26 de maio de 2020

Vamos-nos pirar…

Próxima estação. Marte… Com apeadeiro na Lua.
Enquanto na Terra os seus habitantes procuram uma vacina que os livre de mais uma doença provocada por um vírus mortífero, um “grupo” de homens visionários e empreendedores, discute a melhor estratégia de viajarem para Marte, com escala técnica na Lua.
Trata-se duma ideia que já acalentavam há algum tempo, mas que o surgimento de mais uma pandemia, impulsionou o grupo a avançar com o projecto, rápido e em força.
 Fazem parte dos tais 1% de humanos que detêm 50% da riqueza global gerada, enquanto para os restantes 99% estão reservados os outros 50%.
A “aldeia global” em que se tornou o planeta Terra, em parte devido aos extraordinários avanços tecnológicos, para os quais muitos do “grupo” contribuíram, já não tem espaço para os seus desígnios impetuosos de ir mais além. Sentem-se “confinados”. Habituados que estão a inovar e a empreender, desejam partir à procura de novas descobertas, à semelhança dos portugueses de quinhentos e a odisseia dos descobrimentos.
Partem com a “consciência do dever cumprido”. Nunca se progrediu tanto nas últimas duas décadas, como em toda a história da humanidade. A globalização impulsionada pela revolução digital retirou milhões de seres humanos da extrema pobreza.
Bem sabem que existem sempre efeitos colaterais negativos de tanto progresso, mas irão deixar os “recursos” necessários para os “99% de terrestres” que cá ficarem, os debelarem.
Para já, alguns “biliões” para a descoberta da vacina que irá extirpar a mais nóvel pandemia. Depois outros “triliões” para combater as alterações climáticas, as desigualdades, a ameaça terrorista, o perigo nuclear e por aí fora.
Com este “pacote” de ajudas, contam ainda deixar uma “advertência” aos terrestres, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance por vós, vejam lá se no futuro se portam melhor. Fazem-no sem qualquer laivo de paternalismo, como fazem questão de relevar.
Deste “grupo”, destacam-se Elon Musk, autor da frase que se tornou viral “ eu quero morrer em Marte”, Bas Lansdorp, Richard Brandson, Jeff Bezos e outros. Lamentam que Bill Gates, considerado o mais rico do Mundo não tivesse aderido ao projecto, optando por continuar na Terra a ajudar no que for possível, dinheiro, muito dinheiro não há-de faltar.
Confirmados, para além dos irmãos Walton e Koch, estão Mark Zuckerberg, Larry Ellison, Amancio Ortega, Steve Ballmer. Hui Ka Yan e Ma Hua Teng, aguardam consentimento do comité central do partido comunista chinês, mas asseveram que tudo está no bom caminho, uma vez que o Presidente Xi, a quem telefonaram, lhes garantiu que a autorização será dada na próxima reunião, demovida a resistência de alguns saudosos maoistas.
Desistiram de insistir com o Warren Buffet. Acham que “o homem passou-se”, desde que se “queixou” publicamente, de que pagava menos impostos que a sua secretária, ou então ficou abalado com a frase “ esta economia que mata” pronunciada pelo Papa Francisco, que confessam lhes tem vindo a inquietar, mas não ao ponto de lhes tirar o sono ou os fazer desistir do projecto.
Contudo, por via das dúvidas, Elon sugeriu que Jeff contacte o Cardeal Burke, de quem é próximo, para mover influências no Vaticano, no sentido de criar um “ambiente” mais próximo daquele que no passado a Igreja de Roma já teve.
Era o que mais faltava, vir agora um Papa, lembrar a frase evangélica de Mateus “ É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus”.
 Por outro lado, já têm na União Europeia, a sua equipa de lobistas a trabalharem afincadamente, para que a proposta de alguns deputados do Parlamento Europeu, de taxarem os lucros de algumas das suas empresas do digital, não vá avante. Para isso já disponibilizaram alguns milhões, não só para aumentarem os honorários dos seus avençados, mas para os “ajudarem” a averiguarem da existência de eventuais forças políticas que possam ser “mais amigáveis”.
Como empresários de sucesso e pragmáticos que são, estão a envidar todos os esforços para obter para as suas três empresas espaciais privadas, que detêm, toda a colaboração das empresas espaciais públicas, como a americana NASA ou a europeia ESA.
O sucesso da exploração do espaço está num “esforço colectivo” entre todas estas entidades, defendem.
Quando questionados do porquê deste desígnio obsessivo, explicam:
“Todos os dias desafiamos a morte na Terra, enfrentando bactérias e vírus que podem ser fatais. Um dia, talvez não consigamos escapar ao sufoco provocado pela nossa exploração exagerada dos recursos terrestres, nem escapar de um meteorito tão implacável como o que extinguiu os dinossauros. Faltava-nos um programa espacial.”
“Ir a Marte é uma questão de sobrevivência. Estamos hoje mais bem preparados para ir a Marte do que em 1969 para ir à Lua”, sublinham.
“ Até porque não nos basta chegar lá. O que realmente queremos é colonizar Marte. E quanto mais depressa, melhor”, concluem.
E para quem os acusam dum exacerbado materialismo, não hesitam em citar o famoso cientista do Espaço Carl Sagan, autor da famosa série televisiva Cosmos: “A ciência não é apenas compatível com a espiritualidade, é uma fonte profunda de espiritualidade”.
E não poderiam de deixar de lembrar a célebre frase de Einstein “a religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia”.
Vamo-nos pirar… antes que nos façam mais perguntas. Afinal a Terra continua a ser apenas, um  “pálido ponto azul” na imensidão do Cosmos.

 

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Categorias: Opinião

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