Trabalhos artísticos de Bruno Sousa foram quase todos cancelados por não haver festas na ilha devido ao novo coronavírus

Correio dos Açores: Como desperta para as artes plásticas? 
Bruno Sousa: Tudo teve a sua origem nas aulas de Educação Visual, quando as aulas eram mais práticas e elaborávamos trabalhos manuais. Os professores naquela altura, ficavam admirados com as minhas habilidades e com o que conseguia construir. Em 2010, nas vésperas do São João da Vila, fui contactado por um amigo que desafiou-me a participar na elaboração e construção dos pendões que incorporavam uma marcha. Aceitei o desafio e quando a marcha saiu à rua os pendões obtiveram um feedback muito positivo por parte dos espectadores. 
Desde esta altura, que todos os anos os responsáveis pelas marchas têm requisitado os meus serviços para a construção dos pendões. Posteriormente, fui abordado por particulares com encomendas de peças de decoração para casamentos, e batizados, babyshower e foi assim que comecei a desenvolver o meu negócio. 

Os letterings e logotipos comerciais são os seus trabalhos mais visíveis. Temtido muitas encomendas?
Este tipo de trabalhos não são os meus trabalhos mais visíveis. No entanto, e como recentemente investi também na pintura dos letterings e logotipos comerciais, o número de encomendas tem aumentado, de tal forma que, cada vez mais estou a personalizar e a aperfeiçoar as minhas qualidades e técnicas.   

Porque enveredou pela restauração e pintura de imagens?
Comecei nos restauros e pintura de imagens quando foi me proposto um restauro de um menino Jesus. Consegui efectuar a restauração como era pretendido, despertando-me assim o interesse neste ramo. 

Com que materiais prefers trabalhar?
A minha preferência é trabalhar com esferovite, por conseguir construir váriostipos de peças de decoração e estes terem grande projecção junto do público, mas não dispensando trabalhar com outros tipos de materiais nomeadamente madeira, vidro, acrílico e na reciclagem de diversos materiais.

Dos trabalhos que cria há um tema dominante, a decoração para festas. Porquê esta opção? 
Não existe tema dominante, tudo o que é construído é idealizado por quem faz a encomenda, sendo que, por vezes é pedido a minha opinião sobre a ideia, dai eu aconselhar o melhor para satisfação de ambas as partes.

Qual a preferência: a construção de peças para decoração de presépios ou para os quartos do Espírito Santo?
Eu não tenho qualquer preferência, para mim, todos os temas e projectos são bem-vindosce quanto mais desafiadores forem, melhor.

Com que trabalhos participou na festa branca de Ponta Delgada?
A construção de 25 estrelas-do-mar com 160 cm de diâmetro e 30 peixes de 6 espécies diferentes nomeadamente, sargos, peixões, vejas, espadins, tamboris e atuns, todos estes com 150 cm de comprimento.  

Que tipo de mobiliário constrói?
De momento, esta área encontra-se em fase de desenvolvimento. Por enquanto, construo mobiliário simples, nomeadamente secretárias, bancadas de trabalho e alguns restauros de móveis.

Onde vais buscar a inspiração?
A inspiração depende dos projectos e ideias lançadas pelos próprios clientes, quanto maior e desafiante for a ideia, mais inspiração consigo obter. 

Que artistas o ajudaram a crescer artisticamente?
Nesta área artística nunca tive ninguém que me orientasse, desenvolvi essa área por mim, como as pessoas dizem na minha terra “a arte nasceu contigo”.    

Como acolheu o desafio de participar na decoração do Coliseu Micaelense para o baile de carnaval?
Foi com um enorme entusiasmo que aceitei o convite da responsável pela decoração, para construir as máscaras de carnaval para a sala principal e algumas peças para a restante decoração.

Como encarou a construção da figura de S. João de grandes dimensões para as festas de S. João da Vila?
Uma vez que as festas este ano foram vivenciadas de forma diferente, e como a figura do São João é o marco destas festividades, em especial na nossa Vila, este foi um trabalho bastante desafiante, sendo uma obra que exigiu muito das minhas capacidades. Esta escultura foi inteiramente construída com esferovite, tendo uma altura de 3 metros.

Já colaborou na feitura dos pendões das marchas de S. João. É um trabalho que te entusiasma?
Como referido, todo este percurso artístico teve início com a construção de pendões para uma marcha do São João da Vila, foi a partir daí que as minhas obras começaram a ser conhecidas. Depois começaram a surgir algumas encomendas que vou realizando até aos dias de hoje. 

Qual a participação na decoração para o festival Monte Verde?
A construção e colocação das iniciais MVF em madeira com 230 cm de altura para a decoração do pórtico da entrada principal do festival.

Tirou algum curso técnico para conseguir atingir a perfeição nas peças?
Nesta área artística nunca tirei qualquer tipo de formação. Todo a trabalho conseguido foi meramente desenvolvido com grande exigência imposta em mim. 

Conte como é o processo de construção das peças?
Tudo começa com um projecto, onde é discutido o tamanho e para que finalidades serão utilizadas as peças, obviamente respeitando as dimensões e escalas acordadas inicialmente.

Que técnicas utiliza? 
As técnicas que eu utilizo na construção das peças em esferovite, é o corte com serrote, com x-acto, o desbaste com um rala cenouras e afinação com as lixas de madeiras, sendo que existem muitas mais técnicas 

Como divulga e vende os trabalhos? 
A divulgação dos meus trabalhos é conseguida através da minha página do facebook com o nome “Bruno Sousa-cokas” e não só. Também conto com a divulgação pelas pessoas a quem realizo obras. 

Onde tem o atelier?
O meu estúdio de artes encontra-se situado no Parque Industrial de Vila Franca do Campo. As portas estão sempre abertas a todos quantos queiram visitar.

Qual a peça que mais satisfação lhe deu em criar?
A peça que deu maior satisfação, foi a criação de um medalhão em madeira para a decoração da fachada da igreja da minha freguesia de Água d` Alto, aquando das festividades religiosas do seu padroeiro, São Lázaro.

Esta pandemia tem tido influência na tua profissão? 
Sim, esta situação que estamos a atravessar neste momento derivado à pandemia, influenciou muito os projectos agendados. 
Os trabalhos que tinha para 2020,foram cancelados, uma vez que na sua maioria, eram decorações para festas da ilha.
    

                 

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