16 de fevereiro de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! Lá para os lados de São Bento, os doutos proponentes da eutanásia julgavam que iam talhar o cozinhado debaixo de um alqueire para evitarem uma discussão pública alargada e conseguirem a aprovação mais ou menos à socapa, de matéria tão sensível, …enquanto a opinião pública e os habituais comentadeiros se entretinham com os escândalos da Isabelinha ou o pânico do coronavírus. Mas, mesmo assim, nem os afectos indianos do meu querido Presidente Marcelo conseguiram que o debate se viesse a passar sem a merecida reacção e intervenção pública. Em todos os assuntos que mexem com a vida, nada é só preto e branco, nem nada se compadece com um simples sim ou não, a favor ou contra. Mas há coisas que são do senso comum e por isso mesmo é duro, por exemplo, ouvir a deputada Isabel Moreira dizer que a vida humana não é um valor absoluto. Então se não é absoluto, por que motivo ela (a vida, por via das confusões) é inviolável? Num país que ainda não implementou e onde a maioria das pessoas nem sabe o que é um testamento vital, saltar para a eutanásia é dar uma espécie de presente envenenado antes de sabermos o uso que se poderá fazer dele. Tratar da vida e da morte é matéria que requer muito cuidado e convém ler os  trabalhos que existem de grandes especialistas sobre o ante mortem… Por mim, ricos, imaginem que eu lucidazinha da silva deixo um papel assinado e, de repente fico com as minhas faculdades mentais toldadas e alguém escreve no dito cujo que eu quero ser eutanasiada. É que as leis são como os fundos dos cestos de vimes, sempre com buracos para todos os gostos… Também não vou muito com referendos, porque a vida não é para referendos, e já viu no que deu o do aborto que se converteu no mais prático anticonceptivo de Portugal e arredores… O que eu sei dizer é que passo a passo vão matando tudo o que lhes impede o caminho que traçaram de criar a nova civilização sem valores que sempre sonharam…


Ricos! E já que estou a falar de eutanásia e sua despenalização, primeiro passo para depois se ler liberalização, não posso levar à paciência que os ricos  do partido das Pessoas, Animais e Natureza,  mais conhecido por  PAN, sejam tão discriminatórios quanto à  sua política… Por causa das coisas, começo por dizer que gosto muito de animais, crio-os e cuido deles com muito gosto e carinho, e tenho muitos lá em casa, sem esquecer os ratos que de quando em vez fazem a sua visita… Mas, em consciência,  não posso deixar passar em claro a incongruência que é o PAN andar por tudo quanto é canto há anos a berrar e a exigir que se acabe com o abate dos animais errantes que andam por fora… e mesmo aqueles  que estão doentes e estropiados albergados nos canis, … e depois têm o desplante de apresentar um projecto de eutanásia aplicado aos humanos. Fica tudo dito sobre tanta contradição que aliás não é de admirar, porque foi este mesmo PAN que pediu taxa de IVA reduzido para os alimentos para animais e não votou a favor dum projecto de alteração para taxa reduzida do mesmo imposto para alimentação de bebés e crianças. E assim aos poucos vamos sabendo quais os interesses que movem os ditos cujos…Viva a PANALIZAÇÂO para a nova civilização animalesca.

Meus queridos! E como não há duas sem três, também não quero deixar de dizer aqui nos meus recadinhos que fiquei para Deus me levar quando o mesmo PAN veio a público dizer que a batalha das limas em Ponta Delgada deve ser suspensa até que se encontre material alternativo ao plástico. Já disse aqui o que penso sobre estes fundamentalismos todos, mas não insistam e não inventem números de toneladas de plástico para um evento em que exemplarmente e minutos depois, os plásticos quase todos são retirados da avenida pelo pessoal da Câmara e mesmo que por falta de civismo alguns fiquem na rua nada é comparado com o que se vê todos os dias por essas grotas e canadas e por esses pastos adiante onde muitos ainda deixam os plásticos e os sacos de adubos e rações por aqui e por ali, além das toneladas que sobram das garrafas de águas, sumos, coca colas e aderentes… E depois venham falar de ecologia quando não se tomam medidas para fazer a transição do plástico para o vidro… O que é preciso é repor regras de outrora que foram sendo ultrapassadas pela sociedade do consumo desbragado que as multinacionais impuseram e controlam através dos lóbis que sustentam…

Ricos! Quero mandar daqui um beijinho ternurento ao meu querido e sempre activo Albano CYmbron, por ter lançado o seu livro contando a história do ciclo da laranja nos Açores, em co-autoria do inglês especialista em viagens, David Sayers. Não li ainda o livro, mas a minha amiga Nélinha, que já o leu disse-me que é um retrato muito bom de um ciclo que foi muito importante para a economia das ilhas e deve ser lembrado nas escolas, sobretudo nas do ensino profissional para servir de incentivo a quem se prepara para abraçar uma profissão. 

Ricos! A minha prima Maria da Praia telefonou-me contando que esteve na Terceira o recém eleito Presidente do CDS Francisco dos Santos que veio juntar as partes desavindas do Partido nos Açores… Maria da Praia não soube muita coisa do encontro, porque mantêm-se uma cortina de silencio depois do anuncio sobre o milagre da  reconciliação… Costuma dizer-se que em tempo de guerra não se limpam armas, e como a guerra eleitoral está à porta mais vale juntar as armas que o CDS tem para irem todos à luta em Outubro próximo porque segundo diz a minha Prima Maria da Praia, o ar rosa que paira sobre a ilha de Jesus está a esvair-se e tudo pode acontecer… Isto é, o CDS poderá voltar a ser uma tábua de salvação e por isso as hostes têm de estar unidas até lá!  

Meus Queridos! Como sabem, não sou mulher de meter em coisas da política, mas gosto de saber o que se vai passando na Casa da Democracia que é a Assembleia Legislativa dos Açores, e durante a semana que passou… fui acompanhando os trabalhos de mais uma Sessão, para me ficar a saber as matérias tratadas pelos vários partidos políticos lá presentes. Como sempre, o solitário e real  Deputado Paulo Estêvão que trabalha mais do que meia dúzia… quis saber a razão pela qual o Governo não respondeu ao pedido que havia feito para que lhe fosse remetido o Plano de negócios do Grupo SATA, e que pelos vistos levou à demissão inesperada da anterior Administração, presidida pelo economista António Luís Teixeira…
Lá o Governo explicou em linhas gerais os requisitos impostos pelo único accionista que do Grupo, que é a Região, mas não se mostrou disponível para remeter o Plano Estratégico exigido pelo Deputado do PPM, alegando que tinha perdido a validade com a entrada da nova Administração… Juro que não sou mulher de enredos, mas não sei porque razão o Governo não manda ao Deputado o dito Plano de Negócios, pois assim evitaria que se criasse a ideia que “há gato escondido com o rabo de fora”… Cá por mim vou esperar até Março para ver o novo Plano de Negócios, e o arrocho que ele vai trazer e as dores que vai provocar, como prometeu o actual Presidente do Grupo SATA. 

Meus queridos! Já se foram os Amigos, as Amigas, Compadres e Namorados… Agora faltam só as Comadres e Domingo Gordo está mesmo à porta, com as suas tradições de bailes, danças, cortejos e malassadas. Daqui quero mandar um ternurento beijinho para a Orquestra Ligeira aqui da minha cidade-norte que está a recuperar a tradição da dança dos cadarços que era tão comum em São Miguel e que realmente quase desapareceu. Oxalá que sirva de exemplo a outras localidades. Estou a lembrar-me da Fajã de Cima, da Povoação, de Rabo de Peixe, e da Ribeira das Taínhas, esta última bem activa até há dois ou três anos e que bem merecia voltar a sair pela sua grande qualidade e até porque mantinha os trajes quase seculares e as mesmas, modas de sempre. Espero que em vez de importações brasileiras que são próprias do calor da época de Verão do hemisfério sul, sigam o exemplo daqui da minha cidade norte… e passem por aqui, na minha Rua Gonçalo Bezerra que vão de certo gostar! Parabéns!

Ricos! Um dos sinais de que já ninguém pensa em crise e falta de pilim foi coisa que já se esqueceu foi ver os nossos restaurantes no dia, principalmente na noite dos Namorados. A minha sobrinha-neta, que é uma descuidada nessas coisas de sociedade, só se lembrou de reservar um lugarinho para jantar com o seu “boyfriend” na própria Quinta-feira… Telefonou a meia dúzia de restaurantes e não conseguiu mesmo um que tivesse uma mesinha para dois… Tudo estava esgotado. Diz ela que acabou por ir comer um cachorro quente do Maurício lá para os lados da Avenida. E garante que cachorros como os do Maurício não há mesmo em lado nenhum… E com cheirinho a maresia, ainda melhor. Bem bom que ainda há essas datas para verdadeiras casas cheias, porque também é bom ir tirando a barriga das misérias… São Valentim, se é que ainda existe, tudo perdoa!

Ricos! Li há tempos no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, que a Câmara ainda do meu querido presidente Bolieiro tinha decidido arrancar as árvores do parque urbano que tinham morrido duma doença contagiosa qualquer. Não é por mal, mas todas as vezes que passo pela via rápida vejo uma fila enorme das ditas cujas mortas e secas e já não sei bem se estão ali à espera de ressuscitar ou se com a basteza de plantas que ali há, o pessoal custa a lá chegar para arrancar. É que aquilo dá um aspecto de descuido que não vale a pena, a não ser que elas sejam de folha eternamente caduca…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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