16 de outubro de 2020

O novo normal e as regionais (1/2)


Em plena campanha eleitoral para as regionais de 25 de outubro, é o momento de perceber como será a governação da região, já depois de vermos as campanhas eleitorais a viver este novo paradigma. Após o primeiro ato eleitoral que terá lugar depois de termos vivido sob o estado de emergência, a que se seguiram duas renovações com amplo consenso, factos inéditos em democracia, decretados no âmbito da luta contra a pandemia. 
As legislativas regionais que teremos no final deste mês, são sem dúvida um marco importante neste processo longo que será a adaptação da vida política e da luta partidária, neste novo contexto que é o decorrer normal da vida das pessoas e das instituições, mas agora adaptadas ao vírus.  E nesta adaptação das vidas comuns à doença, há instituições que ajudam a fazer a diferença. No que concerne ao ato eleitoral que aí vem, o canal público de televisão e rádio está de parabéns. Entrevistas, debates a dois e com todos os cabeças de lista, por ilha, foi um trabalho gigantesco de esclarecimento, a concretização clara de um extraordinário aproximar entre candidatos e eleitores, entre quem tem propostas e quem as quer conhecer, dando lastro ao contraditório entre pessoas com visões e opções diferentes para o futuro dos Açores. E perante um tão vasto programa de aclaração de propositura, caberá a cada um decidir. E o mais importante, aquilo que é fundamental, é que todos tomem nas suas mãos esta responsabilidade. Com máscara, álcool-gel e distanciamento. Ficar em casa não é solução. 
Os socialistas tentarão manter a maioria absoluta que lhes tem permitido traçar os destinos da região. Com erros, lapsos e omissões, mas também com êxitos que lhes têm possibilitado renovar sucessivas maiorias e vitórias, através da recolha maioritária da vontade popular. 
Vasco Cordeiro trabalha para o seu terceiro mandato, que será o último pela limitação de mandatos que o estatuto estabelece. 
Não havendo a figura de candidato a presidente do governo, o líder do executivo encabeça a lista de deputados por São Miguel, sendo naturalmente indicado para liderar um governo que saia do ato eleitoral, tendo os socialistas – pelo menos – o número de vinte e nove parlamentares. Tem trinta no mandato que agora termina e não se vislumbra que este novo normal possa funcionar como contraproducente. 
Tal como Vasco Cordeiro, José Manuel Bolieiro também é o primeiro candidato do seu partido por São Miguel. O antigo autarca tenta lograr uma vitória para os sociais-democratas que lhes escapa desde 1996. O lugar que ocupa enquanto líder regional do PSD/A tem produzido defuntos políticos como poucos no país. À não aceitação do projeto dos sociais-democratas pela maioria dos açorianos, têm soçobrado os seus principais dirigentes perante a inevitabilidade da derrota. 
Bolieiro, após abandonar a autarquia pontadelgadense através da suspensão de mandato, augura uma maioria de deputados que lhe permita a manutenção da liderança e do projeto que encabeça. Não terá tarefa fácil e deixo apenas um exemplo. Também neste caso o novo normal não traz nada de novo. 
Uma das suas principais bandeiras de campanha – desgovernamentalizar – cai por terra quando indica para apoiar a delegação social-democrata em Bruxelas, a ex-candidata do PSD à autarquia da Praia da Vitória, anunciada como «especialista» cujo único currículo parece ter sido apoiar a antiga eurodeputada Sofia Ribeiro, numa altura em que os sociais-democratas açorianos ainda tinham candidatos em lugar elegível. Não coloco, como é evidente, em causa a competência de Cláudia Martins. No entanto, não deixa de ser curioso que, quando Bolieiro anuncia uma «desgovernamentalização», a primeira coisa que faz é o oposto. Não parece ser um bom princípio neste novo normal. 
 

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Categorias: Opinião

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