Ponta Garça e Ribeira das Tainhas são comunidades semelhantes

Daquilo que conhece, que parecenças têm ambas as paróquias (Ribeira das Tainhas e Ponta Garça), do ponto de vista social e religioso? “Do pouco que conheço destas comunidades que me foram confiadas são muito semelhantes no acolhimento e na presença. Desde o primeiro dia senti-me em casa, em família. Além do acolhimento e da presença são comunidades que vivem intensamente as suas festas e as suas tradições e nos tempos que correm muita gente ainda colabora com a igreja, sente-se comunidade e vive a sua fé. Embora seja necessário um trabalho de proximidade com as famílias, pois são elas o sinal de esperança para o mundo de hoje. Como pastor destas comunidades tenho tentado estar presente fazendo essa ponte entre comunidade paroquial (Paróquia) e igreja doméstica (família).”

A nossa vida mudou!

Como viveu os dias de confinamento devido à pandemia? “Infelizmente nos tempos actuais esta pandemia apanhou-nos a todos de surpresa. Andávamos sempre ocupados a correr de um lado para o outro, “a reboque” desta sociedade materialista e consumista em que vivemos. De repente, tudo mudou; de um momento para o outro fomos obrigados a viver do essencial. Esta pandemia fez parar o mundo e veio abalar por completo a nossa vida social, familiar, comunitária. Deixou-nos perplexos e desorientados. Obrigou-nos a parar e a refletir sobre o essencial da nossa vida. A nossa vida mudou e fomos chamados em pôr em prática o amor traduzido em gestos concretos de compaixão e fraternidade. Eliminar da nossa vida o vírus do egoísmo, do individualismo, da indiferença e sermos especialistas na arte da misericórdia e do amor. Esta pandemia veio desafiar-nos a vivermos do e para o essencial. A nossa vida mudou para sempre e por completo temos de nos mentalizar disso. Contudo, esta mudança servirá para tomarmos consciência de somos humanos, e como humanos somos frágeis e impotentes. Assim sendo, não podemos ficar de braços cruzados. Precisamos todos os dias de pensar e colocar-mo-nos no lugar do outro e sermos coerentes no testemunho da nossa fé entre o que se crê e o que se vive. Claro que é uma Palavra que soa, muitas vezes, contra a corrente e que incomoda. A nós cristãos, Jesus exorta-nos a não ter medo e a não nos calarmos, pois temos a consciência que a missão de dar testemunho d’Ele no mundo nunca foi nem será fácil. Assim sendo, o ser humano precisa de ter um coração grande para amar”.

As festas não serão como 
em anos anteriores

Como vai ser a Festa de Nossa Senhora da Piedade este ano, sabendo-se que há limitações devido à pandemia do Covid-19? “As festas não serão como em anos anteriores. Cheguei cá de novo e estava à espera de ver as festas pela primeira vez. Esta pandemia mudou o curso da historia fazendo com que o ano de 2020 ficasse marcado…As festas em honra de Nossa Senhora da Piedade em Ponta Garça bem como as festas em honra do Sagrado Coração de Jesus na Ribeira das Tainhas sofreram algumas alterações e este ano vamos apenas viver o essencial da festa que o nosso encontro com Deus pela vivência e celebração da nossa fé em comunidade. Estas duas comunidades têm uma forte marca e cunho religioso nas suas tradições. Um povo que vive unido a sua fé como centro da sua vida cristã. Como afirma o Cardeal Tolentino: “Para cicatrizar as feridas abertas pela pandemia só há um remédio: o amor traduzido em gestos e atitudes concretas.
Estes tempos anormais que vivemos servirão para nos aproximar de Deus, fazendo-nos meditar, pois vivemos no mundo da abundância, onde aparentemente parece que nada nos falta, mas pensando bem falta-nos tudo, pois o pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada”.

…Mas houve sempre uma alternativa 

“Os tempos de confinamento devido à pandemia foram tempos difíceis, mas procurei conforto nas celebrações, adorações Eucarísticas e outras orações que fui transmitido através das redes de comunicação para que as pessoas pudessem ser confortadas com palavras de ânimo e de esperança. Até surgiu a ideia de no Domingo de Páscoa, como nestas duas comunidades decorre, habitualmente, a Procissão da Ressurreição com o Santíssimo Sacramento, e tendo em conta que não podíamos fazer manifestações públicas, percorrêssemos com o Santíssimo Sacramento as ruas das duas paróquias num carro ornamentado, de uma forma visível, abençoando todos os lares e famílias das respectivas comunidades. Se realmente não era possível celebrarmos a nossa fé presencialmente, pelo menos conseguimos levar o próprio Jesus Cristo vivo e ressuscitado a todas as casas e famílias.
Contudo, senti e ainda sinto algum medo e preocupação por parte das comunidades cristãs pois vivemos em tempos de incerteza e incógnita sobre o dia de amanhã, mas sempre confiantes de que o amanhã será melhor. É verdade que estamos a passar por momentos conturbados e angustiantes mas todos precisamos da força da nossa fé, de sermos a esperança de um mundo melhor. Temos de viver confiantes na misericórdia de Deus pois o amanhã a Ele pertence. Este tempo serve para nós ponderarmos a nossa desculpa da falta de tempo e para refletir e (re)colocar Deus no seu devido lugar, dar-lhe prioridade nas nossas vidas”.
Marco Sousa

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Autor: CA

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