Marina Pereira: “É revoltante, frustrante e angustiante tentar chegar a um projecto sem conseguir os devidos apoios...”

 Correio dos Açores - Como chega ao mundo da música?    
Marina Pereira - Cheguei ao mundo da música desde “pequenita”, pois já estava nos genes, ou seja, na minha família quer paterna, como materna sempre houve influências musicais. 
Eu já nasci no mundo da música. Está no meu ADN, pois tenho influências musicais dos lados da família. 
Do meu lado paterno, a minha tia avó (Germana), infelizmente já não está entre nós, era professora de piano na Ribeira Grande. O meu pai (Duarte Pereira), o meu tio e o meu primo (José Pereira e Emanuel Couto) tiveram uma banda. 
Do lado materno, fizeram parte da filarmónica da freguesia onde morávamos, as conhecidas “bandas de música”. Inclusive, o meu tio (Emanuel Pimentel) foi Presidente da mesma, a Sociedade Filarmónica Progresso do Norte da vila de Rabo de Peixe. Não posso deixar de mencionar a minha tia Fátima, que em todos os nossos convívios familiares, nos brinda com verdadeiras actuações de fado. Um autêntico espectáculo. Estas “influências” musicais, despertaram em mim a vontade e o prazer de cantar. Tenho memória de começar a cantar pelos 5 anos de idade, nesta altura o meu público eram os familiares e amigos! Tenho fotografias destes momentos únicos, passados com muita alegria. Os meus padrinhos gravavam, de propósito, músicas para eu depois ouvir, quando ficava em casa deles a dormir (saudades). E assim foi a minha entrada no mundo da música, sempre com muita música e alegria em meu redor.

A festa de anos da sua prima Mafalda marcou a vida como cantora?
(Risos) Marcou sim, foi no dia 16 de Setembro de 1998, ou seja, foi no dia de aniversário da minha prima Mafalda que iniciei a minha vida musical profissional.
No bar da vila de Rabo de Peixe, o Pixis. Bem, o tempo passa… já lá vão para 23 anos!

Quais as referências musicais?
Não tenho uma específica.

Te formação musical?
Aos 10 anos estive na escola de música que existia ainda na Ribeira grande. Tive aulas de guitarra eléctrica e órgão durante 1 ano. Mas, infelizmente a escola abriu falência e fiquei por aí. Digamos que aprendi apenas o básico, não adquiri mais nenhuma formação na área. 

Contes como foi a primeira atuação? 
A minha primeira actuação em público foi com o Pedro Silva, no bar “o Pixis”, tal como referi anteriormente, o bar tinha um ambiente descontraído e cantava-se muito bem. Mais tarde estreei-me com a banda, é uma experiência bem diferente. Ainda tenho gravado na memória como se fosse ontem, foi em Sta. Cruz da Lagoa, cantei lá com a banda “Os Miragem”. Eram dos Ginetes, a qual confesso ter muitas saudades, pois tínhamos um convívio muito bom para além de muito trabalho.
Recordo-me que estava nervosíssima, pois tinha receio de errar, mas Graças a Deus correu tudo muito bem. Os meus pais lá estavam para me apoiar, como sempre. Sou uma sortuda!

Quais são os seus géneros musicais?
Tenho vários. É uma questão que eu própria não consigo seleccionar, no entanto, adoro o Funk Pop Rock, Pop Rock, DeepcHouse.
Portanto, é uma mistura.

A música açoriana influência-lhe a carreira?
Nem por isso. 

Quais as bandas que mais a marcaram?
Gostei de todas as bandas que toquei, não posso distinguir uma apenas, pois todas foram de “vividas” de forma diferente e especial.
Tive o privilégio de trabalhar com grandes músicos e amigos. Nomeadamente, Pedro Silva, Emanuel Amaral, Jaime Goth, Henrique Ben David, Emanuel Bettencourt, Nelson Belchior, Romeu Presunça, André Freitas, Filipe Frazão, Cristóvão, Dino Oliveira, Raul, Luís Bettencourt, Alexandra, Alfredo, Orquestra Ligeira de Ponta Delgada, Alberto, Rui Prata, banda Stereo Mode, banda Black Out, Verónica Arruda, Rui Faria, Emanuel “bolacha”, João Pedro Pais, Pólo Norte, P’la Guita, Banda XPTO, Clayton, entre muitos, muitos mais. Um dia deste apresento uma lista em folhas A3 (se chegar)… ahaahah.
A todos, um beijinho!

Qual o seu palco de eleição?
Palco de eleição? Não tenho propriamente um palco seletivo. 
Mas, confesso que adoro cantar no Palco do Coliseu Micaelense, no palco das Portas da Cidade e em muitos outros, mas estes são especiais.

Prefere cantar a solo ou com banda?
Depende. Considero-me versátil neste aspecto. Pois adoro tocar com banda, como também em acústico. É tudo uma questão de enquadramento, ou seja, o que for mais apropriado para o espectáculo que o cliente solicita em si.

Com que artista prefere partilhar o palco?
Não tenho nenhum em particular, pois todos com quem partilhei o palco, gostei.

É fácil viver apenas da música nos Açores?
Não, não é nada fácil viver apenas da música nos Açores. 
É revoltante, frustrante e angustiante tentar chegar a um projeto sem conseguir os devidos apoios. O que nos leva a recorrer a outras formas de subsistência para podermos sobreviver. Admito que, actualmente, está um pouco mais fácil, mas não deixa de ser muito complicado ainda. 
Seria excelente ser sustentável e obter resultados e reconhecimento do nosso trabalho no meio musical.

Sente o apoio da família e amigos?
Sinto sim. Sempre senti, desde sempre me apoiaram no mundo musical. A cantar com toda a certeza, isso de encantar que seja sempre pela minha voz. Ahahah

Onde foi o melhor concerto?? 
Tive vários concertos, dos quais não consigo escolher apenas um, mas posso referenciar o concerto que mais me marcou. Foi quando cantei na abertura para o David Guetta um tema original “Summer Brings tas Ectasy”, com o Dj André, tema que conseguimos dar continuidade através do apoio da Fábrica de Espectáculos. Foi sem dúvida marcante, esse dia.    

Que público gosta mais das vossas actuações? 
Todo o público e acho que todos gostam das nossas actuações!

Percebe que a sua voz encanta a audiência?
Sim, 99% das vezes… ahaha... (brincando). Quanto estou em cima do palco, estou de corpo, alma e coração, por isso, sim acredito que consigo encantar o publico. O mais importante é que apreciem o nosso trabalho e valorizem o nosso esforço. Gosto da minha voz, e o feedback que tenho tido das pessoas tem sido sempre muito bom. 

Quais os próximos projetos?
Bem, isso já é mais complicado.
Tenho vários projetos em mãos, irão ouvir falar muito brevemente.

Como concilia a música com a profissão?
É como diz o ditado: “quando se faz por gosto, não se cansa”, e é mesmo assim. Contudo, assumo que muitas vezes é difícil, muito difícil… 
A música faz parte da minha vida, claro que tenho dias bons, dias maus, como todos. Mas quando se faz algo por paixão é mais fácil conciliar ambas.
Gostaria de deixar um pequeno agradecimento, à minha família em geral, especialmente aos meus pais, e padrinhos (Minha Estrela Brilhante) pelo apoio constante, ausente e presente, pelo carinho, pelo amor e amizade que todos os dias sinto!
Aos amigos de uma forma geral, aos mais chegados, obrigada por estarem sempre por perto.
E claro, ao querido público. Obrigada por fazerem parte do meu “mundo”.
Em último, desejo que, sejamos todos felizes.  
      
 
 
 

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