Opinião do presidente da direcção, José Pedro

Direcção dos ‘Amigos do Calhau’ indignada por Ciclovia da Lagoa ter apoios comunitários

 Negando a existência de uma providência cautelar que teria sido apresentada em tribunal para manter longe do calhau da Atalhada as máquinas que se encontram a trabalhar na ciclovia para ali projectada desde Outubro de 2019, José Pedro Medeiros esclarece que a associação da qual é presidente apresentou a sua indignação a Bruxelas ao assistir ao desenrolar destas obras. 
Esta denúncia, explica o ambientalista, servirá para que a comunidade europeia esteja mais atenta à forma como os apoios comunitários são utilizados nos Açores em matéria de ambiente, alegando que “os fundos que são pedidos para a Região são utilizados de forma completamente diferente do que os fins para os quais são requeridos”, utilizando o caso da ciclovia que une dois pontos do concelho da Lagoa como exemplo.
“O projecto foi apresentado pela Câmara da Lagoa para obter fundos comunitários como uma ciclovia de alternativa ao trânsito à via central da cidade da Lagoa e como forma de descarbonização da cidade. Mas quem ali vai andar são as pessoas que vão passear, ninguém vai deixar o carro ali para ir a uma loja ou a outro sítio qualquer através da via litoral, pelo contrário”, explica.
Deste modo, o presidente da associação refere que “aquele que seria um projecto de mobilidade sustentável” acaba poro ser nesses termos apenas “para as pessoas que vão passear no fim-de-semana e não para o tráfico da Lagoa”, incluindo ainda “a destruição do próprio ambiente”.
“Não sei se podemos encarar isso como uma queixa, mas foi uma apresentação feita em Bruxelas de forma a que se tome atenção nos fundos que são dados aos Açores, porque nos Açores quando não dá para um sítio dá para outro. Tencionamos com isto que quem gere o Fundo de Coesão tenha realmente outra atenção para aquilo que se passa nos Açores e não só”, salienta.
A denúncia em questão, realizada há cerca de um mês, não resultou ainda em nenhum tipo de feedback, explica José Pedro Medeiros, adiantando que nem saberá se será possível chegar a plenário através da mesma. No entanto, refere que foi feito “o esforço” e que há a consciência de que pelo menos a associação tentou alertar para o alegado problema em causa.
Apesar da indignação em relação à forma como a ciclovia tem vindo a ser realizada, o presidente da Associação Amigos do Calhau explica que esta também “fez força para que aquela zona tivesse alguma requalificação”, uma vez que se tratava de uma obra muito degradada, esperando no entanto que se optasse “por uma solução mais integrada e não tão chamativa e apelativa”.
Neste sentido, o presidente da associação ambientalista defende que, à semelhança de outros projectos que foram ou que estão a ser entretanto elaborados, sobrepõe-se a vontade de mostrar as possibilidades de negócio existentes, mesmo que essas descaracterizem o lugar onde se inserem.
“Todos percebemos perfeitamente que o que as entidades pretendem neste momento é tirar lucro de tudo, incluindo da natureza, como se viu no túnel da Lagoa do Fogo, muito discutido também. Há toda uma fome de mostrar todas estas possibilidades de negócios enquanto deveria estar em primeiro lugar o ambiente e o património da própria cidade, neste caso”, salienta ainda.
Em acréscimo, ainda em relação ao passadiço que se encontra em construção e cuja data de finalização é impossível prever, a Associação Amigos do Calhau teme que o investimento feito seja deitado “por mar” brevemente, tendo em conta a frequência com que os Açores são castigados por tempestades e por forte agitação marítima.
“Entendemos que na próxima tempestade que houver isto será tudo destruído. O que não será destruído de certeza serão os pilares das fundações que fizeram para o passadiço, uma coisa que se calhar nem o porto de Ponta Delgada tem, porque estamos a falar de toneladas de betão”, diz.
                                 Joana Medeiros

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Autor: CA

Categorias: Regional

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