Laboratório da Universidade está há 41 dias em Ponta Delgada à espera que se cumpra protocolo para fazer testes à Covid-19

Certificado desde o passado dia 15 de Janeiro de 2021 pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, o Laboratório Covid-19, localizado no campus de Ponta Delgada da Universidade dos Açores foi um investimento da responsabilidade da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia, que rondou os 170 mil euros. Com uma equipa formada e com todos os equipamentos e materiais disponíveis, este laboratório não recebeu ainda qualquer amostra para a realização dos testes de despiste ao Sars-Cov2, como refere o seu responsável técnico.      
“Ainda não recebemos qualquer amostra. Está tudo preparado e temos os testes prontos a serem usados no laboratório. Temos cerca de 2.000 testes e duas técnicas do laboratório prontas a trabalhar, que foram contratadas para fazer exclusivamente essas análises”, adianta Duarte Toubarro, que acrescenta ainda que este laboratório tem “estado insistentemente, junto da Direcção Regional de Saúde, a pedir as amostras. Temos feito esse pedido, até mais do que uma vez por semana”, afirma.  
Duarte Toubarro explica que existe um acordo firmado entre a Direcção Regional da Saúde e a Universidade dos Açores que aponta para o tratamento de “100 amostras diárias, embora tenha ficado expresso, desde o primeiro dia, que temos capacidade para mais. Depende das necessidades do Serviço Regional de Saúde. Temos capacidade para facilmente duplicar ou triplicar esse número de amostras, aliás a Terceira tem, em vários dias, feito mais de 100 amostras. Têm equipamento em tudo similar ao nosso (...) Não é por falta de capacidade. Ela existe e está instalada mas, pelos vistos, não há necessidade de usar o laboratório”, refere.
O responsável técnico pelo Laboratório Covid-19 no Pólo de Ponta Delgada da Universidade dos Açores esclarece ainda que esta estrutura está habilitada e certificada para tratar amostras do vírus Influenza (Gripe) mas que “o protocolo entre a Universidade e a Direcção Regional da Saúde é só para o Sars-Cov-2”.
Duarte Toubarro afirma que enquanto aguarda pela chegada das amostras, a equipa tem “estado a preparar outros protocolos (…) Neste momento já estamos certificados e preparados para fazer o influenza. Começamos a trabalhar para a detecção de mutações do vírus e a analisar protocolos para distinguir as variantes do vírus, nomeadamente a inglesa, a sul americana e a brasileira”. O responsável técnico por esta estrutura da Universidade em Ponta Delgada explica que este laboratório funciona “como rectaguarda ao Serviço Regional de Saúde (SRS) ” e que “se o SRS não nos manda amostras é porque se calhar não tem necessidade disso. É o que depreendemos”.
Apesar disso, Duarte Toubarro admite alguma “estranheza” pelo facto de ainda não terem sido enviadas quaisquer amostras para o Laboratório.
“Há um conjunto de laboratórios convencionados e existem testes que estão a ser feitos pelo laboratório da Terceira. Porque é que não nos mandam uma parte desses testes e elas (amostras) vão parar aos convencionados? Não faço a mínima ideia”, questiona.
O responsável técnico por este Laboratório garante que “a Universidade está numa posição de apoio à Direcção Regional de Saúde. Nunca irá fazer concorrência com privados, nem tão pouco com os testes que forem para o hospital” e destaca que o Laboratório encontra-se totalmente disponível para começar a receber as amostras.
“Nós temos os recursos humanos e não cobramos nada pelos testes. Se mandarem as amostras esta tarde estamos prontos”, afirma.        
             
Director da Saúde diz que envio de
amostras só “num futuro próximo”
O Director Regional da Saúde confirma que até ao momento não foi enviada qualquer amostra para o Laboratório de Ponta Delgada da Universidade dos Açores. Berto Cabral explica que estava previsto o envio de amostras colhidas pela Unidade de Saúde de Ilha de Santa Maria, mas o facto de, segundo uma norma da Direcção Regional de Saúde, ser obrigatório “perante sintomatologia respiratória, também ser realizado o teste de despiste ao influenza” e o facto de este último teste não estar englobado no acordo entre ambas as partes, levou a que as amostras fossem enviadas para o laboratório do HDES (Hospital do Divino Espírito Santo).
“Por uma questão até de rentabilização de recursos e em vez de estarem a fazer duas colheitas às pessoas e enviar umas amostras para o HDES e as da Covid para a Universidade dos Açores, enviava-se uma única amostra. Assim, entendeu-se mandar sempre para o laboratório do HDES”, justifica.
Berto Cabral refere ainda que mal “esteja resolvida” e esclarecida a circular normativa da Direcção Regional da Saúde “passarão a ser enviadas amostras para lá. Isso vai acontecer num futuro próximo”, garante.
O Director Regional da Saúde destaca igualmente que a capacidade de testagem nos Açores “nunca ficou condicionada”.
“Não é obviamente desconsiderar o investimento que foi feito pela Universidade e tanto é que iremos passar a mandar amostras para lá. Não ficou condicionada a testagem em qualquer ilha dos Açores porque a capacidade instalada sempre permitiu que fossem efectuadas as análises que tinham de ser feitas”, afirma.

Açores sem casos de vírus da gripe
Ainda segundo Berto Cabral, esta obrigatoriedade de realização dos testes ao influenza é algo que deixa de ter significado, já que em todas as análises realizadas não “há um caso detectado nessas amostras nos Açores. Não é só em Santa Maria, é nos Açores todos. O próprio laboratório da unidade de genética e patologia molecular já nos confirmou que tecnicamente não há vírus da gripe a circular. Temos esse reporte, com dados que nos são enviados pelo laboratório, de que o número de casos de influenza detectados foi zero”, realça.
Perante este cenário o Director Regional da Saúde avança que as amostras começarão a ser enviadas para o laboratório da Universidade em Ponta Delgada, deixando a garantia de que o Governo conta com a colaboração da Universidade.
“Vamos rever essa norma e as amostras de Santa Maria vão começar a ser enviadas para o laboratório da Universidade dos Açores. É algo que queremos fazer dentro de um curto espaço de tempo para cumprir com esse acordo com a Universidade. Não houve aqui nenhuma discriminação ou vontade de não obter a colaboração, aliás, temos de agradecer a disponibilidade da Universidade em colaborar neste processo”, afirma.

Convenções com laboratório  privado
Questionado sobre o facto de as amostras estarem a ser processadas por laboratórios privados, com custos para a Região, em detrimento de laboratórios públicos, como é o caso do já referido da Universidade dos Açores em Ponta Delgada, Berto Cabral explica que a convenção actualmente em vigor já estava assinada quando o actual Executivo entrou em funções.
“Neste momento esse laboratório (Germano de Sousa) está a fazer testes do 6º e 12º dias e o acordo foi até 45 mil testes. A Região já tinha um protocolo estabelecido ainda antes deste Governo, que previa serem efectuados 45 mil testes, sendo que este contrato não é apenas para a realização do teste, implica também a colheita”, destaca.
O Director Regional da Saúde esclarece que o contrato em vigor “permitiu libertar enfermeiros” que anteriormente tinham a responsabilidade de colher as amostras, lembrando que “já estamos em plena vacinação e isso também nos permitiu libertar estes profissionais para essa função. Temos de ter isso aqui presente”, refere.
Berto Cabral avança que a renovação da actual convenção “ainda não foi equacionada” destacando no entanto que, “havendo capacidade instalada na Região, não há necessidade de renovar esse tipo de contratos ou de fazer outros”.             
                                                

Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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