Easy Fruits & Salads

Empresa é pioneira em Portugal a usar embalagens 100% naturais e recicláveis provenientes de cana-de-açúcar

A intenção surgiu no ano passado, quando a empresa Easy Fruits & Salads definiu no seu plano de sustentabilidade a implementar em 2020, um conjunto de objectivos em que se destacava a redução ou substituição das embalagens em plástico usadas nos seus vegetais, por outras mais ecológicas e sustentáveis. 
A preocupação com o ambiente não é nova e desde que iniciaram actividade, em 2012, sempre foi intenção reduzir ao máximo a quantidade de plástico que disponibilizam juntamente com os seus produtos hortofrutícolas já prontos a confeccionar. “Quando começámos a nossa actividade já existiam alguns materiais deste tipo mas eram muito caros. Já eram muito caros na Europa e sairia mais caro colocá-los nos Açores, então abdicámos dessa ideia durante uns anos”, explica João Monteiro, responsável pela empresa.
No entanto, começaram a surgir na Europa vários produtos a preços mais competitivos e que serviam este propósito de tornar a Easy Fruits & Salads mais ecológica e ao mesmo tempo economicamente sustentável. Assim, juntamente com um fornecedor holandês e de uma fábrica situada na Polónia, chegaram a um bio-plástico que é produzido a partir de um sub-produto da indústria da cana-de-açúcar. “As indústrias que processam a cana-de-açúcar geram desperdício e esse desperdício é utilizado pelas antigas indústrias de plásticos, que processam esses detritos e conseguem fazer um filme, que é o que utilizamos agora, e que é considerado um bio-plástico”, explica João Monteiro. O empresário acrescenta que o material usado é proveniente de uma fonte “natural, é renovável, sustentável e tem uma particularidade que nós fizemos questão de ter, que é um produto 100% reciclável, junto com os plásticos convencionais”, que não é uma característica muito comum nos bio-plásticos que existem actualmente no mercado.
Por exemplo, o plástico PLA (plástico de poliácido láctico) um dos mais comuns no segmento dos bio-plásticos, é um produto bio-degradável mas essa característica “só acontece em condições muito específicas e controladas, de humidade e temperatura”, avança o responsável pela empresa que acrescenta que no caso de um saco neste material ser colocado no chão, apesar de bio-degradável “ele não se vai degradar pura e simplesmente na natureza como as pessoas imaginam. Ele vai-se comportar como um plástico normal, vai ser tão nocivo como o plástico convencional”. 
Já este novo bio-plástico usado pela Easy Fruits & Salads é reciclável até em conjunto com os plásticos convencionais e assim permite o seu tratamento nos centros de tratamento existentes em Portugal que, actualmente, não tem nenhum tratamento específico para bio-plásticos. 
“Depende sempre das pessoas” a reciclagem deste novo bio-filme, reconhece João Monteiro que acredita na “solução bastante equilibrada encontrada” já que foi substituído o plástico, proveniente de material fóssil, por um produto de origem natural, que é um sub-produto “o que ainda é melhor, ou seja, não estamos a cultivar especificamente cana-de-açúcar para fazer bio-plástico”. 
O empresário reconhece que até seria fácil conseguir um produto PLA mas não existe tratamento específico para este tipo de produto “e não ia servir de nada. Deixava-se de usar um produto fóssil para um bio, mas não conseguíamos eliminar o resíduo. E agora conseguimos dar um tratamento a esse resíduo, o que é positivo”. 

Mais barato
Além disso, comenta João Monteiro, este produto não só compensa a nível ambiental mas também a nível económico. “Conseguimos um produto que é mais barato do que o plástico convencional. Já ficaríamos contentes se o preço fosse equivalente, mas conseguimos baixar esse custo”.
Desta forma, João Monteiro revela que ao tornar a empresa mais ecológica não vão encarecer os produtos que disponibilizam já que a alteração de embalagem vai ser disponibilizada a vários dos produtos da marca como por exemplo Alfaces Multifolhas, Alfaces Romanas, Molhos de Agrião, Nabiça, Espinafre, Salsa, Coentros, e nas Couves Pak-Choi e Kale. Brevemente outras embalagens irão também ser alvo de mudança, seguindo a mesma lógica.
No entanto, o empresário reconhece que desde há uns anos a esta parte têm sentido um aumento progressivo de alguns factores de produção, como sementes e adubos, “mas temos feito algum esforço e conseguido manter o preço dos produtos”. Aumentos que não são ainda muito acentuados e que já estavam a acontecer antes da pandemia provocada pela Covid-19 que veio provocar sim “grandes constrangimentos, principalmente tudo o que passava por transportes. Muitos atrasos, de timmings, de entregas”, explica.
E porque o mundo ficou praticamente paralisado durante alguns meses, a Easy Fruits & Salads também se ressentiu com uma “quebra grande na sua actividade, resultando em fortes perdas ao nível da produção”. Mas João Monteiro reitera que apesar desses constrangimentos, desde logo a empresa assumiu o compromisso de manter todos os postos de trabalho dos seus colaboradores, “pondo em marcha um plano de contingência interno, com separação de equipas de trabalho, reforço de formação e de práticas de higiene já implementadas de forma a garantir que a segurança alimentar dos seus produtos não seja afectada”. E porque a busca pela melhoria contínua é algo intrínseco à empresa, a Easy Fruits & Salads continua a “querer surpreender os seus clientes e consumidores, continuando a inovar, procurando ir ao encontro àquelas que são as principais preocupações e desejos” dos mesmos.
Actualmente a empresa comercializa os seus produtos em São Miguel, Terceira, Faial, Santa Maria e Pico, e por enquanto não pensa em alargar a actividade a outros mercados externos. “Estamos só aqui nos Açores e temos ainda bastante para crescer aqui antes de pensar noutro mercado. Enquanto tivermos espaço para crescer aqui, a prioridade será sempre a nossa Região”, revela João Monteiro. 
    Carla Dias
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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