1 de novembro de 2020

Um caderno de encargos pós eleitoral

 1- Domingo passado, dia 25 de Outubro lançamos aqui um “grito pelos Açores” apelando aos eleitores para que acorressem às urnas, apesar dos tempos difíceis que vivemos. 
2- Estava pois em jogo a credibilidade do nosso regime autonómico, conquistado a pulso e com o povo sempre na dianteira da difícil batalha que juntou todas as ilhas.
3- Os eleitores aperceberam-se da importância do seu voto, e superam a votação de há quatro anos, reduzindo dessa forma a abstenção e, ao mesmo tempo, apostaram na mudança quanto à forma de governar a Região. 
4- Romperam com o modelo de Governo Absoluto, consequência das maiorias absolutas no Parlamento, e apostaram numa governação abrangente, dialogante e partilhada.   
5- Foi assim que se abriu caminho para a Autonomia, quando a Junta Governativa, criada depois da “revolução” de 6 de Junho de 1975, foi formada por vogais do PSD/A, do PS/A e do CDS/A.
6- Passados quarenta e cinco anos, voltamos a precisar de ter um governo com coloração política variada, com pensamento e visões diferentes quanto à sociedade, capaz de mobilizar os cidadãos para as responsabilidades que lhes cabe no futuro da Região.
7- O prolongado absolutismo estendeu-se aos pequenos poderes espalhados pela máquina regional, criando tentáculos que asfixiaram o pensamento e geraram a apatia e o desinteresse dos cidadãos na participação da causa pública, não obstante o apelo político circunstancial que ia sendo feito, mas que esbarrava na indiferença generalizada que se estendeu a todas as ilhas.
8- Com os resultados eleitorais, tanto o PS como o PSD têm legitimidade para formar governo, dependendo apenas do apoio que cada um conseguir entre os partidos que têm a chave necessária para a constituição de um governo estável.
9- Mas para além da estabilidade, o governo que for empossado pela Assembleia Legislativa tem de ser robusto, composto por pessoas experientes, com saber, com pensamento, reconhecidas pelas provas dadas na sua vida profissional e que saibam o que custa ser empresário e o que custa ser trabalhador incerto, e que esforço fazem as famílias para dar instrução aos filhos além do ensino obrigatório, sem esquecer o peso e as dificuldades que a burocracia pública coloca a todos os cidadãos.
10- O próximo Governo não pode ser um governo onde se vai ganhar experiência, porque o tempo é de acção, para se poder responder ao desemprego que se perspectiva, ao encerramento de empresas que se anuncia, à queda da economia e dos rendimentos das famílias, ao aumento da pobreza e, sobretudo, ao aparecimento da pobreza envergonhada, em que muitos já não têm dinheiro para pagar a luz e a água que consomem, e estão a dever as rendas da casa onde até agora moram. 
11- Estamos perante um retrato real do que existe e do que virá nos próximos tempos se não houver políticas arrojadas, começando por pagar aos fornecedores dos serviços públicos, estancar a deterioração galopante do sector empresarial, resolver o que se passa no Serviço Regional de Saúde, assim como nos cuidados continuados e nos lares, que podem encerrar de um momento para o outro. Por a mão no ensino profissional, para formar alunos em várias funções técnicas que vão para além das novas tecnologias, e onde há carências de mão-de-obra especializada.
12- Para estancar a degradação económica, reiteramos a necessidade de novas políticas estruturais para um novo modelo económico que deve ser consertado com os parceiros sociais, acompanhadas de medidas de apoio para a reestruturação das empresas, para que possam ajustar o modelo de negócio que têm.
13- Resolver com urgência o processo do Grupo SATA que, a prolongar-se, vai tornar-se uma gangrena difícil de recuperar. 
14- A conjuntura é delicada e o futuro depende do equilíbrio e do saber para a enfrentar, em cooperação com os partidos que compõem a nova Assembleia Legislativa, que passa a ser o centro do poder democrático na Região, atributo que nunca devia ter perdido, porque o nosso sistema é um sistema Parlamentar.
                                                  

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Categorias: Editorial

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