8 de novembro de 2020

O tempo não é para indecisões

1- O final da segunda década do século XXI contrasta com o optimismo com que foi recebido o novo milénio em todo o mundo. Vivia-se com emoção os avanços da globalização, o mundo tornou-se mais pequeno devido à informação que circulava apenas pelo impulso de um clic, provindo de pequenas empresas constituídas por jovens promissores que à medida que os anos passavam, iam crescendo e em pouco tempo tornaram-se em grandes empresas que concentram todos os dados dos seus utilizadores.
2-  Essas hoje controlam as pessoas, as empresas, o sistema financeiro mundial através dos grandes centros bolsistas, onde nascem milionários e pobres que foram muitos ricos.
3-  Os grandes e poucos conglomerados tecnológicos, são gigantes tão poderosos, que se tornaram donos e senhores da verdade e da mentira que circula a todo o momento nas redes sociais que controlam.
4- Só eles têm o poder de censurar e aprovar o que consideram ser verdade e o que consideram ser mentira, ficando ao seu critério o que se pode, ou não, dizer e escrever.
5- O que se passa hoje com a infocracia e a democracia, como muito bem retrata o nosso colaborador residente Professor Vasco Garcia na edição de ontem do Correio dos Açores, é uma ameaça aos Estados e à democracia. 
6- Pior ainda, porque os Estados democráticos são hoje dirigidos por pessoas calculistas que governam para ganhar o voto e não para servirem o país, os cidadãos e o Estado. 
7- Os atentados em vários países da Europa, mostram a fragilidade da democracia e são prova da promiscuidade que tomou conta da periferia das grandes metrópoles e da política servil, usada relativamente aos emigrantes, a quem deve ser colocado como princípio assumir a identidade do país acolhedor, e não impor os costumes, usos e religião dos países de origem.
8- Igualmente tenebroso, pelo exemplo que dá ao mundo, é o que se passa nos EUA, que se apresenta como “comandante” do mundo, mas que não consegue tornar-se numa Nação do próprio povo americano, ao manter-se como um país de raças que se digladia, de acordo com os interesses da raça, e que mantém um sistema eleitoral anquilosado a pedir reforma para passar a um sistema de eleição directa do Presidente da República. 
9- Nesse carnaval que se vive desde o inicio do novo milénio, Portugal continua igual a si mesmo, com muitas ideias e muitos idiotas, mas com pouca acção prática, procurando medidas politicamente correctas, cujos efeitos se esvaem nos efeitos da sua execução, fazendo com que o país continue a marcar passo.
10- Os malefícios não se resolvem com as mea culpas feitas pelo Presidente da República nem pelo Primeiro - ministro. Resolvem-se com medidas concretas, no caso, para mitigar os efeitos da pandemia na saúde e na economia. É preciso menos comentários e menos palavras, e mais acção concertada para acudir ao desemprego que está à porta e às falências que vão aparecer ao molhe.
11- Quanto aos Açores, neste fim-de-semana quem for encarregue de formar o próximo governo da Região vai certamente começar a tarefa de formar um executivo que se espera de combate para acudir aos vários problemas que a Região tem de enfrentar. 
12- Do PS teremos um governo de continuidade que provem das sucessivas heranças dos governos que teve nestes 24 anos, mas se for um governo de coligação, então o que se espera é que comece desde o primeiro dia a delinear as políticas que foram apresentadas ao eleitorado como políticas alternativas, de modo a que todos os agentes económicos e sociais tenham um quadro claro do que os espera no futuro. 
13- O tempo não é para indecisões e para experiências. O tempo é para agir, e, por isso, temos pugnado pela necessidade dos próximos governantes terem experiência e saber quanto baste para enfrentar os riscos que hoje comporta o exercício de funções governativas.
14- Os Açores podem ser um exemplo para juntar a tantos outros que resultaram da audácia dos seus protagonistas, muitos deles arriscando a própria vida. 
 

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Categorias: Editorial

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