Carta aberta à Ryanair

“Tratamento arbitrário e desumano de crianças pela Ryanair”

 I. FACTOS
1. Eu, Madalena Borges Coutinho Casaca, abaixo assinada, por razão imperiosa e urgente – falecimento do meu sogro em Ponta Delgada, Açores – precisei de me deslocar de Lisboa a Ponta Delgada com as minhas filhas, Sofia Casaca Resendes, nascida a 6 de setembro de 2016 em Ponta Delgada e Vera Casaca Resendes, nascida a 1 de fevereiro de 2019 em Ponta Delgada.  
2. Infelizmente, constatei não encontrar a identificação das minhas filhas, pelo que tive de recorrer aos mecanismos legais disponíveis em Portugal – como de resto, na generalidade dos países do mundo – que foi o de colocar a questão junto das autoridades policiais que, tendo constatado a verdade dos factos passaram as necessárias declarações de extravio da identificação que servem para, não só permitir o exercício dos direitos, liberdades e garantias consagrados na Constituição da República Portuguesa, mas como, exatamente em situações de emergência como esta, permitir a reunião da família. Acresce a este facto que tinha também em minha posse cópias dos documentos de identificação das minhas filhas.  
3. Até chegarmos à porta de embarque, tudo se passou normalmente, tendo a companhia Ryanair, aceite a documentação no check-in para o voo 2526 LIS-PDL, no dia 19 de janeiro de 2022.
4. Na porta de embarque, a Ryanair, através da sua representante que se identificou como Filipa Coelho com o número 57917 resolveu barrar a entrada das crianças no avião, ignorando a documentação, provocando o terror nas minhas filhas que suplicaram insistentemente para não ser separadas do pai delas, meu marido, que as esperava já em Ponta Delgada, depois de ter apanhado um voo anterior.  
5. De acordo com a informação que me foi dada pela PSP no aeroporto, todos os dias há passageiros que viajam com documentos idênticos aos que foram recusados para as minhas filhas.
 
CONSIDERAÇÕES
1. Não consigo entender como o exercício de um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa é entregue ao arbítrio da decisão de uma companhia, no caso, pelo que pude entender, de um funcionário dessa companhia;  
2. Não consigo entender como é possível assistir passivamente à barbaridade de separar crianças de dois e cinco anos do seu progenitor e da família enlutada sem qualquer razão objetiva para isso;
3. Não consigo entender como a companhia responsável por esta desumanidade não só não mostrou qualquer sinal de arrependimento, mas como pretende expropriar-me dos 270 euros que me fez pagar pela passagem.  
Nesta situação, aguardo urgentemente explicações da companhia Ryanair, reservando-me o direito de usar todos os instrumentos disponíveis para responsabilizar a companhia pela sua desumanidade.  
 

Madalena B.C. Casaca

 

Resposta da Ryanair

 

A pedido do ‘Correio dos Açores’, a Ryanair enviou ao nosso jornal o seguinte esclarecimento:
“Dois menores foram correctamente impedidos de embarcar no voo FR2526 de Lisboa para Ponta Delgada por não terem apresentado um passaporte ou bilhete de identidade nacional válido. Se a sra. Madalena Casaca tivesse avisado os agentes da porta de embarque em Lisboa que o motivo da sua viagem era um funeral, uma isenção poderia ter sido concedida. No entanto, em nenhuma fase a nossa tripulação foi informada da sua situação e, portanto, não teve oportunidade de considerar quaisquer excepções”.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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