9 de agosto de 2020

Dos Ginetes

Secção Destacada dos Ginetes dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada

Na passada segunda-feira, dia 3, “os nossos bombeiros” como gostamos muito de os chamar, comemoraram 30 anos de existência ao serviço das gentes desta terra, e não só, pois a sua vocação inicial era a de servir as populações situadas entre as freguesias de Feteiras e Remédios de Bretanha.
      Em Novembro de 2007 publiquei uma crónica dedicada à Secção Destacada dos Ginetes que por estes dias fui consultar para assim conseguir avaliar com justiça, tal como me dita a consciência, o percurso desta importante Instituição sempre tão admirada das nossas gentes, mas que confrontada com novos desafios parece ter esbarrado num muro que aparentemente a separou um pouco desta terra. Nada tenho contra os seus elementos nem contra o seu corpo directivo que sei tentar fazer o melhor nas circunstâncias actuais. O que me faz confusão são as prioridades dos Governos que acabam sempre por esquecer as gentes desta parte da Ilha de S. Miguel. Parece que para estes lados estamos condenados a viver isolados tal como sucede em alguns bairros da velha Lisboa. O problema, segundo a minha opinião, que nada vale, está provavelmente no acomodamento que nos impõem e a que já estamos habituados e na respectiva aceitação que fazem de nós aparentemente conformados mas que no interior da maioria não é exactamente o que se pensa.
     Não esqueço o que em outras ocasiões publiquei, e de tal não retiro uma vírgula, pois nunca foi minha intenção magoar quem quer que seja, nem defender “cores partidárias”, pois na minha idade marcada por muitas decepções, utilizo o que felizmente ainda resta neste pequeno, mas maravilhoso país de liberdade de expressão responsável, não me escondendo no anonimato como infelizmente sucede nas redes sociais que em muitos casos se transformaram no refúgio dos cobardes. Por opção, talvez influenciado pela forma de estar herdada do meu pai, gosto muito do refúgio em minha casa, mesmo que também admire um bom convívio com amigos que penso verdadeiros e que nestes dias são um bem precioso e de valor incalculável.
     Na passada segunda-feira também me desloquei durante algum tempo ao edifício da Secção Destacada dos Ginetes dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada. Uma Óptima iniciativa o convite endereçado a toda a população dos Ginetes e freguesias vizinhas para um convívio que tem sempre o condão de sensibilizar e até aproximar as gentes desta que continuo a chamar de “prestigiosa Instituição”. Por razões pessoais não me foi possível permanecer até ao final que culminou com a partilha do bolo de aniversário mas o mais importante foi marcar presença e ter ocasião de dialogar com gente amiga, tal como o Presidente da Direcção, João Paulo Medeiros e o Chefe da Secção, Nelson Medeiros. Sabem eles muito bem a minha opinião sobre o afastamento que sentimos da Secção que espero brevemente regressar mais perto de nós.
     Sei que o orgulho e vontade do Presidente da Direcção, João Paulo Medeiros, de aperfeiçoar o serviço de proximidade e qualidade às populações da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada levou-o a tomar a iniciativa de lançar uma campanha de angariação de fundos para colmatar a falta bem visível de equipamentos dos quais tanta falta sentimos para beneficiar de uma qualidade de vida mais segura. Quando se é jovem na maioria dos casos tais problemas nem são problema mas quando se caminha na recta final de uma vida composta de altos e baixos como a minha e a de tantos outros como eu, aí sim pensamos muito bem e até várias vezes no dia-a-dia. Uma partida tranquila para a eternidade bem assistida e o quanto possível sem sofrimento é o maior desejo de qualquer filho, marido, esposa ou irmão. É um direito adquirido desde que nascemos e é para tal que os governos também existem para assumir uma responsabilidade à qual não devem escapar.
     Hoje, apesar da realidade que transformou as nossas vidas, a invasão do maldito vírus do Covid-19 fez esquecer a maioria das outras doenças que passaram a ocupar um lugar secundário na qualidade de vida dos cidadãos. Tenho impressão que de tanto tentar proteger caímos um pouco no exagero ao esquecer os restantes problemas que ameaçam o bem-estar das nossas gentes mais vulneráveis resultante da idade. Repentinamente as Unidades de Saúde, embora haja sempre excepções, deixaram de ser aquele elo tão necessário nestes meios mais pequenos. Houve e existem ainda grandes heróis da saúde, mas também existem outros muito bem acomodados num confortável “cadeirão” agarrados a estatísticas que na realidade nada dizem e de nada servem.
     Quanto à Associação dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada e de um modo especial à Secção Destacada dos Ginetes a quem em vários momentos difíceis, como outros dos meus concidadãos tive necessidade de recorrer, quero endereçar os meus sinceros parabéns pelos trinta anos de existência, embora só a partir de 1997, ano da inauguração da Sede dos Ginetes, passaram a ter uma acção mais directa com as populações desta zona. Continuarei por cá, enquanto o Bom Deus decidir, a erguer a minha voz para elogiar mas também se necessário manifestar o meu desagrado que sei nem sempre partilhada, mas  é desta forma que funciona a Democracia.
     Antes de terminar não posso impedir-me de deixar aqui expressa uma opinião muito pessoal, mas sei que muitos pensam da mesma forma “baixinho” mas não ousam dizê-lo em voz alta.
     No momento, é muito triste uma Associação como a dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada ter de recorrer à população para angariação de fundos para tentar prestar um melhor serviço enquanto o Governo continua a “enfiar milhões” numa companhia que todos muito bem sabemos há muito falida como vem sendo o caso da Sata.
Afinal na realidade quem somos nós?
Uns pobres peregrinos de passagem por um mundo que não é nosso mas sim propriedade de um grupo muito selecto de gente que esqueceu o verdadeiro valor da vida que não é vivida de forma igual por todos, mas apenas por alguns privilegiados.

 

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Categorias: Opinião

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