Vila Franca do Campo surge como novo palco para a 7.ª edição do Festival Tremor

São Miguel é o epicentro por cinco dias para 30 bandas, DJ’s e produtores artísticos

 Durante 5 dias, mais de 30 bandas, DJ’s e produtores “farão de São Miguel o epicentro para uma experiência que integra concertos em salas, performances surpresa e apresentações na natureza”. Os concertos serão realizados pelos vários concelhos da ilha de São Miguel. Relativamente aos locais, o director do festival refere que este ano “há espaços de conforto, que garantam qualidade à experiência das pessoas que frequentam o festival. Há espaço para todos. São maiores, mais acolhedores, a circulação é mais fácil. E esperemos que seja mais facilitada para todos.
Para o dia 31 de Março, primeiro dia do festival, Gabber Modus Operandi, Gonzo, Jerry the Cat e Escola de Música de Rabo de Peixe, Push 1 Stop & Qiklow e Samuel Martins Coelho integram o cartaz. No dia seguinte, dia 1 de Abril, haverá várias residências artísticas. Tremor Todo-o-Terreno, Atlas São Miguel e Filho da Mãe, Norberto Lobo e Ricardo Martins (que se vão estender pelos restantes dias), bem como uma visita guiada pela exposição “Epicentro-Milagre” e um concerto “Tremor na Estufa” que acontecerá também no dia 2 e 3 de Abril. Relativamente a este, “é uma secção que propõe 3 concertos em 3 concelhos diferentes e em lugares surpresas. O anúncio do lugar será efectuado no dia do concerto às 11h da manhã, podendo este ser em espaços patrimoniais, culturais ou ambientais.
Juana Molina, MC Yallah & Debmaster, Dj Fitz actuam também no dia 2. Na Sexta-feira, dia 3 de Abril, cujas actuações decorrerão todas em Vila Franca do Campo, encontram-se programadas as seguintes: 33EMYBW, Follakzoid, Romero Martín e Warmsduscher, não esquecendo das residências artísticas. Como é habitual, o último dia do Tremor ocupa a cidade de Ponta Delgada. Angélica Salvi, Dirty Coal Train, Ferro Gaita, Anna Meredith, GIO, Solar Corona, Lil Kyra e La Flama Blanca são alguns dos nomes que compõem o cartaz. Os açorianos Luís Gil Bettencourt e Mário Raposo e a banda de metal In Pecattum também actuam no dia 4, tal como Lena d’Água, cantora portuguesa cujo nome já havia sido anunciado no passado mês de Dezembro. Neste dia, realiza-se também o Mini-Tremor. Tal como sucedeu no ano passado, volta novamente ao Estúdio 13. Mas este ano, a Black Sandbox Skate Park abre portas para os públicos mais novos. “Ritmo, som e plasticidade são os motes do Mini-Tremor”. As actividades dedicadas ao público infantil são de acesso gratuito e para todos. “

Exposição e cinco residências artísticas

“Epicentro: Milagre” é o nome da exposição colectiva que marca o 5.º aniversário do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas que irá ser inaugurada a 29 de Março, estando patente até 28 de Junho. Criações de Francisco Lacerda, Tito Mouraz, João Ferreira, Berru, Vicent Moon e Pricilla Telmon vão integrar a exposição. Segundo António Pedro Lopes, foram convidados artistas ligados ao som, à imagem, ao vídeo, à performance, à fotografia, entre outras áreas, para criar uma exposição que transmite como é que “a nossa identidade cultural é formada pela nossa situação geográfica. Ou seja como é que os Açores das tempestades, como é que os Açores do divino, como é que os Açores dos terramotos, de alguma forma criam em nós rituais, hábitos culturais, manifestações públicas e que nos ajudam de alguma forma a aguentar aquilo que é o desconhecido
Relativamente às residências artísticas, na edição deste ano, contabilizam-se cinco, “que vão propor criações e espectáculos inéditos nas áreas da música e artes performativas”. Ana Borralho e João Galante encontram-se à frente do projecto “Atlas” desde 2012. Percorrem várias cidades pelo mundo e cada uma destas apresenta a sua versão. O espectáculo procura 100 pessoas pela ilha de São Miguel – até à data de ontem, já tinham 62 – que possam participar pois o objectivo é fazer “um raio-x da sociedade e uma cartografia através das profissões”. Não há distinção de idades, profissões ou enquadramentos sociais. “O mais interessante é a ideia de diversidade para todos.” A Associação de Surdos de São Miguel volta a participar no Tremor, sendo já a sua 3.ª edição. Ema Gonçalves partilhou que no 1.º ano em que lhes foi feito o convite, ficaram um pouco aflitos pois nunca haviam participado em algo do género que envolvesse música. Apesar da falta de autonomia que sentiram na sua primeira participação, no ano seguinte, já sabiam para o que iam. “Não ouvimos, mas sentíamos a música como? Através da vibração do chão de madeira, por exemplo. Estamos muito satisfeitos e entusiasmados por participar outra vez. Tem sido muito positivo”. Para António Pedro Lopes, o projecto Ondamarela é algo que não pode parar e do qual o Tremor tem muito orgulho. “É um projecto de transformação, que faz sentido no Tremor e na vida de muitas pessoas”. Considerados “a jóia da coroa” e participantes todos os anos do festival é a Escola de Música de Rabo de Peixe. Este ano, em colaboração com o músico Jerry the Cat, vão abrir o evento. A realização de workshop de música encontra-se também nesta residência. Carlos Mendes, Presidente da associação musical, explica que a colaboração entre a Escola de Música e o Tremor “tem sido fantástica. Temos sido desafiados todos os anos para produzir algo novo. É também uma oportunidade de visibilidade muito grande do trabalho da Escola que para ano já completa 20 anos de existência”. Realizado na Vila de Rabo Peixe, este é para António Pedro Lopes um projecto transformador. Um outro projecto também ligado à música e à comunidade é o Tremor Todo-o-Terreno “pois é um princípio de um trilho pedestre e de uma experiência musical. Oferecemos ou desafiamos um artista a elaborar uma composição para ser escutado em duas partes: primeiro em fones e depois ao vivo, na natureza.” Esta residência conta com a participação do saxofonista Luís Senra, da realizadora Sofia Caetano e dos artistas PMDS. Relativamente ao trilho, só se saberá qual no dia da programação. Este ano, vão triplicar as sessões passando de duas sessões para seis. Filho da Mãe, Norberto Lobo e Ricardo Martins também contemplam o leque das residências artísticas, criando “música nova e um concerto com estreia absoluta no Tremor”. 

Vila Franca do Campo pela 
1.ª vez no festival

O concelho era o único de São Miguel onde ainda não tinha sido efectuado nada no âmbito do festival. “Ganhando a 6.ª feira do festival, inclui surpresas, projectos comunitários, concertos pelo Açor Arena e pelo Mercado do Peixe”, que encontra-se actualmente em obras.
Para Ricardo Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, “tentar encontrar espaços quer seja através da música ou outras performances que possam acontecer naquele concelho, constitui-se uma curiosidade” pelo facto de saber quais os espaços onde irá acontecer o Tremor. No entanto, alguns destes vão encontrar-se no “segredo dos deuses” até ao dia das actuações. “É com satisfação e alegria que Vila Franca do Campo se junta ao Tremor nesta edição” e segundo Ricardo Rodrigues, espera que a parceria seja para durar. 

Sete anos de existência

António Pedro Lopes refere que realizam o festival “todas as vezes como se fosse a primeira e todas as vezes como se fosse o último”. Segundo o Director, para esta edição, procurou-se mostrar “um festival de pessoas”. Conforme explicou, Nuno Miranda e Miguel Felgueiras estiveram em residência artística a fotografar e a filmar com pessoas pela ilha toda. As imagens são cicatrizes, tatuagens, marcas na pele que evocam o Divino Espírito Santo, Santo Cristo, Frente de Libertação Açoriana, picadas de águas vivas e caravelas do mar, cicatrizes da vida, de trabalhar na agricultura, na pesca, na construção civil. “A ideia era mesmo procurar como é que de alguma forma se pode fazer um festival de pessoas. Uma componente importante a salientar é que são todos anónimos.” 
Com a componente ecológica sempre presente não haverá os conhecidos eco cups: “as pessoas podem trazer o seu próprio copo de casa”. A Atlantic Bikes será implementada no festival para que as pessoas possam andar por Ponta Delgada de um modo mais ecológico. 
 Para a Directora Regional, o Tremor é um festival de inclusão, com públicos diferenciados e com uma grande aposta na formação de novos públicos. Além disso, refere que envolver os públicos “escondidos”, bem como algumas das artes, reforça a ideia de inclusão. Susana Costa realçou também os 7 anos de festival:  “é uma preocupação de legado que o Tremor já deixou e eventualmente deixará nos outros anos subsequentes. É importante olhar para o festival e perceber o contributo geracional que vai deixar para o desenvolvimento da cultura e para algumas artes em particular”.
A associar-se desde o início do festival, a Câmara Municipal de Ponta Delgada congratula o evento que “ajuda e coloca a cidade num panorama cultural não só a nível regional, mas também a nível nacional e internacional”. Segundo José Almeida Mello, é um projecto para continuar a apoiar e que valoriza de facto outras artes que não são tão valorizada nos Açores. “É um festival que não está limitado a um só território, neste caso à cidade de Ponta Delgada, mas também percorrendo outros concelhos de São Miguel. É um projecto mágico que promove as artes”.

 

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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