5 de agosto de 2020

A Criança e o Sol

O sol é a principal fonte de luz, calor e energia indispensáveis para a existência de vida no nosso planeta. Já foi venerado como deus por culturas antigas como os Incas e os Astecas e dá nome a um dos dias da semana nas línguas inglesa (sunday) e alemã (sonntag).
São vários os benefícios do sol: ajuda a regular as funções corporais e contribui para a eficiência do sono; estimula a circulação sanguínea, o sistema endócrino e imunitário; favorece a atividade intelectual e funciona como um antidepressivo natural, aumentando a sensação de bem-estar e melhorando o humor. A exposição da pele à luz solar auxilia no tratamento de várias doenças como a psoríase e dermatite, permitindo também a produção de vitamina D, essencial para o crescimento e desenvolvimento da estrutura óssea.
Apesar de todos estes benefícios, é importante lembrar que a ação dos raios solares em excesso pode causar danos quer a curto como a longo prazo. A pele absorve de forma diferente cada tipo de radiação solar. Os raios UVB atingem as camadas mais superficiais e quando há uma exposição sem os devidos cuidados, esta radiação leva a vermelhidão e queimadura. Os raios UVA atingem as camadas mais profundas, provocando desequilíbrio celular e são os principais responsáveis pelo envelhecimento precoce e desenvolvimento de cancro de pele. Contribuem também para o surgimento de cataratas. Outros problemas possíveis são a insolação e desidratação. Estes danos ocorrem não só nos dias de sol abrasador, mas também nos dias nublados, que tantas vezes assolam as nossas praias.
Todos somos suscetíveis aos perigos do sol, contudo os indivíduos com pele, cabelo e olhos claros apresentam uma maior suscetibilidade. As crianças constituem também um grupo de maior risco, dado que são imaturas em todas as suas funções biológicas, não sendo a pele uma exceção. Nas crianças a pele é mais fina e menos melanizada que a dos adultos, o que lhe confere menor proteção contra os danos da radiação solar que se vão acumulando ao longo da vida, tornando-se cada vez maiores. A infância é um período crítico para as exposições solares, associadas a um risco particularmente elevado de melanoma maligno na idade adulta. Alguns autores estimam que 25 a 50% da exposição solar durante a vida ocorre antes dos 18-21 anos de idade.
Não nos devemos esquecer que os bebés e as crianças dependem dos adultos para se manterem seguros em tudo, incluindo no que se refere à exposição solar que está sempre presente nas suas vidas  quando vão à praia,  brincar ao jardim, no recreio da escola ou enquanto passeiam na rua num dia de sol.

Há várias coisas que podemos fazer para proteger as crianças do sol:
1 - evitar o sol nas horas de maior calor. As horas consideradas seguras são até às 11h da manhã e após as 17h da tarde; Não esquecer que a exposição solar direta (como a que acontece na praia) está “proibida” em crianças antes dos 6 meses e desaconselhada em crianças com menos de 3 anos).
2 - usar “barreiras” que são tudo o que se interpõe entre os raios de sol e a pele protegendo-a da radiação UV. Roupas claras, leves e soltas, que permitam à criança brincar e com as quais esteja confortável. A eficácia desta barreira vai depender de vários fatores - o material de que é feita, a espessura, o espaço milimétrico que existe entre as fibras de tecido -  mas, seja qual for o grau de proteção, e embora esta barreira não seja intransponível (podem apanhar-se escaldões de t-shirt vestida!), ela não deve ser esquecida. Chapéu de abas, que faz mais sombra e é mais eficaz que um boné. Óculos de sol  que têm que ter protecção contra os raios UV, porque caso contrário, fazem sombra e dão uma falsa sensação de protecção que pode fazer com que as lesões oculares sejam ainda maiores do que sem protecção.
3 - protetor solar. Existem imensas variedades no mercado: em óleo, em creme, em espuma, com embalagens azuis, brancas, laranjas…! Independentemente do aspeto o que importa é que devem ser de largo espectro, o que significa que na embalagem deve dizer que protegem contra os raios UVA e UVB. Podem refletir ou absorver a radiação UV, dividindo-se em minerais e químicos, respetivamente.
 Os minerais atuam como uma “segunda pele”, são como uma barreira física em cima da pele que impede que os raios UV cheguem à mesma, sendo refletidos como num espelho.
Os protetores químicos atuam absorvendo a radiação e convertendo-a numa quantidade mínima de calor, impedindo que penetrem as camadas mais profundas da pele.
O protetor solar deve ser aplicado antes da exposição solar e depois novamente, no mínimo, a cada duas horas. Deve ser escolhido um protetor resistente à água, mas ainda assim deverá ser reposto após os mergulhos ou períodos prolongados na toalha. Deve ser aplicado uniformemente por todo o corpo, numa camada “generosa” – o equivalente a uma colher de chá para a face e pescoço, outra para cada braço, 2 colheres de chá para o tronco e mais 2 colheres para cada perna (basta imaginar, não precisam de levar a colher de chá para a praia! )
Mas o sol dá-nos luz e calor. Para além dos perigos da radiação não  devemos esquecer –nos dos perigos associados ao calor. Para os evitar as crianças nunca devem ficar fechadas em locais muito quentes (por exemplo no carro, nem que seja por poucos minutos) e é também de extrema importância oferecer-lhes água às nos dias quentes, a fim de evitar o risco de desidratação.
Como em tudo, a prevenção é essencial!
O Verão está aí e todos podemos aproveitar o sol mas… com cuidado!

 

Ana Sofia Esteireiro
Médica- Pediatra

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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