7 de março de 2021

Bloqueio chinês e a conquista do mar

1- A RTP transmitiu na noite de Sexta-feira um exaustivo trabalho sobre o início da pandemia na China, desde os primeiros sintomas no final de 2019 e Janeiro de 2020.
2- O trabalho contou com depoimentos de cientistas chineses e australianos, que estudaram e decifraram desde o início o genoma do vírus (RNA), concluindo que se tratava de uma variante do SARS-2 de elevado perigo e que exigia a tomada de medidas urgentes para o combater e evitar a sua propagação pelo mundo, devido à circulação das pessoas, desde logo dentro da China e depois com o mundo exterior.
3- O Governo chinês propositadamente retardou assumir o perigo, para evitar uma catástrofe interna devido à movimentação dentro do país, por altura do ano novo, e proibiu a divulgação noticiosa da doença.
4- Entretanto, as pessoas começaram a adoecer e a atulhar os hospitais, e a meados de Janeiro a China não teve outro remédio senão autorizar os cientistas a partilhar com a Austrália toda a informação necessária para permitir estudar a forma de combater o vírus e suster a pandemia.
5- A China foi a incubadora que gerou a Covid-19, e é responsável pela sua propagação mundial, porque omitiu os riscos do contágio pandémico para não abalar “ a tranquilidade interna”.
6- Mas o que fizeram os demais países que compõem o clube da “globalização” ao saberem do comportamento chinês que levou à catástrofe onde estamos ainda mergulhados?
7- Que se saiba, nada! E foram todos à China, comprar os primeiros socorros para acudir às necessidades dos serviços de saúde do Ocidente, como aconteceu nos Açores também, porque a indústria da Europa e da América está instalada na China, rendida ao lucro fácil, no reino de Mao Tsé-Tung, devido à exploração vergonhosa da mão-de-obra barata dos seus trabalhadores.
8- O conceito hoje em voga no Ocidente é um conceito de “social porreirismo” à boa maneira portuguesa, esquecendo que os países beligerantes continuam a sua política de poder absoluto, fazendo caminho estribados no desenvolvimento interno, o que lhes permite estender paulatinamente os tentáculos a zonas estratégicas com o propósito de criar uma nova ordem internacional de poder, assente na hegemonia dessas grandes potências, como a Rússia a Ocidente, e a China, a Oriente.
9- Perante o jogo de xadrez dessas potências intercontinentais é flagrante a decadência da Europa Ocidental e dos EUA, ficando os Açores no “olho do furacão”, cobiçados pela sua posição geoestratégica e pela sua dimensão marítima, mas sujeitos às investidas dos beligerantes, sem terem meios à disposição para se defender.
10- As ameaças que pendem sobre os Açores não são novas, e, talvez por isso, em 2018, a República tenha decidido “vender” a criação do “Centro para a Defesa do Atlântico”, criada pela Resolução 66/2018, e na qual se definia a sua exacta localização dentro da Base Aérea n.º 4, nas Lajes, ilha Terceira. Este projecto deve ter ficado “encalhado” entre as munições das armas roubadas em Tancos, porque depois disso, que se saiba, o projecto não passou do papel.
11- São públicas as movimentações que têm existido no mar báltico e mediterrânico, quer pela Turquia quer pela Rússia, visando a exploração de gás, do qual a Europa está dependente. A situação é de tal modo delicada, que a marinha e os EUA vigiam neste momento ao largo da costa portuguesa, a presença do submarino de ataque russo ‘Rostov-on-Don’, pertencente à frota do mar Negro, desde 2014.  
12-  O Presidente da República e o próprio Governo de António Costa têm insistido frequentemente na “continuidade territorial” entre os Açores e Portugal continental, o que parece caricato, mas pouco ou nada têm feito para proteger os interesses ocidentais do ponto de vista militar e político, com o posicionamento estratégico da Base das Lajes, tirando daí as vantagens sócio - económicas inerentes para os Açores.
13- Perante todas as movimentações marítimas de grandes potências, é tempo de Portugal agir. E isso passa por uma política de defesa centrada no valor geoestratégico que os Açores têm no mar Atlântico, obtendo-se depois os benefícios inerentes para a Região. Espera-se que o novo mandato do Presidente da República traga novas nesse campo.

Américo Natalino Viveiros

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Categorias: Editorial

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