Simas Santos entende que este deve ser um complemento ao ‘Viver Açores’

Empresário defende tarifas especiais da SATA para impulsionar o turismo local

Tendo vinte funcionários com vínculos laborais estáveis que, dependendo da sazonalidade podem chegar aos trinta, o empreendimento turístico “Aldeia da Fonte”, nas Lajes do Pico, teve, tal como a grande maioria das empresas deste sector, de optar pelo layoff em virtude da Pandemia de Covid-19. Apesar desta medida, o empresário Simas Santos, revela que “nem todos os funcionários foram para layoff”, visto que um núcleo manteve-se a trabalhar, aproveitando aquele estabelecimento da ilha do Pico para fazer “algumas obras de manutenção e de reearranjo”.
Após a paragem, António Simas Santos, já reabriu o restaurante no passado mês de maio e confessa que até tem tido uma boa ocupação.
“Isto tem vindo a crescer. As pessoas inicialmente tinham algum receio e hoje já vem com mais à vontade”, afirma.
Apesar desta boa resposta na área da restauração, António Simas Santos revela que na vertente da hotelaria, as perspectivas não são tão animadoras.
“A percentagem das quebras é completamente absurda. Nós estávamos com taxas de ocupação, já nesta época, acima dos 80%, 90%. Neste momento estamos abaixo dos 10%”, realça.
Apesar de admitir que para a primeira semana de Julho “já tenham existido muitos cancelamentos”, o gestor refere que a segunda quinzena desse mês e os meses seguintes, de Agosto e Setembro, “mantém um número de reservas consideráveis”. Apesar desses números, Simas Santos constata que muitos dos turistas estrangeiros tem optado por cancelar as suas reservas.
“Há um fenómeno que penso ser transversal na Região. Tudo o que eram grupos, nomeadamente provenientes dos Estados Unidos, cancelaram e já mudaram para o próximo ano. Nós temos um ou dois grupos que ainda não cancelaram mas que previsivelmente o irão fazer. Em relação ao nosso principal mercado, a Alemanha, tem havido muitos cancelamentos. Nós ainda não temos noção exacta do que se vai passar”, desabafa.
Relativamente às medidas recentemente criadas pelo Governo Regional dos Açores para incentivar o turismo interno, o empresário da “Ilha Montanha” considera que a medida é positiva, mas admite que esta ainda não teve um grande impacto.
“Não temos tido um aumento de reservas significativo. Já apareceram algumas pessoas de nível regional, nomeadamente da Ilha de São Miguel, mas não diria que estamos a ter um crescimento muito acentuado”, afirma
António Simas Santos defende que a Campanha “Viver os Açores”, deveria ser complementada com outras medidas capazes de fomentar o turismo dentro da região.
“Acho que era oportuno que as agências de viagens, nomeadamente as daqui, fizessem pacotes direccionados para os mercados da Terceira e São Miguel, para falar dos principais. Isso ainda não foi possível e nós ainda não tivemos abertura por parte da SATA para fazer pacotes a preços convidativos. Para trabalharmos esse tipo de produtos temos de ter tarifas especiais da SATA”, defende.
O empresário explica melhor esta sua posição considerando que este modelo seria “mais apelativo” para os turistas.
“Eu acho que era mais eficaz dar as ferramentas às empresas, nomeadamente aos operadores, para eles fazerem programas atractivos que já tivessem em linha de conta o dinheiro. Neste caso o Governo não iria pagar via “Viver os Açores”, mas iria pagar via preços especiais da SATA. Penso que era mais flexível e mais apelativo para quem nos visita ter essa possibilidade de optar por pacotes feitos pelos operadores locais”, explica.

O olhar médico
Relativamente à abertura ao turismo do exterior, António Simas Santos que, para além de ser gestor na área turística é também médico, concorda com a medida anunciada pelo Governo Regional de que passará a pagar os testes no local de origem da viagem para os Açores.
“Esta medida do Governo Regional, de fazer um acordo como os laboratórios nacionais para que seja gratuito a realização desse teste, dentro das 72 horas antes do embarque é uma medida muito positiva”, afirma.
Apesar de demonstrar a sua concordância, Simas Santos alerta para o facto de que esta medida não será um garante absoluto de que não teremos novos casos de Covid-19 nos Açores. Simas Santos  demonstra  também algumas  preocupações relativamente à implementação eficaz do segundo teste na região.
“Claro que não é suficiente. Todos sabemos que pode haver um infectado que ainda não seja positivo, mas que depois testará positivo. Por isso é que existe a medida de repetir o teste, ao sexto dia, a quem ficar mais de 8 dias. Acontece que aí, em termos de rastreio e de controlo das pessoas que chegam será um bocado complicado. Penso que esse é o grande desafio e eu não sei se vai ser fácil que essas pessoas, que se vão espalhar pela Região, cumpram esse segundo teste”, questiona.
Para o médico da Ilha do Pico, é importante que todos os açorianos tenham presente que a situação da Pandemia ainda não está resolvida.
“Fico com algum receio que existam excessos. Há muito aquela ideia de que aqui está tudo limpo, mas isso pode alterar-se num instante. Vejam-se, por exemplo, os casos do Algarve. Eu penso que no caso dos Açorianos, depois de um certo medo, começa a haver uma facilitação e algum excesso de confiança “, constata Simas Santos.    

Luís Lobão

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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