Recados com Amor

Meus Queridos! Vai por aí uma confusão com o pedido de ajuda de Estado no valor de 163 milhões de euros feito pela SATA, porque depois tal pedido… parece ser para que a companhia vai ao mercado endividar-se mais, com o aval da Região. A minha prima Maria da Praia telefonou-me para saber se isso era assim mesmo, e respondi-lhe que pelos vistos era, porque pareceu-me ser tal e qual como explicou o meu querido vice Serginho aos deputados na Assembleia Legislativa… Vamos aguardar pela resposta do Ministro das Infra-estruturas e Transportes para saber em que sentido vai o pedido, e só espero que o Ministro que tem aspirações em suceder a António Costa… não queira repetir… no caso do pedido da SATA… a graça que disse o meu querido Presidente do PS Calos César sobre as aspirações de Pedro Nunes Santos…. referindo que os putativos sucessores de António Costa …. “vão ter de esperar sentados durante muito tempo”…. Mas pior do que isso tudo foram as declarações do socialista “novo” Vital Moreira sobre esse empréstimo, e como ele descreve as obrigações financeiras entre a Região e o Estado… Não sou mulher de me meter nesses debates, e só espero que o meu querido Presidente do PS Carlos César envie uma resposta pública sobre tamanho dislate de Vital Moreira… A minha prima Maria da Praia diz que não sabe se ele estava a defender o centralismo da Autonomia ou se estava a defender a independência dos Açores…  


Meus queridos! Este fim-de-semana, se estivéssemos em tempo de calmaria, a cidade de Ponta Delgada enchia-se de gente para participar em mais uma edição das Grandes Festas do Divino Espírito Santo que envolvem milhares de pessoas, nos três dias, desde a Mudança da Bandeira até à Coroação e aos arraiais, não esquecendo o saber e o sabor das sopas do Divino para outros tantos milhares, que se juntam no Campo de São Francisco. Este ano, e por ordem do dito vírus que nos apoquenta, não há festa para ninguém, embora a Câmara da minha querida presidente, Maria José Duarte, tenha organizado alguns actos do programa só para lembrar,.. como seja a distribuição de pensões por algumas instituições. Mando um ternurento beijinho a quantos fazem lembrar a festa e só espero que no próximo ano a baixa de Ponta Delgada volte a ser o corolário dos impérios das 24 freguesias do concelho. Mesmo fora do seu tempo, e como festa de Verão, até faz sentido que todos os mordomos desçam à cidade. E para isso, nem é preciso, nem concursos, nem muito menos corrida a votos das sete maravilhas…

Ricos! E já que estou a falar das Festas do Divino em Ponta Delgada, não me posso esquecer do pedido da minha prima Jardelina, para dizer aqui nos meus recadinhos que não era necessário andarem a pregar pregos e parafusos na cantaria de pedra das Portas da Cidade, para lá colocarem enfeites simbólicos das Festas. Hoje em dia há soluções para tudo, sem estragar o património, sobretudo em pedra mole da Povoação como é aquela. Já basta que no ano passado ali tenham amarrado uma gigantesca baleia na festa branca e que em muito eventos, ali até se amarrem cordas para aguentar palcos e mastros. Prego hoje, bucha amanhã e lá vão lascando a pedra que nunca mais é igual e toda a gente sabe que o basalto facilmente se degrada. Mesmo que seja pelos mais nobres motivos, deixem as Portas da Cidade em paz e, até para iluminação, que se pense sempre em luz indirecta que até lhe fica muito bem. De resto, e nos furos que já tem, pode aproveitar-se para o necessário, sem ter de picar mais naquela já gasta pedra. Diz a minha prima que não gostou nada de ver.

Meus queridos! A minha prima Maria da Vila andava há dias muito triste porque foram fechadas as visitas ao ilhéu, por causa do inquinamento das águas da bacia do ex-libris da velha capital…  contendo substâncias fecais. Diz ela que, depois de ver algumas fotos que uma amiga de peito lhe mandou, nas quais aparece o interior do ilhéu completamente branco dos dejectos das gaivotas, logo pensou que é o escorrimento daquela porcaria toda que dá cabo das águas da bacia. E não é só no ilhéu que as gaivotas estão “pintando o caneco”. Os chamados “ratos do ar” estão a causar prejuízos em muitos lados e é preciso alguém pensar a sério no seu controlo. Lá para os lados do Faial da Terra, na maravilhosa ribeira onde cresciam e pontificavam bandos de lindos patos, as gaivotas comem todos os patinhos que nascem e deixam as casas das redondezas numa verdadeira lástima. Ainda há dias houve quem pegasse numa ninhada deles, para criar numa quinta bem longe, para depois, quando forem adultos os devolver à ribeira do Faial da Terra. Como dizia a minha prima, afinal a praga não é só corona…

Meus Queridos! E por falar em pragas, recebi um desabafo da minha comadre Angélica, dizendo que vai ter de pedir uma indemnização ao Governo para custear a pintura do carro que lhe custou um balúrdio, tudo isso por causa dos fartos dejectos que os pombos torcazes deixam no automóvel que ela guarda no parque da sua casa… Diz ela que a coisa é de tal ordem ácida que mesmo que seja limpa uns minutos depois já fica a tinta manchada… É que não há controlo quanto à população do pombo torcaz… e depois hão-de ter que fazer o que já foi feito… com o excesso de pombas nas praças das vilas e cidades, mas quando vierem a reconhecer que é preciso equilíbrio em tudo, já muita gente teve de suportar o prejuízo da pintura dos carros e dos legumes que não colheu porque foram comidos por suas excelências… Tenham dó!   

Ricos! A minha prima da Rua do Poço, que está há quase um mês à espera de uma encomenda que uma amiga de Algodres de Baixo lhe mandou, ficou de boca aberta quando leu no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que os CTT pensam alugar um cargueiro, para em Agosto, pôr a correspondência e encomendas em dia. Ela diz que não entende o porquê de Agosto, porque nunca houve falta de aviões de carga, e todas as semanas partem do continente para os Açores, três barcos. Mesmo vindo de barco, poucos dias demorava uma encomenda a cá chegar. Mas o que parece é que os CTT não querem é pagar o preço de contentores de grupagem e amontoam a carga até ter contentores cheios, para pagar menos… e depois, de que serve agora um cargueiro, quando se sabe que a mercadoria quando chegar a qualquer uma das ilhas dos Açores vai ficar ao monte por causa da falta de pessoal? E logo no mês de Agosto… E se calhar a ideia é mesmo arranjar a desculpa de falta de pessoal. Coitados dos carteiros que já não sabem que desculpa dar quando a gente lhes mostra a data em que o carimbo foi colocado…

Meus queridos! Há dias, estava a minha sobrinha-neta à espera de um atestado para apresentar na matrícula à escola, quando, na enorme fila de espera para a segurança social que até parece um arraial, ouviu uma conversa de dois velhos camponeses que lá estavam e em que um dizia ao outro que… há pessoas que precisavam de aprender que a comida vem da terra e não da segurança social, … querendo dizer que muitos dos que ali estavam tinham idade e corpo para pegar num sacho. E logo o outro diz, com toda a calma: - compadre, não dê ideias dessas, porque muitos deles, com o dinheiro da Segurança Social vão direitinhos aos Hiper e Supers buscar o que comer… Se eles descobrem que a comida vem da terra, é bem capaz de aumentar o já grande número daqueles que quando chegam às suas quintas e quintais deparam-se sem fruta e sem novidades… É que isto de apanhar o que é dos outros é uma arte em crescendo e depois todos se safam menos os que trabalham sol a sol para ter as suas novidades... Pior ainda é quando alguns deles nos batem à porta para vender o produto roubado… coitado de quem fica sem nada…

Meus queridos! A minha prima Maria da Vila mandou-me esta foto com este estendal de fios e postes, mesmo a dez metros da porta da Igreja da Ribeira das Tainhas. Diz ela que não sabe como é que isto é possível e que ninguém, das empresas responsáveis, tome uma medida para acabar com este arraial, mesmo depois de várias denúncias e promessas de solução. O director-adjunto do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, Santos Narciso, diz que tem a promessa do simpatiquérrimo Presidente Ricardo Rodrigues que, embora não seja assunto da Câmara, vai seguir atentamente os desenvolvimentos. É que até há vizinhas dali que já vêem o mar aos círculos, tantos são os novelos….

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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