14 de junho de 2020

Recados com amor...

Meus Queridos! Estive muito atenta à visita surpresa que fez o meu querido Presidente Marcelo à Vila do Nordeste, aproveitando as feridas abertas naquele concelho pelas mortes causadas pela Covid-19 para mostrar a sua solidariedade e afecto e tentar sarar a ferida aberta com o meu querido Presidente Vasco Cordeiro por causa do pedido do encerramento dos aeroportos dos Açores… que foi negado em uníssono pelo Presidente da República e pelo Primeiro-ministro António Costa, permitindo depois a “importação” do dito bichinho… como se importa tanta outra coisa dispensável…. Marcelo Rebelo de Sousa à chegada ao aeroporto mostrou reserva quanto à data das eleições nos Açores, mas à saída, já mais condescendente,  esteve quase a dizer que as eleições serão na data prevista, que será Outubro. A minha comadre Germana, da Fazenda do Nordeste, que é uma mulher muito atenta a essas coisas da política, telefonou-me, dizendo que lhe cheira que Marcelo para conseguir a paz com Vasco Cordeiro estendeu-lhe o ramo da laranjeira e uma rosa cor-de-rosa com um cartão datado com o mês de Outubro…, o que significa que se cumprirá o desejo do PS/Açores quanto à data das eleições… Ainda por cima, diz Germana que isso agrada ao CDS, porque assim sendo, Artur Lima fica com o caminho aberto para fazer a limpeza que deseja no seu partido para manter a liderança e até aspirar, no que já esteve mais perto do que está agora, de ser a “bengala” do próximo Governo… Enquanto isso, Paulo Estêvão esfrega as mãos se assim for porque tem esperança em manter o lugar no Corvo que doutra maneira pode fugir para o PS ou para o PSD… Cá por mim fico de palanque à espera para ver se o medo passa para levar o povo a votar em Outubro, e depois desse mês, não me venham falar em máscaras, distanciamentos e outras coisas do género… ‘Tá?   

Meus queridos! Tinha jurado não falar mais em confinamentos e desconfinamentos, aqui nos meus recadinhos, porque quanto mais dele ouço falar, mais confusa fico, e por vezes até revoltada…. Numa dessas muitas reportagens para encher chouriços... que as televisões vão fazendo para estender os noticiários… sem notícia, ouvi uma mãe que estava na praia, entre grande multidão e talvez sem as distancias aconselhadas… responder à filha que lhe perguntou se no Domingo iria à missa… dizendo, que não, porque ainda não é seguro e porque a igreja é fechada e a praia é aberta. Mas a confusão não fica por aqui… pois também me confundiu o cuidado do meu querido Presidente Marcelo que quis fazer o Dez de Junho no Claustro do Jerónimos, apenas com mais “sete magníficos”… isto depois de dois dias antes ter estado num espectáculo com mais de duas mil pessoas na praça de touros do Campo Pequeno em Lisboa. Não é por nada, mas anda muita gente desorientada porque entre o ditar o passo e depois praticar… vai uma distância grande… e é conforme o vento sopra dum lado ou do outro… Isto é o que temos e daqui p’rá frente muito se há-de ver ainda!


Ricos! Mas falando da cerimónia do Dia de Portugal, mesmo sem gente, para história fica um dos mais belos discursos que já se ouviram em Dez de Junho. O Cardeal-poeta madeirense, D. Tolentino Mendonça escreveu uma peça memorável, uma verdadeira oração de sapiência em que não teve medo da História, nem dos nomes da História, fazendo de páginas de glória e temores, verdadeiras lições para o presente. Como diz a minha prima Jardelina, há sempre qualquer coisa de diferente quando um ilhéu fala. E ela até diz que há um traço de união entre os discursos deste ano do cardeal madeirense e daquele que há dois anos, Onésimo Teotónio Almeida proferiu em Ponta Delgada, também no Dia de Portugal, evocando “O Século dos Prodígios”. Num momento histórico em que até se decapitam estátuas, são discursos assim que o mundo precisa. Mesmo com claustro vazio, houve um discurso que encheu…


Meus queridos! A minha prima Teresinha, que tem um sobrinho neto que vai ser ordenado sacerdote este ano, ficou muito contente quando soube que a cerimónia das ordenações que estava prevista para este mês de Junho e que a Covid-19 obrigou a adiar,  vai realizar-se lá para Setembro, e este ano, na grande e vetusta igreja de São José, de Ponta Delgada. Ela lembrou-se logo do meu recadinho do passado mês de Dezembro, quando as ordenações dos 7 diáconos, seis dos quais de São Miguel, obrigaram a que famílias e párocos tivessem de ir todos para a Terceira, quando seria mais fácil e barato trazer apenas meia dúzia de pessoas a São Miguel. Desta vez, o meu querido Bispo Lavrador vai fazer as ordenações na terra dos ordenandos, o que, não sendo inédito, nunca aconteceu com fornada tão grande, a maior desde a do ano dois mil… em nessa altura foram dez, isto se não me  falha a memória. É que isto de descentralizar não pode ser só para o que convém…


Ricos! Li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que a Câmara da velha capital resolveu conceder um apoio de dez mil euros a cada uma das filarmónicas do concelho para compensar este ano em que não há festas, nem impérios, nem marchas de São João. O simpatiquérrimo Presidente Ricardo Rodrigues calculou mais ou menos dez serviços de cada banda e assim pelo menos vai dar para respirar, porque mesmo com as sedes fechadas, há compromissos que as bandas têm de cumprir e que não podem falhar. Só espero agora que da parte da Cultura, lá para os lados da Ilha de Jesus, também não se esqueçam que sem sair à rua, as bandas ainda precisam mais de ajuda, se quiserem que elas continuem a ser as escolas que têm sido e uma forma de ter muita juventude ocupada em tempos que exigem mesmo muita atenção aos mais novos…


Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço que é uma mulher muito poupadinha na luz, mas que também não gosta de viver na escuridão, apesar de só ter lâmpadas LED em casa, recebeu uma conta para pagar, acima do que é normal, mas logo soube que foi acerto por não lhe terem ido registar a leitura há alguns meses. E ela diz que não tem nada que ter o trabalho e o cuidado de dar as leituras à EDA, porque com tantos milhões de lucros, bem pode admitir mais meia dúzia de pessoas para fazerem a recolha de leituras, porque o melhor meio de aplicar os lucros é dando mais emprego… além de que esse custo já faz parte da factura da luz desde os tempos em que a EDA é EDA… Mas logo no dia a seguir ela recebeu uma cartinha da empresa a dizer que se quisesse podia pagar às prestações, mas a quantidade de papelada que lhe exigem, desde a escritura da casa até ao recibo de vencimento e prova de que perdeu mais de não sei quantos por cento ao mês e tudo com assinatura e carimbo do patrão e da caixa, ela disse logo que mais valia pedir um vale ao patrão para descontar no fim do mês… Livra, onde está a palavra? Acham que os consumidores são sem descriminação uns mentirosos e corruptos para se exigir uma carrada de papéis para obter a divisão de uma divida que vai ser paga em prestações, e se não for, mandarão um funcionário com o alicate cortar a ligação e exigir depois mais cerca de cinquenta euritos para ligar… Passa fora! Com tanta burocracia, é mesmo para desesperar…


Ricos! Quero mandar um ternurento beijinho ao simpatiquérrimo médico fisiatra António Raposo, pelo muito que me tenho consolado a ler as suas crónicas no velhinho e sempre renovado Diário dos Açores. Hoje em dia, com tanto que há para ler, não é fácil a escolha, mas a maneira como explica os casos apontados, a maneira como sabe até brincar com os leitores e a apresentação curta e convidativa dos artigos, fizeram de mim uma leitora atenta, da penúltima página do velho e sempre renovado  jornal. Espero que guarde as ditas cujas para publicar em livro que, de certeza vai ter o sucesso que teve o seu “Hagan, o doente da Bola” que já li há uns anos…

Meus queridos! Nunca fui mulher de andar por aí de metro na mão para ver o tamanho das ervas que crescem na berma das estradas nos passeios dentro de vilas e cidades. E sei que com tantos problemas que há por aí, ninguém morre por via de umas estradas ou de umas ruas por limpar. Mas há dias passei com a minha sobrinha-neta pelo Beco António Borges e fiquei banzada com as ervas que ali crescem e com o abandono que aquele espaço apresenta. Não sei se terá sido limpo esta semana, mas o lixo, as ervas e as ratazanas mortas merecem uma valente limpeza e ali nem se pode dizer que cada um limpe à frente da sua casa, em vez de reclamar, porque até parece que nada daquilo tem dono…
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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