5 de maio de 2020

Temas ao Acaso

Assim ...se vê... A força do P.C.

NOTA PRÉVIA:- Decerto que o leitor mais atento ao que escrevo deve ter notado que, no meu último trabalho publicado a 28 de Abril, o título nada tinha a ver com o texto. Aquando da paginação do jornal, alguém leu mal aquele título. Errar é humano. O título correcto daquele escrito é:- DESRESPEITOS e não DESPEITOS como foi publicado. Pelo facto peço desculpa aos meus leitores.

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No início da era democrática em Portugal, os filiados no Partido Comunista Português quando desfilavam nas ruas de qualquer lugar, freguesia, vila, ou cidade, de punho direito erguido, gritavam a plenos pulmões a frase que titula este trabalho:- assim se vê a força do PC.
Há que reconhecer que, espírito de militância não falta aos filiados daquele partido; mesmo que para tal tenham de engendrar “legalidades” para que “a coisa” aconteça.
Foi o caso das comemorações do 1º de Maio – Dia do Trabalhador – organizado pela CGTP-Intersindical. 
Este ano, apesar de decretado o estado de emergência no país, e que, por isso mesmo, não eram permitidos ajuntamentos na via pública, nem tão pouco permitido “saltar” a cerca concelhia que o governo entendeu estabelecer para o passado fim-de-semana, aquela central sindical, não se coibiu de organizar tais manifestações.
Uma vez que os participantes na dita não estavam a fazer compras, não foram à farmácia, não foram passear o cachorro, o público deste país não entende a que cargas d’água foram autorizadas tais manifestações. Eu também não entendo!
Curioso foi notar a presença dos líderes máximos da “irmandade CDU” repetindo a estafada teoria da defesa dos trabalhadores, com direito a entrevista televisiva e tudo.
A única diferença entre este ano e os anos anteriores foi a de não ter havido grandes festanças nem grandes e longas intervenções contra o “capital” deste país que, na perspectiva deles, deveria ser todo nacionalizado para que todos – do primeiro ao último cidadão – tivessem de depender do todo-poderoso estado e dos seus comissários políticos, como aconteceu em 1975.
Bem esteve a UGT que comemorou o Dia do Trabalhador pelas redes sociais, em total obediência à lei imposta pelo governo. Parece que, para a UGT, a democracia é para ser respeitada por todos.
No campo político-sindical é notória a intromissão da CDU em directórios de muitos sindicatos, principalmente naqueles que actuam em áreas estratégicas tais como a distribuição de combustíveis, estiva, transportes públicos e muitos outros.
Quem não se lembra da greve dos motoristas de cargas perigosas que quase ia paralisando o país tendo sido necessário recorrer à requisição civil?
No que ao trabalho portuário diz respeito, os sindicatos, na sua prática – política, demonstram forte influência comunista.
Contudo, aguarda-se com expectativa se, quando acabar o estado de emergência na próxima semana, será cumprida a promessa do Sindicato dos Estivadores e Actividade Logística no porto de Lisboa, da manutenção dos serviços mínimos para o tráfego com destinado às Regiões Autónomas, ou se, ao invés, voltaremos à estaca zero em matéria de reivindicações salariais, aumento anual de horas extraordinárias, etc.
Sobre esta matéria gostaria de referir que tenho conhecimento da intervenção do Dr. Diogo Marecos, administrador da Yilport que, na Comissão da Assembleia da República, demonstrou por A+B aos deputados presentes os motivos que causam os já elevadíssimos salários ali auferidos pelos estivadores, bem como, dos “esquemas” por eles utilizados. 
Naquela Comissão, a argumentação do deputado do PC foi quase uma cópia fiel da argumentação do Presidente do SEAL apresentada às televisões aquando do início da greve.
Ainda bem que, agora, os ânimos parecem mais calmos. Porém, é de toda a justiça realçar que, para os Açôres, nomeadamente para S. Miguel, não chegámos a ser tão penalizados como se temeu ir acontecer.
Se Deus quiser, e sem covid’s, aguardam-se dias melhores.
Voltando às comemorações do 1º. De Maio, em minha opinião, a lei foi contornada pelo PCP e PEV.
Com a bonomia das autoridades, claro está.

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
3 de Maio de 2020 

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Categorias: Opinião

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