Padre Tiago Tedéu em Ponta Garça e Ribeira das Tainhas

Esta pandemia mudou o curso da vida paroquial

Na resposta, relevou que foi através do exemplo da sua família, no seio do ambiente familiar e em especial do seu pároco que é para si um modelo de sacerdote. Sempre dedicado à comunidade foi criando em si a vontade de seguir a Deus através do serviço, do amor e da entrega e dedicação ao próximo.
“Desde os meus 4 ou 5 anos de idade que quando me perguntavam o que é que queria ser um dia quando crescesse, respondia sem nenhuma e qualquer dúvida: quero ser padre.
Os anos foram passando e chegou uma altura da minha vida que tive de tomar a minha decisão, com algumas dúvidas próprias da idade. Contudo, como diz o nosso povo “Quem não arrisca não petisca” e eu decidi arriscar. Perder não iria, mas poderia vir a sentir-me realizado e feliz, pois entrando no seminário não perdemos nada, poderemos sim vir a ganhar: sentir-nos realizados, completos, felizes. Aceitei o convite de um seminarista da minha paróquia e com os meus 15 anos de idade, ao terminar o nono ano de escolaridade tomo a decisão de entrar para o Seminário Episcopal de Angra a fim de discernir a minha vocação e realmente saber se era o caminho que Deus tinha traçado para mim”.
Iniciou assim um caminho de discernimento vocacional, pois via a vocação como “uma caminhada de encontro com Cristo e connosco próprios, uma caminhada onde aprendemos que a nossa realização pessoal passa por servir com alegria todos e cada um dos irmãos. Mas ao mesmo tempo olho para a vocação sacerdotal como um encontro com os irmãos, encontro de serviço e entrega total de vida à semelhança de Jesus. Esta é a beleza do sacerdócio. A beleza do nosso ministério sacerdotal reside precisamente no serviço por amor, na doação de vida. E Jesus Cristo será sempre o nosso modelo de doação e entrega ao próximo. Como nos dizia a nós padres o nosso bispo na celebração da renovação das nossas promessas sacerdotais: “A alegria do sacerdote é Cristo”. 

“Ser padre é ser presença de Cristo
no mundo”

Mas então, o que é isto de ser Padre? A pergunta surge e tem resposta: “Ser padre é ser presença de Cristo no mundo, é ser um para os outros e um com os outros. Foi assim que sempre olhei para o sacerdócio em que o dom máximo de vida se chama serviço por amor. O sacerdote é feliz na medida em que contribui para a felicidade daqueles que estão à sua volta, tomando sobre si e sobre o seu coração as tristezas e as alegrias, os sofrimentos e as inquietações, as certezas e as dúvidas daqueles que dele se aproximam.
Fui fazendo o meu percurso de seminário até ao dia em que tive mesmo de tomar a minha decisão final. Decidi-me pelo sacerdócio, embora também gostasse de constituir família. Contudo, sentia-me realizado e feliz seguindo o sacerdócio, dedicado ao serviço dos irmãos. 
Fui ordenado sacerdote no dia 17 de Junho de 2012, por D. António de Sousa Braga, na Sé Catedral juntamente com outros dois colegas de curso. E iniciei, assim, a 15 de Setembro deste mesmo ano o meu múnus sacerdotal, a minha missão como sacerdote em três comunidades da Ilha do Faial (Castelo Branco, Capelo e Praia do Norte), onde lá estive durante sete anos até ao ano passado.
Posso afirmar sem qualquer dúvida que foi nessas comunidades cristãs, berço do meu sacerdócio, que aprendi o que é ser sacerdote na «prática»; lá me fiz padre, pois a experiência da vida é a nossa melhor escola. As primeiras comunidades que servimos tornam-se as nossas primeiras escolas, pois é na prática, entre as pessoas que nos tornamos “padres” na verdadeira aceção da palavra.
Posso dizer que hoje vejo esta missão sacerdotal de uma forma diferente pois saboreio de perto, na prática o que é servir. Agora entendo o verdadeiro significado da palavra “servir” que na pessoa de Jesus Cristo é dar a vida por todos. Por vezes falamos do que não conhecemos, e falar do que desconhecemos é julgar, pois apenas o sabemos na teoria. Hoje posso afirmar que falo do que conheço pelo que vivo e sinto como sacerdote”.

Aprender a amar, servindo…

E o que deve ser o sacerdote? “O sacerdote deve ser o homem do serviço e da entrega por amor, o homem da simplicidade e da humildade de vida, o homem da presença amiga junto daqueles que lhe foram confiados. O sacerdote é o homem do «sentir», do «sensível», pois ninguém pode amar se não «se permitir» a sentir. E claro que como diz Santo Agostinho: «Se não queres sofrer não ames. Porém, se não amas para que queres viver?» Aprender a amar, servindo, faz parte integrante da beleza do sacerdócio. Assim sendo, na Sagrada Escritura existe uma passagem com a qual me identifico e toda a minha vida sacerdotal, passagem, esta, pronunciada por Jesus aos seus discípulos: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela redenção de todos” (Mc. 10, 45). Esta é a beleza e a essência do sacerdócio ministerial.
Daí que ser padre hoje não é fácil, nem nunca o foi, pois é ser constantemente incompreendido, mas se repararmos bem é o homem do «sim», o homem da escuta e aconselhamento, o homem da compreensão e da entrega ao outro, é o homem do coração aberto e do abraço, o homem da disponibilidade e do acolhimento, é o homem que procura simplesmente servir por amor. É assim que vejo o sacerdócio e me sinto completo e realizado na minha missão.
No dia 22 de Setembro do ano passado iniciei uma nova missão na minha vida e caminhada sacerdotal sendo colocado aqui na nossa ilha de São Miguel, nas Paróquias de Nossa Senhora da Piedade – Ponta Graça e do Bom Jesus Menino – Ribeira das Tainhas”. 
 

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Autor: CA

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