Clubes e população da Ribeira Grande recolhem verbas para ajudar jovem jogador que ficou tetraplégico

Um jovem de 15 anos ficou tetraplégico – ainda se desconhece a extensão do problema -  depois de um mergulho mal calculado numa zona balnear da Ribeira Grande. O caso ocorreu no mês de Julho, numa zona interdita a mergulhos. 
Francisco está internado num centro de reabilitação em Gaia, no norte do país, e está acompanhado pela mãe. Enquanto o jovem recebe tratamento, a população ribeiragrandense  manifesta-se solidária. Está a decorrer uma onda de solidariedade para angariar dinheiro para ajudar o jovem a enfrentar os desafios de uma maneira mais facilitada, já que quando regressar terá de ter uma cadeira de rodas e uma casa adaptada.
Uma das grandes preocupações centra-se no facto de Francisco viver com a família, os pais e cinco irmãos, numa casa que não está preparada para quem não tem mobilidade. A moradia situa-se numa rua inclinada e tem seis lanços de escada para aceder ao seu interior. A casa terá de ser adaptada para que o jovem, que vai andar de cadeira de rodas, não fique fechado em casa.  
O padrinho, Marco Pereira, em declarações à RTP-Açores  diz que “uma casa não se vende de um dia para o outro, por isso será necessário que todas as entidades se juntem para ajudar a família”. 
No facebook foi criado um grupo “Em força pelo Francisco”, onde é referido: “O Francisco é um jovem de 15 anos, que em consequência de um acidente, ficou com perda de movimentos voluntários dos seus membros. Vamos apoiar a recuperação deste jovem e criar condições para o receber”. Há ainda o NIB de uma conta para quem quiser fazer donativos, assim como tem decorrido a venda de produtos caseiros e artesanato, assim como há mealheiros espalhados por alguns estabelecimentos, cujas verbas reverterão para ajudar a família a comprar uma cadeira de rodas. As ajudas têm aparecido”.  Alguns clubes de futebol têm manifestado o seu apoio. 
João Vieira, Presidente do Benfica-Águia, anunciou que será leiloada uma camisola autografada (de todos os clubes que quiserem aderir), cujo dinheiro da venda reverte para o clube, mediante o comprovativo bancário, uma maneira de identificar os clubes que aderiram à iniciativa. Assim, o Benfica Águia, mentor da iniciativa. é referido que a sua direcção “levou ao treino a sua camisa do equipamento para a época 2020 - 2021 para que os jogadores pudessem assinar antes de ser sorteada.
Desde o do dia 9 de Setembro é possível  fazer um donativo (mínimo 1€) e colocar um papel com NOME e CONTACTOe  por cada euro doado nas caixas identificadas para tal, na Sede do Benfica-Águia, no Restaurante O Correia, no Café Jardim e na Casa de Pasto Manuel Flor.
No dia 19, será realizado um sorteio com todos os nomes que participaram (filmado e divulgado nas redes sociais) e posteriormente contactado o vencedor. No dia 20 de Setembro o dinheiro será entregue à respectiva família.
 Estão também à venda 96 cachecóis doados pelo Sporting Clube Ideal pelo valor simbólico de 10€, que reverte a 100% para esta causa. A iniciativa também é apoiada pela Junta de Freguesia da Matriz da Ribeira Grande.
Francisco jogava futsal no Clube Desportivo de Santa Bárbara.
Segundo a RTP-Açores, à época, tudo terá acontecido em Julho por o jovem terá calculado mal a profundidade da água, e depois do mergulho ficou com a cabeça enterrada na areia. Os amigos que se encontravam no local foram determinantes para o retirar da água. 
Segundo o padrinho,, na altura em que o jovem estava no local com os amigos disputavam quem saltava, ele fez o salto e ficou com tetraplégia incompleta. “O Francisco foi socorrido pelos amigos senão teria morrido afogado. Enquanto uns tiravam o Francisco da água, outros chamaram os nadadores-salvadores. Essa é uma zona interdita e devia ter uma placa, que não tinha, e devia haver alguém a tomar conta. Nesta zona está-se sempre a reclamar com os miúdos para não darem pulos ”, disse o padrinho.
Também em declarações à televisão açoriana, a nadadora-salvadora, Beatriz Grilo, explicou que quando chamados foram a correr, que o jovem quando retirado da água já não conseguia mexer nenhum membro - tinha facturado a cervical -, pelo que o tiveram de imobilizar rapidamente.
A nadadora-salvadora diz que” a zona está bem identificada e delimitada, que não se pode dar saltos no local, e o Francisco tinha noção disso”, sendo por isso seu entender de que “não se pode culpabilizar ninguém na praia do que aconteceu”. As escadas que existiam naquela zona serviam apenas para as pessoas descerem até à água, pois, devido à Covid-19, era necessário que as pessoas dispersassem porque a praia é pequena, mas apesar dos avisos constantes, como referiu a nadadora-salvadora na ocasião, os jovens não dão ouvidos. O próprio padrinho que diz haver necessidade de vigilância no local, também assumiu que já fez o que o Francisco fez mas nunca lhe aconteceu nada. 
                                                                                 

N.C.

                        

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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