4 de outubro de 2020

Um direito que nos assiste

 1- Daqui a três semanas os Açoreanos vão às urnas para eleger os deputados que vão compor a próxima Assembleia Legislativa dos Açores, da qual sairá o próximo Governo, conforme a maioria que resultar da votação do dia 25 de Outubro.
2- São vários os partidos concorrentes às eleições, alguns como estreantes, mas cada qual com propostas que julga as melhores para repensar o futuro de todos nós, embora a responsabilidade seja maior para o PS/A, que é Governo há 24 anos, e para o PSD/A que é oposição em igual período.
3- Ao PS e ao PSD são exigidas políticas claras e inovadoras para o futuro, capazes de resolver os bloqueios que até agora têm contribuído para as desigualdades sociais e para a anemia do tecido empresarial da Região.
4- O Correio dos Açores é um jornal de causas e tem acolhido e publicado as mais variadas opiniões e contributos dos seus colaboradores, que representam o pulsar da sociedade. 
5- Tais opiniões e entendimentos merecem ser acolhidos pelos responsáveis políticos no desempenho do seu mandato, porque transmitem o pensamento que a sociedade vaticina.
6- A democracia e o jornalismo precisam de liberdade, apesar de ser incómoda e atrevida, mas a verdade é que sem ela, tudo se tornaria numa farsa. Thomas Jeffersson, III Presidente dos EUA, disse em 1787 que: «Se tivesse que escolher entre um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria em preferir a segunda hipótese.»
7- Hoje, dito de maneira diferente, os políticos continuam a seguir o pensamento do Presidente Jefferson, como aconteceu recentemente com dois comissários europeus que disseram: “Não devemos dar por adquiridos os valores que definem a nossa União, como liberdades, a democracia, o Estado de direito e os direitos fundamentais. Há que lutar por eles. O mesmo sucede com a liberdade e o pluralismo dos meios de comunicação para os quais a transformação digital suscita desafios”. (Vera Jourova e Thierry Breton, comissários europeus, in DN, Lisboa 26 de setembro de 2020). 
8- Esta tem sido a luta diária da Imprensa Regional que se tem preocupado com a defesa desses valores, tem dado voz a quem dela precisa, tem feito o retrato dos êxitos e dos fracassos que acontecem, tem procurado ser mensageira da verdade e defensora dos valores éticos que tornam uma sociedade saudável.
9- A Imprensa Regional presta um verdadeiro serviço público e, como tal, assiste-lhe o direito a ser tratada pelo poder político de acordo com a importância que ela representa para a Democracia e para a sociedade. 
10- Vivemos, tal como as demais empresas, uma situação de emergência, mas este é um sector de que não se fala, e não se conhecem que medidas de apoio para o próximo quadriénio constam das propostas dos partidos concorrentes às eleições de 25 de Outubro. 
11- Parece que a imprensa é uma utensílio incómodo e mal amado que todos usam mas poucos se comprometem e interessem com o futuro. A este respeito, os mesmos Comissários Europeus disseram: “A Comissão não pode só por si vencer este combate. Impõe-se a intervenção dos governos, dos dirigentes políticos e das autoridades reguladoras na UE. Importa que todos tomem consciência do papel determinante desempenhado pelos meios de comunicação livres e independentes, papel esse que as redes sociais jamais poderão exercer”. (Jourova/Breton, ibidem)
12- É tempo de sabermos o que pensam os partidos políticos, sobretudo os dois maiores, quanto ao futuro da comunicação social na Região, designadamente a imprensa escrita.
13- O Governo e o Poder Local sabem bem os custos que representam as equipas de comunicação que têm ao seu serviço e facilmente podem extrapolar o custo que representará manter uma redacção condigna de um jornal.
14- Para quem tem dúvidas sobre a importância da comunicação social para os jovens, recomenda-se que leiam o relatório “EU Kids Online Portugal” de 2018, que analisa os “usos, competências, riscos e mediações da Internet reportados por crianças e jovens” entre os nove e os 17 anos, no qual mais de 53% considera bons os meios noticiosos tradicionais, como a televisão, a rádio e os jornais, por ajudarem a distinguir a realidade da ficção.
15- Só se sabe o valor do que temos, quando o perdemos. Que não se perca um instrumento precioso que alimenta a democracia e a liberdade, e pugna pela justiça.
                                                

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Categorias: Editorial

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