José Raimundo, Vice-presidente da Federação Portuguesa de Patinagem

“Se todos estiverem unidos conseguiremos levar a modalidade a bom porto”

Como nasceu esta ligação à patinagem?
Fui atleta de patinagem de artística e comecei aos 12 anos de idade. Pratiquei hóquei em patins e corridas em patins. Daí nasce a paixão pela patinagem como um todo. Posteriormente tirei um curso de treinador e estive à frente de vários clubes em São Miguel. Tirei formação de juiz e em patinagem artística. Depois aparece, há cerca de 15 anos, o dirigismo através da Associação de Patinagem.
 
Falemos desses tempos. Que balanço faz da sua passagem pela Associação de Patinagem de São Miguel?
Entrei para um projeto de desenvolvimento da modalidade na região. Foi um projecto apaixonante e que abraçamos por ser de crescimento da modalidade. Lembro-me que quando entramos tínhamos cerca de 200 atletas e actualmente esse número é de 624. Aumentamos também o número de treinadores e dirigentes. Na minha opinião e fazendo um balanço, foi muito importante ter passado no terreno porque fiquei a perceber as necessidades que os clubes têm e sem dúvida que isso foi uma mais valia para o projecto que se desenvolveu na Associação. Ao longo destes anos fomos organizando grandes eventos a nível nacional, como a Taça de Portugal de patinagem artística ou como o torneio Inter Regiões. Em 2018, tivemos o expoente máximo com o Campeonato da Europa que contribuiu também para a economia e promoção da própria região. Há mais um ou outro marco importante que é importante realçar. Quando entramos, a Associação era de Ponta Delgada e, posteriormente, fizemos um trabalho, com todos os clubes e diversas personalidades da modalidade, para que alterássemos o nome para Associação de Patinagem de São Miguel. Fazia sentido dado o crescimento que a modalidade teve passando a ter atletas em 4 concelhos (Lagoa, Vila Franca, Ponta Delgada e Ribeira Grande). Há bem pouco tempo também adquirimos uma carrinha de 9 lugares com o apoio da Direcção Regional do Desporto. Era uma necessidade emergente para colaborarmos com os nossos clubes e selecções. Desde o início tivemos aqui com o espirito de união, de trabalhar todos em conjunto e, ao fim ao cabo, formar a família da patinagem com o apoio de todos porque ninguém faz nada sozinho e este projecto tem este saldo positivo porque todos fazem parte dele. 

Foram 15 anos na Associação, 8 deles como Presidente, que mensagem quer deixar à patinagem na Ilha de São Miguel?
Penso que deverá existir continuidade e união. Espero que as pessoas possam continuar a desenvolver a sua actividade de forma unida e organizada para que a modalidade consiga manter os índices que tem até aqui, sabendo que estamos numa situação difícil devido à pandemia, em que as dificuldades são maiores. Acredito que se todos estiverem unidos conseguirão levar a bom porto o desenvolvimento da própria modalidade. Por outro lado, deixar a mensagem que estamos aqui para servir a modalidade e não para nos servirmos dela. Penso que isto é um factor muito importante. É fundamental dialogar e também que apareçam outras ideias, com mais criatividade, para que a modalidade se possa desenvolver.

Que projectos queria ter concluído e não conseguiu?
Do que foi projectado a nível eleitoral conseguimos realizar tudo o que tínhamos prometido. Depois disso tivemos um outro objectivo que espero que continuem a lutar por ele, que é um facto de podermos vir a ter uma sede própria. A Associação de Patinagem de São Miguel já o merece porque tem feito um trabalho de grande crescimento. O espaço que temos actualmente é cedido pelo serviço de desporto de São Miguel mas já não é suficiente para as nossas necessidades, principalmente a nível de sala de formação. Hoje em dia a formação é muito importante e estamos sempre a depender de arranjar um local para isso. Penso que um sede é emergente e é mais do que merecida para o trabalho que a associação tem vindo a desenvolver.

Como analisa o estado da patinagem na região?
Penso que está a evoluir. Sou suspeito para falar de São Miguel e se formos ver os indicadores dos últimos anos, é a ilha que tem tido um crescimento mais acentuado, quer na patinagem artística quer no Hóquei. A patinagem artística não é uma modalidade praticada na Terceira e no Pico e é a modalidade que mais atletas tem nos Açores. No entanto, nas outras ilhas, a patinagem de velocidade que era a mais praticada na região, baixou e muito os seus índices. Isso é preocupante e é preciso fazer um trabalho nesse sentido para que não se deixe morrer a patinagem de velocidade. Cabe aos dirigentes tentar sempre promover e criar condições para que existam técnicos e dirigentes habilitados, para que se possam fazer trabalhos sustentados para que a modalidade se possa manter. A nível do hóquei em patins, também sentimos que São Miguel tem um bom contributo com o aparecimento de uma nova equipa. Passamos a ter 5 equipas de hóquei em patins na região sendo que será sempre um handicap para o crescimento a falta de pavilhões. Temos um pavilhão na Ribeira Grande e um Ponta Delgada que já está superlotado. Muitas vezes têm de se treinar com 2 escalões ao mesmo tempo. Agora com o aparecimento do pavilhão que a Câmara está a construir isso será um amais valia, mas no entanto todos os pavilhões que não tem tabelas são um entrave para o desenvolvimento do hóquei em patins. Acho que o hóquei tem potencial para se desenvolver muito mais nos Açores mas precisa também que haja um investimento a nível de infra estruturas. 

Foi eleito para na Federação Portuguesa de Patinagem. Como surgiu esse convite e que papel terá na estrutura directiva?
O convite surgiu a meio deste ano. Estive a ponderar por que também havia aqui em São Miguel um trabalho que necessitava de alguma continuidade, para não se perder o que foi feito. Depois dessa ponderação aceitei o projecto de representar a federação como vice-presidente com a pasta da patinagem artística que estará sobre a minha responsabilidade. Prometo unir e desenvolver esforços para que a modalidade continue a trilhar o sucesso e dar condições para que se consiga ter resultados de excelente nível. Para mim é um grande orgulho dar este salto, quem não gosta de chegar a este patamar, para além de que para a Região e para a própria modalidade também é um reconhecimento e uma valorização do dirigente desportivo açoriano. Acho que este tipo de valorização é muito importante para também se perceber que a insularidade não pode ser um entrave.

O que podem esperar de si os clubes de São Miguel?    
Podem esperar muito trabalho, rigor, transparência em prol de uma modalidade que tem dado bastantes resultados a nível regional e nacional com atletas medalhados em campeonatos da Europa e do Mundo. Acima de tudo quero também dar o meu cunho pessoal para o desenvolvimento da modalidade que tem bastante história e, contribuir para a união da patinagem que considero ser algo muito importante. Temos de estar no mesmo caminho, a remar para o mesmo lado e só assim é que se consegue atingir altos resultados. Ninguém faz nada sozinho e vou trabalhar para ter a colaboração de todos.                                                                                       

Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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