20 de setembro de 2020

Jardim das Três Grotas descaracterizado

 É mais um problema que se acumula com vários outros que perturbam a vista a esta gente dos Ginetes. Somos por tradição um povo conformado, mas tal não significa ignorante, pois orgulhosamente também temos gente de todas as classes sociais. Muitas vezes se não reclamam é porque se encontram saturados de falar para o silêncio e como este não responde decidem simplesmente recolher a suas casas com a única preocupação do bem-estar diário da família. Pior ainda, não se querem sujeitar a represálias que bem sabemos fazer parte da “cultura tradicional” de alguma gente supostamente responsável que vive agarrada a um poder por vezes tão pequeno mas que tem o condão de fazer sonhar até ao dia de descer à realidade deste mundo que pertence a todos por igual.   
       Em 2015, portanto cinco anos passados, dediquei uma das minhas crónicas a este pequeno espaço de lazer, conhecido por Jardim das Três Grotas, que o Governo Regional diz ser o seu legal proprietário mas que até hoje praticamente pouco ou nada fez para o valorizar. No início deste ano uma luz de esperança renasceu pois assistimos à demolição das velhas estruturas que lá existiam certamente com intenção de substituir o que o tempo e algum vandalismo, é necessário reconhecer, tinham já danificado. Infelizmente o famoso mês de Março de 2020 que ficará para a história pelas razões mais tristes causadas pela Pandemia de Covid-19, contribuiu para a suspensão da pequena obra, mesmo se as medidas de restrição adoptadas pelo Governo não incluíam a construção. Aqui nos Ginetes neste sector, nada foi suspenso além do que se estava a preparar no Jardim das Três Grotas. Há poucas semanas tomei conhecimento de fonte supostamente fidedigna que tudo recomeçaria em Setembro. O mês está caminhando para o final e tudo igual. Por lá passei nesta última semana e o pequeno espaço de lazer no estado em que se encontra presentemente é a imagem perfeita do desprezo e falta de respeito por esta gente dos Ginetes. 
       Existem várias situações que continuam a criar muita confusão na minha “velha cabecinha”. Não consigo ainda compreender a paralisia parcial de serviços públicos indispensáveis para o bem-estar das pessoas e bom funcionamento das nossas Instituições, incluindo cuidados de saúde, mas nesta última semana foi o regresso às aulas presenciais nas Escolas. Algo está errado ou vamos terminar todos loucos. O que é bom para uns nem sempre se justifica para outros.
       Voltando ao nosso Jardim sei que já a anterior Junta de Freguesia de Ginetes se empenhou para que fosse no mínimo “restaurado”. Nada feito além das tradicionais promessas que surgem vergonhosamente em tempo de eleições, nada mais. É por tal que aqui estou mais uma vez a alertar quem tem a responsabilidade deste espaço e que ainda por estes dias aqui passou descontraidamente a invadir o silêncio a que estamos habituados que vale muito mais que essa música ruidosa que grande parte das pessoas começa a detestar. Mais uma cartinha deixada na caixa do correio, semelhante à que foi distribuída na passada semana com nada mais que as mesmas caras e seus  currículos académicos de fazer inveja aos mais humildes mas que infelizmente em alguns casos são uma autêntica provocação para outros que simplesmente deixaram de acreditar porque dizem “serem todos iguais”. 
       Não concordo pessoalmente com tal afirmação, pois sei que na política, mesmo apesar de continuar a ouvir mentiras sei que existe também gente séria. Conheço alguns que merecem admiração e respeito e que ocasionalmente se nos encontramos as minhas opiniões no Correio dos Açores são tema de conversa por alguns minutos. De acordo ou não sabem muito bem respeitar a minha liberdade de expressão que infelizmente destabiliza outros. Na minha idade vai ser difícil mudar o que durante a vida sempre fui. Continuarei por aqui mais algum tempo não como senhor da verdade absoluta mas como cidadão livre e dedicado a esta minha terra dos Ginetes.  
       No momento não me interessam nem incomodam cores partidárias. Nunca me preocupei em saber qual o partido em que vota a minha mulher, os meus filhos, as minhas netas e até os meus amigos.
       Apenas tenho algo que me ajuda na escolha final que se chama “Consciência”. Boa ou menos boa será a minha decisão e nela mando eu.
 

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Categorias: Opinião

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