10 de maio de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! Vai por aí alguma confusão sobre o abre e fecha de várias actividades, e há muita gente a perguntar porque é que os as clínicas médicas, incluindo os dentistas e a fisioterapia, ou retoma das cirurgias que foram canceladas nos hospitais ainda não foram reabertas... O mesmo acontece com os stands de automóveis, e as imobiliárias, tudo actividades que têm conexão com a banca que se encontra em funcionamento, como não podia deixar de ser… Se no início da pandemia justificava-se o encerramento generalizado dessas actividades para se saber onde ia parar o perigo, nesta fase em que se conhece melhor os caminhos por anda o vírus, seria com o necessário cuidado, de rever as medidas de contenção para alguns sectores… E já que falo de revisões, aquela de passar o uso de máscara de voluntária a obrigatória, que tem dado pano para mangas… A minha prima Ernestina telefonou-me esta semana para saber como estava, e contou-me que teve de ir para a “bicha” dos CTT para levantar uma encomenda contendo uma compra feita online para oferecer a uma parente no dia de anos, e ficou deliciada com a conversa que ouviu entre três conhecidas que tinham ido levantar, pensa ela a pensão… Todas elas estavam de máscara e uma dizia “tenho de usar a máscara porque assim tapa-me o buço que não pude depilar porque esta tudo fechado”… A outra dizia olha… “a mim dá-me muito jeito porque estou desdentada e não sei quando posso ir ao dentista”… e a outra respondeu “pois eu estou é a morrer, porque a corisca da máscara está a atacar-me os brônquios por causa do ar quente que estou a ingerir”… e acrescentava... “se não fui da doença… ainda de repente fino-me pela máscara”… Diz Ernestina que se deliciou com o resto da conversa,… e acrescentou ainda  que  também dá-lhe vontade de rir quando vê os transeuntes que usam a máscara debaixo do queixo… ou levam-na na mão, e outros que a têm dependurada no retrovisor do automóvel juntamente com um penduricalho ou com o terço… Por tudo isso lembrei-me do debate que houve na Assembleia da República, em que os meus queridos deputados dos vários os partidos estavam muito preocupados pela forma do uso das mascaras e das luvas e do descarte, na via pública ou em ecopontos, o que pode constituir um foco de contaminação da doença provocada pelo novo coronavírus para a sociedade e, em especial, para os trabalhadores do sector dos resíduos…. Palavras para quê? Só resta dizer que no caso Tiago Lopes tinha razão quando desaconselhava o uso generalizado de máscaras… Foi pena não ter mantido o que defendia!  
 


Meus queridos! Ontem foi Dia da Europa que recorda a chamada “Declaração de Schuman”, o tal Ministro francês que sonhou com a criação de uma instituição europeia capaz de gerir em comum a produção do carvão e do aço, que fez ontem 70 anos que foi assinada, isto é cinco anos depois do fim da II Grande Guerra, da derrota do nazismo e da rendição da Alemanha… Passados todos estes anos e em tempo da maior pandemia depois da criação desta Comunidade que foi mudando de nome até chegar à União, … e ao ler e ouvir as mais variadas bajulações vindas de vários actores… fez-me pensar como é que setenta anos depois a Europa não tenha conseguido ser a Europa dos Povos… sonhada por grandes estadistas e ficou-se como a Europa do pilim, com uns a tudo fazerem para sacarem o máximo… e outros a travestirem-se de Robin dos Bosques ao inverso, isto é, tirando dos pobres para dar aos ricos. Já não sei se são 26 ou 27 países numa bandeira de 15, pois que o reino de Sua Majestade anda com pé dentro e outro fora e, como diz a minha prima Jardelina, até parece o caso dos casais que se dão muito mal mas que não se amanham um sem o outro. Eu também sei, ricos, que não seríamos os mesmos sem a Europa, mas é preciso deixarmos de dar motivos para que digam só queremos vinho e o resto que toda a gente sabe… Cá por mim sou uma europeísta convicta, mas sempre contestando a monstruosa burocracia que assentou arrais em Bruxelas, onde os largos milhares de mangas de alpaca, para justificarem a sua existência e manter o poleiro,… atiram com regras a esmo para que cidadão cumpra… em nome dos mercados, … que fazem lembrar resquícios do modelo stalinista no tempo da União Soviética...

Ricos! A UNESCO declarou este ano que o dia 5 de Maio seja o Dia da Língua Portuguesa, que é uma das mais faladas no mundo, pelo menos em número de população abrangida, já que milhões de pessoas no mundo da lusofonia, como dizem os entendidos, não sabem uma palavra de Português e só falam nos seus dialectos. Bem precisados estamos de regressar aos bancos da escola pois a Língua Portuguesa nunca foi tão maltratada como agora. Sabemos que ninguém tem obrigação de ser Camões ou Pessoa, nem de perorar como o Padre António Vieira ou Bartolomeu dos Mártires, mas o que se vê escrito nas redes sociais e já em muitos jornais e revistas, vem mostrar como tem sido deficiente o ensino do Português que para muita gente já é uma dor de cabeça conseguir ler o que se escreve. Por isso mesmo, ricos, o que eu acho é que em vez de se ensinar uma gramática demasiado técnica para no básico, devia rever-se o que se dava na antiga quarta classe,… pois não serve criar o Dia da Língua se não cultivamos a Língua em cada dia…

Meus queridos! Já deixei de ouvir notícias sobre confinamentos e desconfinamentos, pois, como se dizia no meu tempo de escola, é muita areia para a minha camioneta. É o primeiro-Costa a dizer que se não fosse a TAP, os Açores e a Madeira estariam isolados… Mas não era isso que se pretendia para evitar contágios vindos de fora, no período mais agudo? É o meu querido presidente emérito -César a dizer, e muito bem… que a TAP queria “lixar” a SATA; é o paga-não paga hotéis para quarentena, com declarações e contradeclarações de inconstitucionalidade; é o usa-não usa máscara… e não sei mais quê. Como não ficar desorientada? O melhor é nem ouvir, ainda por cima com tantos e tantas especialistas que agora andam para aí a tentar ter o seu minuto de fama à conta da Covid-19…. Por mim, ricos, cá me vou ficando aqui na minha Rua Gonçalo Bezerra.

Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço saiu esta semana com a sua máscara para dar um passeio, coitadinha, porque está a ficar toda enferrujada por estar em casa há já quase dois meses. Lá foi a ela a pé pela Avenida Litoral e pela Avenida do Mar até chegar à Praia do Pópulo e não falou com viv’alma por via dos contágios, mas consolou-se com a fresca brisa do mar que foi respirando. Diz ela que nunca viu na sua vida tanta caravela portuguesa nas areias da Praia das Milícias e do Pópulo como agora. Até parece que as ditas cujas vieram dar à praia porque não tem banhistas no mar, a que possam dar umas arranhadelas… São aos milhares e sem banhistas, nos areais mais parecem sítios fantasmagóricos. Também com tantas caravelas e águas vivas, quem se atreve a um mergulho? De resto, diz a minha prima, o sossego é palavra de ordem, e na Avenida João Bosco Mota Amaral até a erva dos passeios e dos espaços relvados está toda em flor já que nunca mais viu roçadeira nem mondadeira… enquanto as ratazanas que habitam as galerias da Calheta ali se passeiam à vontade…

Ricos! Quem está muito triste neste Domingo é a minha prima Maria da Vila, que hoje estaria em festa para honrar o santo padroeiro da Ilha e que este ano não sai na tradicional e grandiosa Procissão do Trabalho, embora ela possa ir vê-lo à porta da Igreja Matriz da velha capital, onde estará todo o dia, no meio de um jardim de flores. Mas o que a minha prima mais estranhou foi que o renovado e irreverente jornal “A Crença” que é propriedade da Matriz de Vila Franca do Campo, não tenha feito a mínima referência ao dia, a não ser uma notinha de agenda em canto de página, sobre a dita festa. Diz ela que São Miguel não sai à rua mas podia sair no jornal, ou só as celebrações por televisão e net é que contam? Desabafa a minha prima que sente que a velha Crença deixou de ser um jornal da Vila e que até os antigos e habituais colaboradores com temas locais já nem escrevem, diz ela que não sabe se é por não se sentirem enquadráveis no estilo do jornal, que por sinal perdeu o cabeçalho. Lá tentei acalmar a minha prima, dizendo que acho que a Crença vai continuar a ser sobretudo um jornal da Vila…

Meus queridos! A minha sobrinha-neta já fez o seu IRS há mais de 15 dias, mas este ano, naturalmente porque não há eleições lá para os lados do rectângulo, não há pressa nenhuma em fazer os reembolsos. Diz ela que quando contava receber o IRS, recebeu foi o IMI, para pagar sem apelo nem agravo no mês de Maio. Numa altura em que há tanta gente sem trabalhar e ganhando menos e em que se multiplica a propaganda de tantas ajudas para toda a gente, sem a gente saber realmente o que de verdade chega a cada um, não seria uma boa ideia prorrogar o pagamento do IMI até pelo menos ao mês de Julho. É que no mês de Julho muitos reformados e outros trabalhadores recebem a dobrar por via do subsídio de férias e aí têm uma folga maior para pagar a dita dolorosa… ou então paguem os reembolsos do IRS mais depressa. É que esta coisa de apertos… toca a todos… 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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