Processo deverá superar expectativas

Pais satisfeitos e crianças sem medo da vacina levam ao agendamento de 450 inoculações

No primeiro dia da vacinação de crianças nos Açores, o Pavilhão do Mar em Ponta Delgada encheu-se de pais e crianças ansiosos por tomar a primeira dose da vacina. No geral, todos se mostravam satisfeitos por se poderem “proteger e proteger a comunidade e a família” e por isso responderam ao agendamento prévio dos centros de Saúde.
Xavier Salvador, de seis anos, foi tranquilo acompanhado pela mãe tomar a vacina. Perante a impossibilidade de em casa as conversas evitarem o assunto pandemia, foi com naturalidade que o pequeno foi acompanhando o processo de vacinação e o arranque da mesma nas crianças dos Açores.  
“Conversámos em casa, porque a vivência da Covid foi divertida, não foi algo muito pesado. Tentámos tirar o peso do que era a Covid. E dissemos que agora que já tínhamos brincado tudo em casa, tínhamos de começar a ir para a rua outra vez e começar a brincar. Ele encarou isso com naturalidade. Sem stress”, refere a mãe, Dina Silva.
A opção de vacinar no primeiro dia foi decidida perante as indicações dos especialistas: “não temos certezas de nada, mas temos de confiar em quem percebe mais do que nós – que é a classe médica – e quem aconselhou a fazer a vacinação”. No fundo a questão prende-se com “protecção social”, explica Dina Silva que acrescenta que além de cada um pensar em si individualmente “temos de pensar no todo, da comunidade, também”, referiu.
Também Miguel Silva, de 9 anos, foi aconselhado a vacinar-se. É asmático crónico e a mãe, Lúcia Silva, já tinha decidido que se vacinaria embora reconheça que devido à patologia de que sofre “estava apreensiva porque estava com medo de contra-indicações ou possíveis reacções”. Portanto, não hesitou quando chegou o telefonema do centro de saúde a agendar o dia e hora de vacinação. Miguel Silva permaneceu calmo durante todo o processo, “a mãe estava mais nervosa”, reconhece a mãe que reforça que o pequeno foi informado do que iria fazer no Pavilhão do Mar. “Ele nem pensou muito nisso. Eu é que pensei mais do que ele, já ele não questionou nada. Eles estão super bem informados ao nível da escola e têm as mentes mais abertas”, refere Lúcia Silva. Para esta mãe, “é uma mais-valia as crianças estarem vacinadas” e por isso “agora é esperar pela segunda dose”.
Henrique Reis, de 11 anos, já há muito que queria ser vacinado “porque é preciso proteger a sociedade e a família” e considera que agora que já levou a primeira dose da vacina sente-se “mais seguro”. Conta o pai, Luís Bettencourt Reis, que “só não foi mais cedo porque não se podia” e acrescenta que o Henrique “tinha esta vontade e ficou triste quando nos vacinámos e ele não o pôde fazer”.
Pai e filho sentem-se mais seguros agora que a primeira dose está tomada e acreditam ser “uma mais-valia, para nós mas também para os pais, os avós, primos, tios e para a sociedade em geral”.
Também com 11 anos, Sofia Melo confessa que estava ansiosa por receber a vacina mas quando os pais receberam o telefonema do centro de Saúde “fiquei feliz. É uma mais-valia estar vacinada”, admite.
O pai, Luís Melo, concorda e refere que todos os adultos da casa já estão vacinados e decidiram avançar com a vacinação da Sofia. “Acho que temos de olhar um pouco pela saúde deles, pela protecção deles e não foi difícil decidir vir com a Sofia aqui”, revela. Luís Melo até acredita que a vacinação de crianças nos Açores “começou tarde demais” e explica que “uma vez que o segundo período já começou, acho que se devia ter previsto um pouco antes, porque os casos nos últimos dias têm sido muito elevados e que se podia ter prevenido antes”, através da vacinação das crianças.
“Muito ansiosa e nervosa” é como Mariana Lacerda, de 11 anos, confessa que estava enquanto entrava pelo Pavilhão do Mar, esperava para fazer a ficha e depois preenchia um pequeno questionário. Isto porque “não sabia bem o que ia acontecer”, mas depois de levar a vacina “correu tudo bem e não doeu muito”.
A mãe, Ana Clara, acredita que a vacinação poderá ser benéfica se a Mariana contrair a doença. Na escola, “quer para os outros quer para ela” poderá trazer benefícios e poderá ajudar a que os efeitos “não seja tão graves” se apanhar Covid.
Já Pedro Farropo também acredita que assim seja, embora seja necessário esperar pelas novas medidas “para que não haja tantas interrupções lectivas”. Mas agora, com a primeira dose de Miguel já administrada “ficam mais protegidos, nunca se sabe o que virá no futuro e convém estarmos protegidos”, conta enquanto revela que os sobrinhos, a viver no continente e da mesma idade do filho, já foram vacinados.
O pequeno Miguel Farropo, de 7 anos, confessa que tem medo de agulhas e portanto estava mais apreensivo. Não doeu assim tanto como estava à espera e portanto o balanço é que “estou contente”, mas logo atirou que “não estou é contente com a Covid e assim estou mais protegido”.  

Superar as expectativas
Jorge Lavouras, um dos enfermeiros responsáveis pela coordenação da vacinação das Portas do Mar, refere que para ontem estavam agendadas cerca de 450 crianças – distribuídas entre as 13 horas e as 19 horas – mas que a expectativa era chegar às 600 crianças já que além dos convocados também estavam em regime “casa aberta”.
O responsável acredita mesmo que a vacinação de crianças “vai superar as expectativas”, contrariamente ao que aconteceu no início no continente e na Madeira. “Do meu ponto de vista é muito importante não termos sido os primeiros a avançar. As pessoas ficam sempre na expectativa, querem ver os outros, preferem que outros experimentem para ver. E como somos os últimos a iniciar o processo podemos ter alguma vantagem. E a realidade diária dos números de casos, dizem para vacinar. Mas quanto mais informação houver e menos contra-informação houver é positivo para este processo”, explica.
Jorge Lavouras apela por isso à vacinação das crianças, lembrando que o Pavilhão do Mar vai estar aberto para as crianças na próxima Sexta-feira – das 13h30 às 19 horas – e no Sábado – das 9 horas às 19h30. O profissional de Saúde refere que “a realidade do dia-a-dia que temos vindo a observar nos Açores diz que temos de investir na vacinação” e acredita que vai ser esse o caminho na Região devido às abordagens que têm sido feitas por profissionais de saúde e por isso “há muita expectativa e acredito que a adesão vai ser muito boa. Já se percebeu que a forma de solucionarmos esta situação tem a ver com o processo de vacinação”, conclui.

 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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