16 de fevereiro de 2020

Crónicas de Bruxelas - 64

Açores na liderança das Regiões Europeias

 


Escrevo este texto enquanto o Presidente Vasco Cordeiro discursa em plenário, a poucos metros de mim, dando o seu compromisso à construção da União Europeia enquanto vice-Presidente e, daqui a dois anos e meio, Presidente do Comité das Regiões Europeu. Estamos a minutos da votação e é um momento que gravo na minha memória e nos meus escritos pela importância, pela solenidade e pela emoção. Começando em português, passando ao inglês e, depois, em francês, o Presidente dos Açores faz um discurso que apela ao empenho de todas as regiões “que não deixe ninguém para trás”. 
Vasco Cordeiro afirma, neste preciso momento, “(…) subo a esta tribuna não apenas em nome da minha região, os Açores, mas também em nome do futuro. Subo a esta tribuna em nome da Europa. Subo a esta tribuna em nome do futuro da Europa. (…) E nesse futuro, e no excitante trabalho para agarrar esse futuro, todas as regiões e cidades interessam. Todas as regiões e cidades têm uma palavra a dizer.”
Sei que estas não são palavras de ocasião. Ainda há poucos dias, Vasco Cordeiro afirmava que “é inaceitável que, em relação à Conferência sobre o Futuro da Europa, o Comité das Regiões seja apenas convidado e não solicitado a participar totalmente.” Estava dado o mote que complementou com “Faremos tudo para tornar a Conferência sobre o Futuro da Europa uma verdadeira oportunidade. Este não é apenas um desafio de um lado. Tanto a União Europeia, os governos nacionais e as autoridades locais têm muito espaço para melhorar sua interação”. Antevejo uma presidência atenta e competente, ambicionando fazer melhor e exigindo ser parte ativa na construção europeia.
Hoje, nos diferentes discursos e intervenções são referidos os complexos desafios que se apresentam à União Europeia. Procuram-se soluções para o financiamento plurianual, para as alterações climáticas e para a confiança dos cidadãos. Essas soluções só serão possíveis, garante Vasco Cordeiro, se a União e os Estados entenderem que as regiões e cidades são os aliados necessários e imprescindíveis e que são os operativos no terreno que podem realmente fazer a diferença.
Numa ocasião recente, Vasco Cordeiro, aqui em Bruxelas interrogava-se “Por que a política de coesão é tão importante? Porque ela toca o âmago do projeto europeu: coesão económica, territorial e social. Dez meses para terminarem as negociações para o próximo quadro financeiro plurianual não é muito tempo, teremos que correr. Uma falha significaria uma falha de credibilidade da própria União Europeia.”
Segue-se agora a votação. O Presidente ainda em exercício, Karl-Heinz Lambertz, pressente que as palavras de Vasco Cordeiro são unanimemente aceites pelo plenário e sugere fazer-se a eleição por aclamação. Ninguém se opõe e, de imediato, todos os membros aplaudem em uníssono. Segue-se a eleição do Presidente para a primeira parte do mandato, que depois será o primeiro vice-presidente, Apolonus Tzitzikostas. Está feito. O futuro começa aqui. A Região Autónoma dos Açores, em Bruxelas, é agora estimada como co-líder dos 350 membros eleitos pelas regiões e cidades de toda a União Europeia. 
Depois de eleito, Vasco Cordeiro agradece e afirma perante a assembleia que é oriundo de uma região distante e composta por nove ilhas,“e é por isso que hoje este voto por aclamação diz muito mais deste Comité e da forma como os membros deste Comité encaram uma Europa de todos, do que os meus méritos e daquilo que aqui trago. Muito obrigado pela vossa confiança!” É uma forma extraordinária de terminar o processo de eleição. 
Porque sintetiza o meu sentimento de alma, para finalizar esta crónica transcrevo as palavras simples e mobilizadoras que o Presidente Vasco Cordeiro utiliza ao terminar os seus escritos nas redes sociais: 
“P´rá frente é que é caminho!”

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Categorias: Opinião

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