10 de maio de 2022

Opinião

Quantas divisões tem o Papa?

Questionava Estaline, a cinco anos do inicio da 2.ª guerra mundial.
Tanques de guerra versus palavras de paz?
Dilema? 
Ou não poderão coexistir, isto é, quem é violentado na sua dignidade de pessoa humana, como estão a ser os cidadãos ucranianos, não têm o direito à legítima defesa?
A resposta não poderá ser outra que não seja afirmativa.
Sem ambiguidades ou justificações, como fazem algumas forças políticas.
Isto dito, não dispensa a palavra Paz.
As guerras estão “condenadas” a terminarem.
Ou pela capitulação ou derrota de um dos lados ou por acordos de paz.
A última hipótese é que deixa menos sequelas.  
O contrário, com a chantagem nuclear na agenda, é o fim do planeta.
Pelo menos haja tempo para os senhores feudais deste século se refugiarem em Marte.
Nenhum tratado internacional inviabiliza um país soberano de tomar as decisões que muito bem entender. Logo que respeite as regras do Estado de Direito Democrático.
Foi o que fez a Ucrânia ao pedir a adesão à Nato e à União Europeia.
Não o pode fazer porque a Federação Russa entende que viola os acordos internacionais.
Estabelecidos quanto às áreas de influência das potências internacionais, e a Ucrânia pertence ao “seu espaço geoestratégico”.
E aqui reside a bárbara invasão dum país soberano e democrático com é a Ucrânia.
Duas personalidades têm-se distinguido nos apelos à paz exigindo que, para isso, a Rússia de Putin pare com os massacres de inocentes.
O Papa Francisco e António Guterres.
O primeiro, sucessor de Pedro a quem um jovem à volta de trinta anos, de seu nome Jesus o Nazareno, há 2022 anos lhe entregou a Missão da Boa Nova, que iria inquietar e converter o mundo.
É igualmente, pelas circunstâncias históricas, Chefe do Estado mais pequeno do planeta.
O segundo, lidera a maior Organização de Estados do Mundo, que tem como objectivo supremo a procura da paz.
Um e outro têm como arma a Palavra. 
As palavras são armas. Poderosíssimas. Se utilizadas no tempo e no espaço, próprios.  
São temidas pelos ditadores.
Decorria o ano de 1935, e a França procurava estabelecer com Estaline, um pacto de paz, no sentido duma defesa conjunta, na eventualidade duma incursão das tropas de Hitler em território francês. 
Para obter tal acordo o governo de Paris envia a Moscovo o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros Pierre Laval.
Eram conhecidas as impiedosas perseguições que o regime comunista de Estaline estava levando a cabo sobre os cristãos, merecendo do Papa sucessivas e veementes condenações.
Conhecidas que eram as boas relações da França com a Santa Sé, e no sentido de introduzir um novo dado a favor do acordo, Laval dá a entender que a ser subscrito, atrairia para Estaline a boa vontade do Papa Pio XII.
Foi então que o ditador perguntou ao ministro: “Ah, o Papa! Quantas divisões tem o Papa?”
A única arma que os sucessores de Pedro têm é o da Palavra de Jesus.
Tem levado à derrota de regimes e de impérios. 
Foi assim com o Império Romano. 
Depois de três séculos a perseguir, torturar e assassinar cristãos. 
Chegado o ano 323 dá-se um acontecimento que iria marcar a história.
O Imperador da maior potência mundial da altura, Constantino, converte-se ao cristianismo, vencido pela palavra.
Em 1989 dá-se a queda doutro império ditatorial e totalitário, o regime comunista da União Soviético.
Sem derramamento de sangue.
Dois homens se distinguiram nessa altura.
O líder soviético Mikhail Gorbachev e o polaco  Karol Wojtyla  eleito papa, dez anos antes, com o nome de João Paulo II.
O primeiro seria galardoado com o prémio Nobel da paz e o segundo canonizado Santo.
Arma preferida de ambos. 
A Palavra. 
Ao arrepio da Carta das Nações Unidas a Indonésia invade em 1975 a Pátria Irmã de Timor Leste.
Neste drama, para além da resistência dos timorenses, a Igreja Católica de Timor tem um papel de relevo durante a ocupação indonésia e o genocídio que se seguiu.
Muitos sacerdotes e freiras arriscaram as suas vidas na defesa dos direitos humanos do povo maubere, contra os abusos dos militares indonésios.
Em 1996, o bispo Carlos Filipe Ximenes Belo e José Ramos - Horta, os dois principais activistas timorenses para a paz e a independência, receberam o Prémio Nobel da Paz pelo seu trabalho conducente a uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste.
Tal não teria sido possível não fora a luta armada dos heróis da resistência, liderados por outros dois timorenses de fibra, Xanana Gusmão e Ma’Huno.
Tal como os timorenses os ucranianos defrontam um invasor impiedoso sem qualquer pudor em cometer horrendos crimes de guerra.
Dois ditadores Suharto e Putin, ambos a personificar regimes autocráticos com ideologias extremistas, separados no tempo, mas juntos na galeria dos maiores exterminadores da história.
Onde já lá estão personagens como Hitler ou Estaline.
Para os derrubar as armas foram cruciais.
Mas a palavra dos defensores da Paz, foi preponderante.

 António Benjamim

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