4 de agosto de 2020

Entre o pregar e dar o exemplo


Sou católico, apostólico, romano e praticante. Acredito, como reza o Credo, em Deus todo-poderoso, criador do céu e da terra, afirmando-o em todas as missas dominicais que assisto presencialmente, ou, pelos órgãos de comunicação social.
Sou também daqueles que acreditam que pecar é próprio do homem e que, como me dizia Monsenhor Ribeiro, que Deus tem em Sua companhia, para isso é que existe a confissão.
Em suma, sou daqueles que pensam que, apesar de qualquer padre também ser homem, tem de ter uma conduta social diferenciada e de acordo com o múnus que exerce e que, em minha opinião, deve pautar-se pelos ensinamentos do Evangelho.
De todo, não defendo o celibato obrigatório dos padres.
Vem este “prefácio” a propósito da falta de cumprimento do acórdão judicial, por parte da Irmandade de S. Pedro ad Vincula, na doação modal da casa para residência de sacerdotes, feita por Monsenhor Weber Machado Pereira àquela Irmandade.
Como pode uma direcção de uma Irmandade - composta por padres que pregam o Evangelho -fazer tábua rasa de uma decisão judicial?
Lembro aqui uma frase que me ficou no ouvido, feita por alguém responsável por aquela Irmandade, aquando da primeira vinda a público desta polémica: - o que está dado, está dado!
Sim, o que está dado, está dado! Mas, na escritura de doação, havia, e há, condições obrigatórias a cumprir, em caso de haver outro destino para a casa doada. A consulta ao doador sobre o novo destino a dar à casa é uma delas, conforme preconiza a lei, atendendo a que existe na escritura uma cláusula modal conforme veio exarado no acórdão do Tribunal Judicial de Ponta Delgada. 
Em minha opinião, este é que é o busílis da questão! A direcção da Irmandade de S. Pedro ad Vincula, não se quer “rebaixar” ao Monsenhor Weber solicitando a sua concordância sobre a venda da casa.
É do conhecimento público que o Monsenhor Weber não se opõe à venda do prédio, desde que haja uma parte significativa da venda para os necessitados e com fome. De resto, é o que tem feito e continua fazendo, a suas próprias expensas e apesar da sua avançada idade. Apesar dos pesares, continua a cumprir as obras de misericórdia dando de comer a quem tem fome; de beber a quem tem sede; de vestir os nus; visitar os enfermos, etc.
Julgo ser, por isto mesmo (repartir com os pobres) que a Irmandade não quer cumprir o determinado pelo Juiz.
Pelo que me informaram, aquela Irmandade tem bens patrimoniais de muito valor. Seria interessante saber quantos padres está, neste momento, a auxiliar.
É muito fácil vir ao ambão ler o Evangelho e fazer homilias; muitas vezes repetitivas do que se acabou de ler e sem quaisquer conselhos práticos para o dia-a-dia de cada um.
Que bem prega Frei Tomás! Faz o que ele diz mas não faças o que ele faz!
No Seu tempo, Cristo expulsou os vendilhões do templo. Penso que, quem procede como a actual direcção daquela Irmandade está a proceder, certamente que, em devido tempo, terá a sua recompensa.
São por estas - pregar uma coisa e fazer outra - e por outras, que não vem ao caso neste momento, que as igrejas estão cada vez mais vazias.
Por exemplo na minha paróquia, aquando das missas solenes seguidas de procissão, o meu dedicado pároco vê-se “grego” para “arranjar” pessoas para transporte de pálio, andores, lanternas, cruzes e outras. Se não fossem os romeiros, por vezes o exército, os acólitos e grupo coral, não sei o que seria.
Justamente por ser católico apostólico romano assumido, ouso apelar à Direcção da Irmandade de S. Pedro ad Vincula que entre em conversações com o Monsenhor Weber para resolver esta questão de uma vez por todas. Um telefonema para entendimentos talvez fosse o suficiente.
Meditem no Evangelho quando Cristo diz que quem se orgulha será humilhado e quem se humilha será exaltado.

                                                            P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
                                                            2AGO2020
 

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Categorias: Opinião

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