Licenciou-se em Direito e tem 31 mil seguidores a ver as suas opções de moda

Carolina Gomes de Menezes é uma das influenciadores digitais açorianas com mais fãs atentos aos seu trabalho

Depois de dois anos dedicados à criação de conteúdos digitais em plataformas online, Carolina Gomes de Menezes aproxima-se da marca dos 31 mil seguidores nas redes sociais – em particular no Instagram –, fazendo assim com que seja uma das influenciadoras digitais açorianas com mais seguidores actualmente.
Contudo, os últimos dois anos não foram somente dedicados ao crescimento nas redes sociais, tendo em conta que esta jovem com 22 anos de idade, natural de Ponta Delgada, terminou recentemente a sua licenciatura em Direito e prossegue agora estudos num Mestrado em Relações Internacionais.
A escolha pela área do Direito foi natural, adianta a jovem ao nosso jornal, tendo em conta que na sua família sempre existiram pessoas ligadas a uma área que considera “abrir imensas portas”.
Isto é, na opinião de Carolina Gomes de Menezes, estudar Direito é “muito mais” do que estudar para ser advogado, tendo em conta que “ter conhecimento jurídico é uma mais-valia em qualquer profissão que se exerça e até mesmo no dia-a-dia”, já que esta é uma área que influencia a vida do comum cidadão “desde o momento em que nasce, (…) e até depois de morrer”.
Foi a escolha por este curso que permitiu que vivesse fora dos Açores pela primeira vez, ainda que ficasse “a poucas horas de avião” da sua primeira casa. No entanto, reconheceria que este salto lhe traria “inúmeras oportunidades”, tal como teve a oportunidade de confirmar, incluindo o à vontade para começar o seu trabalho nas redes sociais.
Ao nível do corte com a rotina que mantinha até então, Carolina Gomes de Menezes considera que o facto de ser por natureza uma pessoa muito independente e pouco materialista não lhe permitiu sentir qualquer estranheza em relação à grande mudança, exceptuando as saudades que sentia da família.
“Sou por natureza uma pessoa muito independente, não sou materialista e por isso deixar a minha casa não me fez confusão nenhuma. Diria que o que mais me fez falta foi o apoio e presença da minha família, eu sou muito ligada aos meus pais e irmão, preciso do apoio deles em tudo o que faço e isso foi complicado conciliar com a distância. No entanto, com a ajuda do Facetime, Skype e outras plataformas de vídeo-chamada tornou-se mais simples”, refere.
À medida que o tempo foi passando, e assim que decidiu tornar a sua conta no Instagram acessível a todos, tornava-se difícil ignorar o número crescente de pessoas que seguiam os seus conteúdos, bem como o crescente número de contactos e pedidos que chegavam através de marcas nacionais e internacionais, propondo parcerias ou a participação em eventos conhecidos pelo grande público.
“Eu só comecei a trabalhar oficialmente com as redes sociais a partir de meados de 2018. Antes disso, já tinha alguns seguidores, mas nada demais. Comecei a perceber que talvez seria algo com que poderia trabalhar assim que passei a ser contactada por marcas internacionais, agências de moda e a ser convidada para eventos com os grandes nomes da televisão portuguesa”, conta a jovem, adiantando que até ao momento fez parcerias com marcas como Sephora, L’Óreal, Perfumes&Companhia e ElCorte Inglés, entre outras.
São parcerias como estas que permitem os criadores de conteúdos digitais ganharem dinheiro através das suas plataformas, sendo por isso algo “extremamente importante para quem pretende fazer disto uma fonte de rendimento”, afirma, distinguindo assim uma ocupação que poderia funcionar como um passatempo ou algo que venha a ser a sua profissão a tempo inteiro, algo que “não se encontra fora de questão” no momento.
Inicialmente, as primeiras publicações eram “bastante simples”, salienta, limitando-se a falar sobre o seu dia-a-dia, a partilhar fotografias de paisagens ou das roupas que usava diariamente, porém, à medida que foi investido em equipamento fotográfico e de edição, o que lhe permitiu ganhar qualidade, acabou também por mudar a sua narrativa nas “histórias” que vai partilhando.
“Ao longo do tempo comecei a investir em equipamento fotográfico e de edição, e por isso considero que os meus posts foram ganhando mais qualidade no que toca à própria imagem. No entanto, também fui mudando a minha narrativa nos stories. Passei a falar de assuntos importantes como política, problemas sociais, nomeadamente o caso de George Floyd nos Estados Unidos recentemente, e ainda a situação pandémica da Covid-19”, salienta a jovem micaelense.
Em parte, acredita que o crescimento exponencial da sua conta de Instagram no último ano se deve também a isso, uma vez que mudou também “o tipo de conteúdo e ideias” transmitidas. Porém, acredita que “não existe uma fórmula mágica para ganhar audiência” sem ser o tentar ser “o mais genuína possível e transmitir boas vibrações” através daquilo que é partilhado.
Adianta, no entanto, que por vezes “é ainda surreal pensar que 30 mil e 600 pessoas” querem “ouvir o que tem para dizer e ver o que está a fazer”, até porque desse grupo de milhares de pessoas constam pessoas “de todas as idades, etnias e línguas”, o que traz também “uma responsabilidade social muito grande”, diz Carolina Gomes de Menezes.
É por esse motivo que a criadora de conteúdos digitais afirma tirar “muito proveito da plataforma que teve a sorte de alcançar”, seja para alegrar o dia de quem a segue através de conteúdos mais engraçados ou para “debater com os seguidores assuntos de grande importância”, incentivando, por exemplo, para que estejam a par dos debates presidenciais que têm vindo a ser organizados para as próximas eleições.
“Tendo uma audiência maioritariamente jovem, acho importante que seja eu como criadora de conteúdo digital a influenciá-los a exercer o voto consciente, e a pesquisar sobre o futuro do país”, diz.
Também o facto de ser açoriana e de partilhar muito do seu conteúdo a partir de São Miguel, onde se encontra de momento, faz com que receba frequentemente mensagens de seguidores que afirmam ter começado a seguir o trabalho de Carolina “pelo sotaque e pelo facto de não conhecerem mais ninguém dos Açores” com a mesma profissão, ainda que “a família açoriana” – nome que dá aos seus seguidores na Região – esteja “a crescer cada vez mais”.
Tendo em conta a evolução que lhe foi permitida alcançar ao longo dos últimos dois anos, a criadora de conteúdos digitais acredita que seja possível crescer e ser bem-sucedido nesta profissão em qualquer parte do mundo, acreditando que não “é preciso ser de um sítio específico para ganhar uma plataforma bastante grande”, embora seja mais óbvio que ao viver em países como Reino Unido, Estados Unidos e Brasil há vantagens “porque o alcance vai ser muito maior”.
Ainda assim, apesar do trabalho positivo que tem vindo a fazer nas redes sociais, afirma que há ainda muita discriminação relativamente ao trabalho digital, “tanto por parte das pessoas que acham sempre que não é um trabalho ‘’a sério’’, como por parte das marcas que querem a publicidade, mas que se recusam a pagar por ela. Costumo perguntar-lhes porque razão acham que não precisam de pagar, se em qualquer outro meio teriam de o fazer. Não existe ninguém que faça publicidade gratuita, porque razão têm os influenciadores digitais de o fazer?”
Entre os desafios mais recentes que lhe foram colocados está também a pandemia, que afectou de uma forma geral os criadores de conteúdos digitais que se viram limitados relativamente ao tipo de conteúdo que lhes era permitido publicar, sobretudo devido ao confinamento que foi imposto pelo Estado de Emergência.
“A pandemia trouxe mais tempo para criar conteúdo, no entanto, também trouxe procrastinação e bloqueios criativos. Durante a quarentena houve fases que me apetecia imenso criar conteúdo e estar activa nas redes sociais, mas também houve fases que não sabia mais o que dizer e publicar, já que nem podia sair de casa para fotografar ou mostrar as actividades normais do meu dia-a-dia”, realça Carolina Gomes de Menezes.
A par desta dificuldade e da discriminação que existe ainda em relação aos criadores de conteúdos através das plataformas digitais, salienta que “embora este não seja um trabalho tradicional, com horário fixo estimulado”, é também muito trabalhoso.
“Eu não ando só a tirar fotografias e gravar vídeos e a publicá-los. Eu tenho de arranjar tempo e local para os fotografar e gravar, tenho de os editar, tenho de os enviar para as marcas e ver se estão de acordo com os trâmites das mesmas, seguir briefings, respeitar a data e hora de publicação, responder a e-mails, negociar contratos, etc.
Eu percebo que seja uma coisa ‘’recente’’ e pouco comum no nosso país, especialmente nos Açores, e que isso faça uma certa confusão na cabeça das pessoas, mas é cada vez mais comum ver pessoas a viver apenas do digital”, explica.
Independentemente daquilo que decidir em relação à sua ocupação profissional para o futuro – continuar com o trabalho de influenciadora digital ou dedicar-se a qualquer uma das portas que se abram através dos seus avanços no ensino superior –, Carolina Gomes de Menezes realça que o trabalho que desenvolve actualmente e a sua capacidade de chegar mais facilmente às pessoas “pode ser um grande benefício” na sua vida profissional mais tarde.
“Se até os políticos têm redes sociais e partilham conteúdo, porque razão não poderia ter? Os meus professores de Direito, todos eles advogados, utilizavam as suas redes sociais para partilhar artigos, expressar opiniões e partilhar também um pouco da sua vida pessoal. As pessoas gostam de transparência, de ver como se passam as coisas na vida de quem seguem, é isso que lhes traz uma sensação de segurança e aproximação relativamente ao próximo”, salienta.
A par disto, espera que o facto de conciliar duas coisas que a fazem muito feliz – os estudos e o seu trabalho nos meios digitais – acrescenta que o seu exemplo “deve inspirar outros jovens a seguirem o que lhes vai na alma e o que lhes faz verdadeiramente felizes”, tendo em conta que “as pessoas vão sempre falar, quer façamos algo ou não, e por isso mais vale avançar e ignorar os comentários menos bons”.
No futuro, pretende continuar a utilizar a sua plataforma para dar resposta à responsabilidade social que assume ter, admitindo que irá sempre procurar sensibilizar as pessoas, debater assuntos, dar a sua opinião e expor casos situações boas ou más que mereçam alguma reflexão.
Apesar de considerar que o sucesso não se mede a partir da sua localização, Carolina Gomes de Menezes não esconde o desejo de morar no exterior de Portugal para ver que oportunidades podem existir a partir dessa mudança de cenário, imaginando-se a morar em países como o Reino Unido, Estados Unidos da América ou Austrália, embora considera que os Açores sejam “sempre” a sua casa.
                                        

“Incomoda-me muito a faltade sensibilidade das pessoas  especialmente para assuntos sociais”

 Que sonhos alimentou em criança?  
Eu nunca fui uma pessoa que se preocupa muito com o futuro. Gosto de viver no momento. Se tinha sonhos? Tinha, mas coisas parvas como ir visitar a lua.

O que mais o incomoda nos outros? E o que mais admira?
Incomoda-me muito a falta de sensibilidade das pessoas para certas coisas, especialmente assuntos sociais. Não gosto de gente que ignora a realidade. Mas admiro muito pessoas altruístas, que não pensam só em si.

Que coisas gostaria de fazer antes de morrer?
Quero ser feliz. É isso que acho que toda a gente deve ter direito a ser antesd e morrer. Que importa fazer x ou ter y se não somos felizes? Quero ser feliz e fazer quem amo feliz.

Gosta de ler? Diga o nome de um livro de eleição.
Gosto, muito. O que seria se não gostasse? Não tinha acabado a licenciatura! O último livro que li e adorei foi sobre Donald Trump: ‘’Too Much and Never Enough’’.

Como se relaciona com a informação que inunda as redes sociais?
Eu tento sempre visitar os sites com informação fidedigna. Há muita gente que acredita em tudo o que lê na internet. O truque é visitar sempre sites oficiais, tudo o que acaba em .org ou sites de jornais e canais de notícias.

Conseguia viver hoje sem telemóvel e internet?
Não, nunca. É horrível, mas a verdade é que uso o telemóvel e a internet para (quase) tudo no meu dia-a-dia, seja por lazer, seja profissionalmente. É através deles que trabalho.

Gosta de viajar? Que viagem mais gostou de fazer?
Adoro! Aliás, se algo me tem feito falta neste último ano de pandemia são as viagens. A última que fiz e adorei foi Londres. Adorei a quantidade de pessoas diferentes, com religiões diferentes e mesmo a cidade em si.

Quais são os seus gostos gastronó-
micos?
Eu não sou esquisita. Mas diria que se me fizerem escolher uma gastronomia específica, seria a italiana. Nunca comi tanto na vida como quando estive em Roma... só de pensar fico com fome!

Que notícia gostaria de encontrar amanhã no jornal?
Gostava de ler que descobriram a cura definitiva para a Covid-19. Este ano tem sido uma loucura, um stress constante para não apanhar e pior ainda, não transmitir a quem não pode apanhar.

Qual a máxima que o/a inspira?
‘’It’s not the years in your life that count, it’s the life in your years’’, de Abraham Lincoln. É uma frase que me inspira imenso porque tal como disse eu gosto de viver o presente e aproveitar o agora.

Em que época histórica gostaria de ter vivido? Porquê?
Gostava de ter vivido nos anos 70 ou 80, devia ser bom viver sem internet, sem telemóvel, apenas convivendo com as pessoas pessoalmente... Sem os tress constante da pressão das redes sociais.
                                                    

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