8 de julho de 2020

A talho de foice…

A solidão

Quantas vezes a solidão é a nossa melhor amiga, a quem confiamos os segredos mais íntimos e apenas por pensamentos, porque falta-nos a coragem para as palavras. Tem dias em que ela pode-se tornar numa arma aguçada, quase que insuportável, noutros, na doçura do silêncio diz-nos o que somos e para onde irmos. A solidão é por vezes reclamada no meio da anarquia, é desejada e amada até ao último folgo. Aceitamo-la como sendo a melhor conselheira ,determinada a resolver e a tornar viável qualquer projeto que pelo poder da determinação poderá levar à cegueira o mais impérvio. Uma vez conhecida a solidão, esta será amada até ao limite da paixão. Já houve muitos que, atordoados pela melodia do seu silêncio partiram deste mundo enfermo em busca do conforto e da paz. A solidão, é a parte viva em todos nós onde reside a nossa verdadeira existência, assombrada e receosa dos males do mundo refugia-se e permanece tranquilamente instalada no goto de forma incubada aguardando as nossas atitudes para que possa agir ao breve deslize emocional. Quantos de nós, mesmo no seio da família e dos amigos não nos sentimos sozinhos, isolados, esboçando um sorriso que não é nosso, mesmo que não nos falte nada, por vezes, sente-se que este mundo ou esta era não é a nossa. A falta de objetivos e da determinação poderá arrastar-nos para um isolamento profundo, tão profundo que em alguns casos não é percetível a quem nos rodeia. Sentindo-se ludibriado pela falsa sensação de conforto, são absorvidos quase que diariamente, milhares ou milhões de pessoas em todo o mundo pela solidão, com uma incidência maior nos países mais desenvolvidos, o que contraria qualquer teoria, porque supostamente a pobreza e a doença seriam condições mais propícias a este tipo de sentimento. Em países onde tudo falta e que as populações vivem no minimalismo, não por opção, mas sim por imposição, os casos de extrema solidão são tão pontuais que são entendidos como que de um tipo de bruxaria se tratasse. No mundo cada vez mais consumista, exigente, observador e altamente critico, somos açambarcados pela impotência de nada nos satisfazer, de querer sempre mais, de alcançar o impossível e as frustrações derivadas da falta da sua concretização leva em muitas situações que sejamos invadidos por uma tristeza primária que mais tarde se traduz em solidão plena. O aceitar deste estado de alma, embora muitas vezes inconscientemente, poderá em casos extremos fazer com que a pessoa, por entender que nada mais é capaz de fazer, de adquirir, construir ou criar, desanimar e mostrar despreocupação. Devemos estar atentos a quem nos rodeia, acolhendo sem julgar, amando e abraçando, quantas vezes apenas procura-se um ouvido para escutar ou um abraço. Cada um de nós de forma isolada pouca importância tem, mas juntos, constituímos aquilo a que chamamos de sociedade e de viver em sociedade. Neste sentido, como parte integrante deste grupo tão diferente, mas em todo homogénico, a quem cabe uma palavra de compreensão, porque por vezes a pressão interna da solidão é tão poderosa, como a força do amor, e é esta que deverá prevalecer. Olhando cada vez mais perto de nós, certamente que iremos acolher estes sorrisos e dar-lhes dono. A amizade e o companheirismo, por tantas vezes esquecido, será o mote para o sucesso de cada um e para que em harmonia possamos conviver neste mundo repleto de desafios.

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Categorias: Opinião

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