25 de março de 2020

Viagem às nossas escolhas

Em tempos como este que vivemos não há forma, por mais inconsciente ou leviana que seja, de não pensarmos no nosso mais recente eixo económico… o Turismo!
Cabem aqui milhares de variáveis, todas elas envoltas no dobro de outras sinaléticas e incógnitas, que não se dissociam de amargos de boca e receios intermináveis.
Não estávamos preparados, ninguém estava preparado, o Mundo não previu, ou foi prevendo devagar, com o medo de quem faz questão de desconhecer e aceitar o que inequivocamente chegará por egoísmo absoluto, de por imposição ter que adaptar-se e mudar comportamentos…
Chegaram, como aliás teriam que chegar, impostos pela calamidade pandémica a que estamos todos expostos!  
Não cabem nem devem estar presentes neste espaço temporal preocupações que não estejam expressamente ligadas a questões sanitárias, do bem-estar e saúde da nossa população e dos meios, sejam eles de recursos humanos ou de equipamentos, que possam fazer face ao acompanhamento, cuidado e tratamento dos Açorianos. O tempo não é de política, de políticos ou líderes que se preocupam com a ética e a diplomacia que entendem agora cumprir escrupulosamente, com reverências e acenos de cabeça fortuitos, que para além de incomodarem profundamente quem vai ainda respeitando e usando como revestimento da alma, o orgulho e necessidade molecular de se sentir açoriano, exige estarmos todos posicionados noutro registo…
Nunca como agora a nossa insularidade, simples e tão afagada por outros noutros tempos e noutras circunstâncias, para «pedir» apoios… isso sim, foi tão necessária para uma saída menos dolorosa, perigosa e incerta quanto à nossa vivência presente e futura.
Ninguém dúvida, nem mesmo os quase acéfalos, que a nossa situação geográfica nos teria permitido ultrapassar este contexto de pandemia de forma menos restritiva, menos invasiva e muitíssimo menos perigosa, se nos tivéssemos escudado corretamente e se tivéssemos aprendido, lá está, com os que já estavam a implementar medidas e recursos, confinando territórios, lugares e fronteiras.
Nem numa situação de calamidade como esta conseguimos ser proativos…fomos obrigados a assistir a uma reatividade chocante, imbuída de tamanha ignorância e desleixo com implicações gigantescas de responsabilidade para cada um de nós!
A Política cai, tem que cair quando se assume um caráter sanitário!
Que representantes são estes que em detrimento da saúde pública de uma Região, esperam respostas de cartas e consentimentos exteriores, quando devem e digo devem, ser os primeiros a tomar medidas de proteção, por quem lhes confiou o seu destino?
Porque assim dizem, se lermos com extremo cuidado, Constituições e Decretos Autonómicos?
Soldados, Pelotões, Regimentos, Exércitos? Sem armas? Nem com os neurónios disponíveis de alguns, que ainda vão fazendo questão de se manterem à tona, se ganham batalhas e guerras como esta!
O primeiro e único passo aceitável, e deixem-se de argumentos que não se sustentam porque pura e simplesmente são constituídos de areia, seria fechar fronteiras… Não entra e só sai quem deve regressar aos seus territórios. Mar e Ar, controlados. Ainda ouvimos de quem de direito «são Bem-Vindos»! Mas qual o turista que em plenos poderes de capacidade intelectual, pretende fazer férias em quarentena e prolonga-las?
Percebam, não estamos em situação de proporcionar estadias nem férias a ninguém… Estamos em situação de convidar a sair quem de forma responsável e sensata já devia ter tomado esta decisão…
Lamentavelmente reagimos tarde e nos próximos tempos vamos ter todos a verdadeira consciência disto mesmo.
Vem-me imediatamente ao pensamento:por um pagam todos...
Acredito e creio que todos acreditamos que com serenidade, cumprimento e respeito pelos outros, ultrapassaremos esta fase pérfida da nossa História, mas como povo e sozinhos… não ficaremos a dever nada aos nossos líderes.
Haja saúde!
 

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima