Na opinião da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada

200 milhões de euros pedidos a Bruxelas é pouco para recuperar as empresas privadas dos Açores

 A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada anunciou ontem que o Plano de Recuperação e Resiliência, que foi recentemente entregue por Portugal em Bruxelas, para fazer face aos efeitos da pandemia prevê uma verba de 200 milhões de euros para o sector privado da Região, o que corresponde a 35% do que a Câmara do Comércio e Indústria tinha considerado “necessário” para a recuperação do tecido empresarial regional.
O plano que a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores tinha proposto em Maio, da ordem dos 500 milhões de euros para o sector privado regional, “continua a revelar-se mais próximo da realidade e das necessidades das empresas”, lê-se num comunicado distribuído ontem pela Direcção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada.
O Plano de Recuperação e Resiliência agora proposto à Comissão Europeia, no entender daquele organismo, representa “menos de 35% dos valores necessários” para os sectores mais afectados, com a administração pública e sectores afins “a consumirem grande parte das verbas disponibilizadas que são, mesmo assim, demasiado parcas para mitigar a o problema criado pela pandemia”.
“A reduzida afectação de recursos direccionados para os sectores produtivos, contrasta com a lógica de consumo largamente maioritário de recursos pelo sector público, não transaccionável e não reprodutivo”, lê-se no comunicado.
Da análise dos últimos dados estatísticos disponíveis, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada constatou “a quebra muito significativa das dormidas na Região, apresentando uma diminuição de 74,4%, no período de Janeiro a Agosto, sendo a redução dos proveitos ainda mais acentuada, ou seja de 78,6%”.
Realça que São Miguel apresentou uma diminuição nas dormidas e nos proveitos “mais elevada que a média regional, sendo apenas inferior à verificada no Faial”. Refere que todas as ilhas, com excepção do Corvo, apresentaram quedas superiores a 50%.
“Estão a verificar-se, infelizmente, as previsões que a Câmara apresentou oportunamente e que apontavam para uma queda do sector turístico em 2020 na ordem dos 80%”, salienta.
Entre Janeiro e Agosto, os Açores “foram a Região do país que apresentou a maior queda, quer a nível de dormidas de residentes e de não residentes e também ao nível dos proveitos nos estabelecimentos de alojamento turístico”.
Estes dados, no entender da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, “reflectem a situação dramática que o sector do turismo vive. Os dados de Setembro e de Outubro evidenciam a continuação da trajectória negativa, bem como as perspectivas para os próximos meses”.
Sublinha, a propósito, que “sem a adopção de medidas céleres e adequadas à dimensão da situação que as empresas estão a atravessar, a Região estará, a breve prazo, perante uma situação de perda de capacidade instalada e de desemprego de recursos humanos especializados”.
Conclui que o sector “necessita, com urgência, de uma estratégia e de um plano devidamente dotado, que sejam consistentes, com medidas e recursos financeiros adequados para a promoção e para a retoma, à semelhança do que a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores propôs aquando da primeira consulta para um plano de recuperação, já lá vão largos meses”.

J.P.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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