Atlântico Expresso

KCS Terceira Tech já tem dois interessados numa solução que pretende agilizar o processo de facturas digitais

A consultora KCS iT já se instalou nos Açores há um ano e durante este período foi elevada a unidade R&D da consultora e recebeu a designação de KCS Terceira Tech. Luís Dias, Business Unit Manager e responsável pelo centro KCS Terceira Tech, afirma que o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido se destaca ao nível de projectos tecnicamente inovadores e suportados por recursos locais, com um foco nas áreas da saúde e sustentabilidade e com um impacto positivo na comunidade e na biodiversidade. O objectivo passa por dotar a KCS iT de uma equipa de inovação, mas também de entrega e desenvolvimento de produto, mas para já há duas soluções que estão a merecer destaque por parte da consultora. Uma que pretende ser usada para identificar e melhorar o processo de catalogação de avistamentos de cetáceos; e outra, já com dois interessados, “tirando partido da parceria da consultora com a Microsoft” e que pretende encontrar uma solução para agilizar o processo da passagem das facturas em papel para as facturas digitais.

Como avaliam um ano de presença nos Açores? O balanço é positivo?
O balanço é extremamente positivo. Sentimos que a equipa tem evoluído e dado uma resposta muito positiva às exigências dos projectos em que estão envolvidos. Entendemos que o desafio era enorme pois falamos de pessoas que tinham outras funções profissionais e que são oriundos de outras áreas de formação. Como tal, o nosso trabalho com a equipa tem sido não só a nível de desenvolvimento de projectos de R&D mas também complementar a sua formação técnica através do nosso Plano de Evolução de Carreira, que tem objectivos muito concretos em formação e certificação técnica. 
Adicionalmente, existe um programa de mentoria associado ao acompanhamento dado por profissionais experientes nas áreas de desenvolvimento, análise funcional e de gestão de projecto, de forma a passar conhecimento e ajudar à evolução profissional da equipa. Sentimos que passado um ano, toda a equipa cresceu, evoluiu e está a atingir muito bons níveis de entrega e qualidade de entrega. 

Da equipa que têm na Terceira, quantos elementos são da própria ilha? Que benefícios em ter mão-de-obra local?
Temos quatro elementos da Terceira, um de São Miguel e um do Pico. Apenas um elemento da equipa não é Açoreano, mas todos habitam na ilha Terceira. 
Vemos claras vantagens em contar com locais para o nosso projecto, uma vez que a abertura do escritório dos Açores teve, também, como objectivo fazer parte do esforço de transformação profissional e revitalização do investimento tecnológico na ilha Terceira. 
Ao abrigo do programa Terceira Tech Island, a KCS IT colocou-se como parceiro de forma a revitalizar e a incentivar o investimento tecnológico nos Açores. Temos sentido que existe qualidade e capacidade de trabalho, bem como pensamento crítico, nos nossos colaboradores dos Açores. Sem dúvida que foi uma boa aposta. Prevemos, num futuro próximo, continuar a apostar e fazer crescer a nossa equipa na Terceira. 

Os dois produtos que estão a desenvolver (CEDAP e “Cetáceos App”) em que consistem e que mais-valias vão trazer quando desenvolvidos?
O CEPAD pretende responder ao custo de emissão de facturas em papel, mais do dobro da emissão de documentos em formato digital, à medida que governos e empresas procuram formas de digitalizar as suas facturas e são cada vez mais as medidas legislativas para agilizar a transição para o digital. Este processo, demorado e custoso, representa uma oportunidade de melhoria. 
O CEPAD é um projecto desenvolvido maioritariamente com tecnologias opensource [código de fonte aberto] e tirando partido da parceria da consultora com a Microsoft. A equipa da KCS iT investigou possíveis soluções para melhorar as taxas de sucesso de reconhecimento de caracteres e está neste momento a desenvolver modelos de machine learning [capacidade dos computadores identificarem padrões para realizar previsões] adaptados à realidade deste tipo de documentação que permitam aos utilizadores gerarem templates para que o modelo possa ser cada vez mais preciso no seu reconhecimento.
Muitas empresas de observação de cetáceos recolhem dados no decorrer das suas viagens, terminando a sua época com uma enorme quantidade de informação em papel repleta de dados incompletos que acabam por cair no esquecimento.
O projecto Cetáceos App (nome ainda provisório) parte da experiência de um membro da equipa na área da Biologia Marinha. Depois de estudados os processos e práticas de registo e identificação de indivíduos, foram verificadas claras oportunidades de melhoria e problemas a resolver.
A KCS iT encontra-se neste momento a investigar novas soluções de identificação de indivíduos com base em determinadas características (por exemplo: forma e marcas presentes na barbatana caudal) para a criação de um modelo que permita facilitar todo o processo de catalogação de avistamentos. Estão a ser exploradas novas tecnologias como o ML.NET, juntamente com ferramentas com provas dadas na área do machine learning, para agilizar este processo de desenvolvimento.
Projectos desta tipologia permitem expandir a intervenção da consultora em áreas por explorar e ajudam a criar produtos que poderão ser utilizados por universidades, ONG e empresas do sector da protecção ambiental e da diversidade marinha.

Em que pé estão já estes produtos? Em que fase de desenvolvimento estão?
O CEPAD foi já submetido ao SIFIDE (um mecanismo de apoio à investigação), não tendo ainda data de lançamento no mercado.
O “Cetáceos APP” está numa fase embrionária de investigação, estando a ser equacionada a colaboração da consultora com universidades locais.

Já há interessados em adquirir estes produtos?
É com enorme satisfação que podemos responder que sim. Existem duas empresas que já demonstraram interesse no projecto CEPAD e que estamos em fase de conversações para desenvolvimento e adaptação do produto às suas necessidades.

A pandemia afectou, de alguma forma, a vossa actividade? 
É notório, a nível mundial, que a pandemia afectou todos os negócios. Felizmente, a área das Tecnologias de Informação (TI), permite ter a capacidade de trabalhar à distância mantendo a sua capacidade de concepção, desenvolvimento e entrega de projectos. Obviamente que os clientes e parceiros, com o receio dos mercados e dos impactos económicos de uma pandemia mundial, tem tido reacções muito diferentes uns dos outros no que diz respeito ao investimento em TI. Sentimos que o impacto foi pouco na nossa actividade e que, dada à agilidade na reacção da nossa organização, nos encontramos de novo em crescimento. A aposta está a ser feita em novos mercados e novos serviços, mantendo a qualidade e consistência do nosso trabalho (ainda que agora remotamente) que tem sido apanágio da KCS IT desde a sua fundação. 

Que outros projectos têm entre mãos?
A KCS IT, além da equipa dos Açores que está focada essencialmente em projectos de R&D e desenvolvimento de produto, dispõe ainda de outros serviços associados às TI. Neste momento contamos com mais de 150 clientes em Portugal, União Europeia e Estados Unidos. Dispomos de mais de 300 colaboradores especializados em várias áreas técnicas (Desenvolvimento, BI/ETL, IA, CRM/ERP, Cloud Computing, SYS ADMIN, Data Science, IoT, Quality Assurance, etc) bem como não técnicas (Business Analysis, Project Manager, Scrum Master, Product Owner) que nos permite actuar não só na área de Time&Materials mas também ter uma equipa especializada em consultoria com serviços de implementação end-to-end. Assim sendo, e sem entrar em pormenores confidenciais dos projectos, podemos afirmar de forma clara que temos mais de 235 projectos em mãos. 

Como vê a aposta da Região em ter, em algumas ilhas, pólos tecnológicos? 
Vejo como uma estratégia a seguir nos anos vindouros. Os Açores já provaram ser uma região com enorme capacidade de atracção de investimento não só ao nível do turismo, mas agora ao nível tecnológico. É uma aposta que faz sentido e ajuda a região a crescer e a revitalizar-se economicamente. Com este tipo de programas e aposta, o arquipélago consegue captar não só o retorno dos Açoreanos, que saíram para se formar e procurar carreiras em áreas distintas, à sua terra natal como também atrair novos focos de mão-de-obra altamente qualificada em várias áreas associadas à tecnologia. Da nossa parte, KCS IT, estamos totalmente satisfeitos com a nossa aposta nos Açores bem como a alargar e fazer crescer a nossa equipa e o investimento no escritório da ilha Terceira. 
Carla Dias

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Autor: CA

Categorias: Regional

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