável às exigência e comportamento do mercado” e que embora agora a exigência seja produzir menos, “para garantir um preço justo” à produção, se o mercado assim o exigir “cá estaremos para produzir mais”. É que, no entendimento, do Governante, “hoje é notório que, para garantir a sustentabilidade, é através da menor produção de leite”.

Menos vacas e menos produção

O Presidente do Governo justificou este apoio com o “bom caminho” que tem sido feito pela produção durante o ano de 2021. Na prática, entre 2020 e 2021 a produção de leite nos Açores foi reduzida em mais de 10 milhões de litros de leite, o que significa menos 2% da produção total. Além disso, num ano, houve menos cinco mil bovinos – entre vacas e novilhas.
Ou seja, “toda a estratégia delineada teve eco e concretização”. Mas José Manuel Bolieiro alertou que a própria indústria “também compreendeu a situação”, já que o Governo Regional “deu um exemplo solidário e apoiou a valorização do leite” com um apoio ao litro de leite que terminou a 31 de Dezembro. Agora, referiu o governante, todos os actores desta cadeia de valor aderiram a esta estratégia e “estamos a conseguir este objectivo”.
Um objectivo que só foi possível graças ao empenho da Federação Agrícola dos Açores e do seu Presidente, Jorge Rita, que “deixou claro a importância da dignificação dos produtores, do rendimento das explorações agropecuárias e da sustentabilidade do negócio, bem como também da preservação da paz social”. Foi graças à “determinação naquela que seria a melhor defesa do sector agrícola e que definiu o caminho na melhoria do rendimento dos produtores”, que a estratégia definida se revelou “no bom caminho”.

Lavoura quer preço justo

Por seu lado, o Presidente da Federação Agrícola dos Açores garantiu que esta estratégia de valorização do rendimento dos produtores de leite nos Açores é algo que já vem sendo trabalhado há algum tempo e que assenta naquilo que já vem defendendo há alguns anos. Ou seja, “a Região não vingará pela quantidade, mas pela excelência e pela qualidade”. Jorge Rita referiu que o sector leiteiro “é dos que mais crescimento tem”, mas isso não significa na prática que signifique mais rendimento para o produtor. “Não tem a valorização devida porque as indústrias não tiveram capacidade para criar produtos de valor acrescentado”, afirma.
Jorge Rita reconhece a “boa articulação” que tem havido no último ano com o Governo de Coligação (PSD/CDS/PPM) alerta que o sector ainda passa por “dificuldades enormes”. No entanto, a estratégia que tem sido definida vai no sentido de “reduzir o impacto negativo nas explorações”, nomeadamente com o “aumento brutal” dos custos de produção que significa que “produzir leite custa mais do que aquilo que recebemos”.
Daí que considere este apoio agora anunciado pelo Governo de apoiar quem queira reduzir a produção de leite é “uma medida muito estruturante porque dá oportunidade às indústrias – que têm excedentes de leite e penalizam os produtores por isso - para em vez de fazerem produtos commodeties, se associem à inovação e à transição energética e produzam produtos de valor acrescentado”.
Na prática, refere Jorge Rita, “queremos produzir à dimensão das nossas ilhas, garantindo sustentabilidade económica, ambiental e social, e que todos possam ganhar em toda a fileira quando os agricultores são os que menos recebem”.
E por isso elogiou a “postura do Governo Regional e estamos confiantes que será uma via para o sucesso na Região. Queremos melhorar toda a fileira, para um rendimento justo do produtor, e que as indústrias saibam capitalizar todo este trabalho da produção e do Governo Regional”.

Indústria tem de acompanhar

Nos últimos tempos, o Presidente da Federação Agrícola dos Açores tem vindo a reivindicar, pelo menos, um aumento de cinco cêntimos por litro de leite pago à produção e por isso garantiu que o “apoio do Governo Regional [dado por litro de leite até 31 de Dezembro] foi extremamente importante” mas espera que agora a indústria acomode esse apoio e passe a pagar mais. “No mínimo, a indústria tem de pagar quanto nos custa produzir. Com esta estratégia de futuro, a indústria terá de fazer algumas adaptações”, garantiu. Não é por isso de estranhar que Jorge Rita acredite que “no próximo mês vai haver mais anúncios do preço do leite”. Mas

 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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