25 de janeiro de 2022

Opinião

Os Cinco de S. Bento

No próximo dia 30 do corrente mês realiza-se mais uma eleição para o Parlamento de Portugal.
A colónia dos Açores tem direito a cinco lugares no Palácio de S. Bento, sede do poder legislativo da República Portuguesa.
Povo estranho. Estes açorianos.
Não é que quanto mais a “gente lhes bate”, mais em nós votam!
Foi assim no passado século com o Professor Salazar, no Estado Novo, e com Professor Cavaco, em Democracia.
Nos dias de hoje com o Dr. Rio, que até fez contas.
Só valem 12.000 votos.
O primeiro-Ministro Costa e alguns dos seus ministros, da palavra dada fizeram rasa a honra.
Manifestaram por palavras e actos o mais atávico centralismo.
Por aí se vá dizendo, que estes “Cinco de S. Bento” deveriam formar “uma frente unida”.
Outros, mais liberais e pragmáticos, sugerem que venham a constituir um lobby, palavra mais consentânea com o estilo tecnocrata e empreendedor.
 Não vá o pretenso “frentismo” ferir as susceptibilidades dum determinado conservadorismo revisionista.
Por estas bandas durante para mais de quatro décadas, salvo uma ou outra excepção, o lema era “boca calada faz melhor figura”.
Ou então para não entrarem num “teatro de sombras”, faziam o que mais sabiam.
 Emigravam.
Era entendimento que o “Zé Povinho”, não tinha chegado ainda à idade adulta para viver em Democracia.
 O golpe do 25 de Abril deu lugar a um Estado Democrático multipartidário, depois de várias tentativas revolucionárias de imposição dum Estado Socialista, igualmente sobre a liderança dum único partido, de cariz marxista – leninista.
A evolução para a democracia possibilitou que terminasse a divisão dos Açores em três distritos autónomos com três governadores civis nomeados pelo governo central.
Para uma Região Autónoma com Governo e Parlamento próprios, mas limitada por um Estado Unitário constitucionalmente consagrado.
Até aos dias de hoje essa mesma democracia tem vindo a padecer duma falha grave.
Enquanto foram criadas as condições para a autodeterminação das antigas colónias, incluindo as ilhas do atlântico sul como S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde.
As situadas mais a norte como a Madeira e os Açores, passaram a ser designadas por Regiões Autónomas.
Um prestigiado cronista sintetizava de forma eloquente o resultado do novo modelo concedido:
“Autonomia sem Autonomia”.
Que nas mais de quatro décadas de vigência, já foi adjectivada com vários nomes, sinal inequívoco do falhanço de tal opção.
Apenas tem servido os interesses de Portugal, que assim vê alastrar a sua soberania sobre uma vasta área de mar.
Trinta vezes mais que a área de Portugal Continental.
Contribuindo para que Portugal volte a ser uma potência marítima, com os respectivos ganhos económicos associados.
 Dando-lhe trunfos acrescidos em várias negociações internacionais, servindo-se dos Açores como “moeda de troca”.
Com as presentes eleições os vários candidatos, militantes de partidos portugueses, voltam ao discurso de sempre.
 Vamos colocar os Açores primeiro.
Acima dos interesses dos nossos partidos.
Temos de aprofundar a autonomia.
Rever a Constituição e a Lei das Finanças Regionais.
Vamos pugnar pelo círculo único ao Parlamento da Europa e pela possibilidade de partidos regionais…
Mesmo que os nossos líderes nacionais, afirmem que apenas valemos escassos votos ou que somos a continuidade de Portugal no Atlântico.
Ou ainda quando nos comparam a um qualquer município de Portugal, procurando com isso desvalorizar a posição geo – estratégica dos Açores.
Por outro lado, há quem preveja o aparecimento de novas forças políticas de raiz açoriana.
Uma seria a ASDA - Alternativa Social - Democrata para os Açores.
Os seus militantes arrogam-se dos valores e da matriz Social-Democrata.
Que até agora se encontravam distribuídos pelo PSD – partido social – democrata, também conhecido pela sigla PPD e pelo PSD- partido socialista democrata, vulgarizado pela sigla PS.
Outra seria constituída por democratas cristãos, conservadores e liberais, que se posicionariam como alternativa e não mera alternância.
Uns e outros, por caminhos diferentes, teriam como objectivo comum o progresso e desenvolvimento dos Açores.
Para além de pugnarem por um regime democrático sólido, tinham como meta comum um novo enquadramento político – administrativo por uns Açores Sempre Primeiro.
Até aqui “Os Cinco de S. Bento” têm sido distribuídos pelo PPD e PS, assim como têm partilhado o governo entre si por longos períodos, inviabilizando a autenticidade duma verdadeira alternativa.
Que não se olvide a realidade.
Um mundo globalizado e uma Europa de soberanias partilhadas.
Mas que a “Voz dos Açores”, se faça ouvir por direito próprio.
Dispensando a mediação tutelar.
Caminho a explorar.
Ponderando os prós e os contras.
Com bom senso consequente e Portugal presente.
Há caminho para a Portugalidade e a Açorianidade percorrerem, em parceria fraternal.

 

Por: António Benjamim

Print
Autor: CA

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker