8 de maio de 2022

Recados com Amor...

Meus Queridos! Afinal, as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres vão realizar-se, tendo como o ponto alto a procissão do dia 22 de Maio… a notícia deu brado… e já fez correr muita tinta, e  a minha amiga Amelinha, com quem já não falava há algum tempo…. ficou tão satisfeita, que me telefonou para dar a saber que tudo se prepara para voltarmos a ter um grande momento de fé e  religiosidade, com uns “pingos” de  profano, o que constitui uma forma muito sui generis de religiosidade popular.  Amelinha é da opinião que a hierarquia da Igreja deveria saber aproveitar estes momentos para melhor evangelizar… É que quando começa o retomar das festas e dos foguetes por todo o lado… ninguém entendia que o Senhor Santo Cristo dos Milagres ficasse de fora… o que seria uma grande tristeza para os micaelenses e para os fieis de todas as ilhas e dos quatro cantos do mundo… que têm uma relação estreita de fé e esperança com o Ecce Home… Amelinha diz que as pessoas amigas e outras com quem ela se cruza, não entendem as alterações introduzidas no roteiro da via-sacra que percorrerá as principais as ruas de Ponta delgada… isto porque o desfile de “vaidades” apanha desde os clérigos que se vestem a rigor com a púrpura a marcar a diferença e a chamar a atenção dos fieis, até aos políticos, às ordens, às associações profissionais e de juventude, até aos bombeiros… Todos estes compõem a “feira de vaidades” que até pode incluir os fieis que acompanham o Senhor… porque cada um é que sabe a razão que o leva a integrar-se no cortejo… Se as alterações são por razões sanitárias… então Amelinha pergunta como conseguirá a Irmandade do Senhor Santo Cristo, que é a responsável pela organização da procissão, manter a distância entre as promessas que vão sempre “aos montes” atrás do andor. Meus queridos! Cá por mim, que sou uma mulher de fé, ainda não percebi o clima que existe  à volta do Santuário da Esperança desde a altura que saíram as irmãs zeladoras do Santo Cristo até agora à retoma das festas depois da pandemia.. A humildade não deve ser apenas apregoada… tem de ser praticada… e a continuar pelo caminho que está levando… o povo crente irá continuar a esvaziar as igrejas destas ilhas, que estão sem rei nem roque… com o “vírus” da orfandade a crescer… e há seis meses sem Prelado Diocesano….

Meus Queridos! Ainda a propósito das festas do Senhor, na semana passada aqui nos meus recadinhos eu escrevia sobre a necessidade de equilíbrio e diálogo entre todas as partes e fiquei contente em ver que afinal parece ter havido entendimento no essencial para o programa possível neste regresso, dois anos depois do interregno obrigatório… imposto pela pandemia, e já que estou com a mão na sopa… lembro que muitas vezes, aqui nos meus recadinhos, tenho dito que é preciso repensar o feriado municipal na Segunda-feira da festa porque assim nunca pode ser devidamente comemorado porque está tudo cansado do Domingo da Festas e depois, no dia 2 de Abril, Ponta Delgada nada faz porque não é feriado… Por todas as ilhas, as Segundas-feiras das grandes festas são tolerâncias de ponto e até em algumas a Terça-feira da festa do Divino também tem tolerância. Não virá mal ao mundo que a Segunda-feira do Santo Cristo seja incluída nessas tolerâncias e que o feriado do concelho de Ponta Delgada seja mesmo o dia 2 de Abril… Está na hora e esta é a oportunidade de ouro para mudar. Haja coragem!

 

Ricos! Estamos habituados a ver manifestações e protestos todos os dias e por tudo o que é canto ou praça, porque faz parte da democracia e mal não vem ao mundo por isso, embora em muitos sítios, as manifestações são um trabalho pago por quem tem interesses na matéria… e a sua multiplicação, tira força quanto à reivindicação e acaba por ter efeito aquelas que são justas quando se trata de conseguir melhorar as condições de vida e ter direito ao trabalho para terem pilim no fim do mês, para dar de comer e pagar as dividas das famílias… Mas há manifestações e manifestações… E foi isto que pensei quando li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a notícia dos protestos dos e das auxiliares de educação, junto ao Palácio de Sant’Ana, em busca de uma coisa que se chama estabilidade no emprego… E ao ver e ouvir tantas daquelas histórias na primeira pessoa, de pessoas que trabalham há anos em programas ocupacionais, num serviço que é absolutamente necessário, sem terem garantia de futuro, juro que não sei como é que tal situação dura há anos, sem que os governos tenham conseguido resolver a situação desses trabalhadores (as). Como é possível, numa escola, ou noutro serviço qualquer que um “provisório” já o seja há mais de dez anos? Deus nos livre se isso acontecesse com as empresas… lá vinham as inspecções do Trabalho, das Finanças e da Segurança Social… aplicando depois as chamadas “coimas”… Por isso mesmo, embora sabendo que a manta do orçamento é sempre curta, espero que as vozes de descontentamento se possam tornar em vozes de reconhecimento, porque bem o merecem… A dignidade e estabilidade estão acima do dinheiro no fim do mês…

 

Ricos! Ainda não entendi bem a gana política de implementar a taxa turística regional nos Açores, a somar à mesma taxa que os municípios podem cobrar e que já cobram em muitos lugares e que até nós, açorianos nos queixamos de ter de pagar lá na capital do rectângulo, mesmo quando a viagem é para consulta ou internamento hospitalar. Depois de dois anos a nadar em seco por via do corona e em plena crise de São Jorge cujas notícias nacionais e internacionais fizeram muitos potenciais turistas desistirem de cá vir, a teimosia política de alguns e a vontade de dizer que “vocês que se amanhem” fez com que nascesse uma aliança improvável para uma provável taxinha que vai dar água pela barba aos empresários, com mais uma obrigação de se tornarem intermediários do fisco e agentes da papelada, como se já não tivessem burocracia suficiente para se coçarem no dia-a-dia. Claro que os protestos não se fizeram esperar e a Assembleia Municipal de Ponta Delgada acaba de aprovar um voto de protesto em que é curioso notar que um deputado municipal pertencente a Partido que votou a favor da taxa na Assembleia Regional, agora votou também na Assembleia Municipal a favor … do voto de protesto. Agora resta esperar os capítulos seguintes, mas que não havia necessidade, não havia…

 

Meus queridos! Esta semana duas jovens alunas da Escola das Laranjeiras apanharam um susto de morte quando iam sendo atropeladas na Rua Barão das Laranjeiras, que na parte norte pura e simplesmente não tem passeio e tem trânsito nos dois sentidos para além do movimento de pessoas, essencialmente nas horas de entrada e saída da escola. Não se entende que aquela rua, toda ela, uma das principais entradas na Calheta, para quem vem da Fajã de Baixo, seja sempre relegada e esquecida e só falada em campanhas eleitorais. Uma obra prometida há anos e que vai passando de geração em geração, como se houvesse medo de meter mãos à obra… Enquanto noutros lugares se discute se os passeios devem ser direitos ou ondulados e se projectam “requalificações” onde bastava mudar o asfalto estragado, ali a rua continua à mercê do tempo esperando que venha a acontecer um grave acidente… E já agora, pelo menos usem um balde de tinta branca para pintarem no chão uma simples… mas necessária passadeira…

 

Meus queridos! Na semana passada deixei o meu ternurento beijinho pelos 102 anos do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, mas hoje não posso deixar de dar os parabéns a quantos fazem o centenário Correio dos Açores pelo magnífico e rico suplemento comemorativo da data e que este ano teve como tema de fundo “a mesma terra para novos tempos”, com abrangestes pistas e pontos de vista sobre a Agricultura nos Açores, do produzir ao consumir cá dentro com a criação de um verdadeiro mercado regional. A presença de opiniões e de iniciativas de várias ilhas, cada uma com as suas características próprias e especiais, deu um belo sentido de abrangência ao suplemento, e segundo me disse a minha sobrinha-neta, que gosta de andar pelas redes sociais, foram muitas e elogiosas as referências feitas, de várias pessoas e proveniências, ao papel do Correio dos Açores no panorama da comunicação social da Região. Mais uma vez, o meu ternurento beijinho de parabéns…

 

Ricos! A Casa do Triângulo comemorou as suas bodas de prata com mais uma sessão cultural e de convívio durante a qual foi apresentado o livro do professor Ermelindo Peixoto com a história da empresa das lanchas do Pico, que realmente é o símbolo maior da união das três ilhas que há muitos anos se consideram o triângulo central dos Açores. Na pessoa do seu Presidente, Carlos Adalberto Silva, vai o meu beijinho de parabéns e que continuem a receber quantos daquelas ilhas aqui precisam de vir para cuidados médicos e que já são quase dois mil por ano e ao mesmo tempo que também sejam um centro de convívio cultural para picoenses, jorgenses e faialenses que aí escolheram viver mas não esquecem os saberes e sabores da suas ilhas…

 

Meus queridos! Contou-me a minha prima Maria da Ribeira Quente, que no passado Domingo na Matriz da Mãe de Deus da Povoação ficou encantada com a estreia do coro “Laudum Dei” composto  pelos “sete magníficos” padres jovens espelhados pela ilha dirigidos pela maestrina Cristina Ventura e que cantaram e encantaram. Longe vão os tempos em que padres de toda a ilha se juntavam para cantar em missas e ofícios. Agora volta esta experiência com os concertos orantes que a minha prima tanto gostou. Agora já fico à espera que o segundo concerto seja aqui na minha cidade-norte, como prometido. Para os “sete magníficos” o meu ternurento beijinho!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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