Designer brasileira a residir em São Miguel começou por apostar no mercado açoriano e lança franchising na Península Ibérica

 Antes de vir para os Açores, Patrícia Skrzypietz era funcionária pública. Veio para cá porque conheceu, na época, uma pessoa através da internet. Encontra-se a residir em São Miguel há 15 anos e meio. “Quando cá cheguei, vi que o salário não era compatível com aquilo que ganhava no Brasil e decidi tornar-me empreendedora.”
Não tinha experiência na área da bijuteria, mas explica como surgiu a ideia de criar o negócio: “sempre gostei muito de pedras naturais. O meu pai foi mineiro e eu já conhecia este mundo. Além disso, como gostava de jóias e semijóias, vi que aqui faltava algo. Existia muita ourivesaria e a oferta de gama nesta área era pouca. E quis fazer um meio termo entre a bijuteria e a jíia”, colmatando assim uma lacuna. 
Patrícia Skrzypietz começou então por importar as pedras naturais, o que ainda faz, do Brasil, tendo depois começado a trabalhar com o basalto. “Na altura, só existia um senhor que trabalhava o basalto, tendo sido eu a segunda pessoa a começar” na rocha derivada da lava.
Actualmente, a empreendedora já conta com 4 lojas: no Sol Mar Avenida Center, no Parque Atlântico e no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, e uma loja na Rua da Sé, em Angra do Heroísmo, tendo 12 funcionários a trabalhar. A designer agradece ao Sol Mar Avenida Center pelo facto de terem acreditado no seu projecto: “uma emigrante brasileira, recém-chegada cá à ilha, não me conheciam de parte alguma…é uma gratidão eterna”. 
Em 2009, o negócio expandiu-se para o Aeroporto João Paulo II, onde, no ano corrente, a loja irá ser reformulada. Vários anos depois, recebeu um convite por parte do Centro Comercial Parque Atlântico para ter uma flash store por um tempo limitado. “É um passo maior, dentro de uma rede já consagrada, com grandes marcas. Deu certo, renovamos contrato e estamos lá definitivamente desde 2017”, explica Patrícia Skrzypietz. No ano seguinte, inaugurou a loja da ilha Terceira. Não havendo nada do género por lá, a receptividade foi muito boa. 
Já surgiu oportunidade para abrir mais lojas, nomeadamente em Lisboa e em Palma de Maiorca. “Não consigo porque faço a parte da logística praticamente sozinha e é muita coisa. Fora a parte das vendas, a parte burocrática de ter tudo o que precisa para a loja funcionar correctamente requer um grande esforço da minha parte e eu não gosto de fazer coisas mal feitas. Ou eu faço as coisas bem feitas ou não faço.”
Nunca pensou em ter só uma loja ou que ainda pudesse ter loja para sempre. “Poderia ter vendido e feito outra coisa. Mas nunca me limitei a estar parada. Trabalho tanto no atendimento ao cliente, algo que fiz mais nos últimos 13 anos. Agora estou mais no atelier para fazer criações”. 

A concentração e a inspiração

Tentou ter o atelier aberto ao público mas, como afirma, é necessário concentração para criar as peças. “Mesmo trabalhando ao público, quando chegava a casa, ficava até às 2h, 3h da manhã a estudar porque é um campo que é necessário trabalho de casa. É preciso saber escolher os materiais, os fornecedores, saber fazer negociação de preços e estar em constante evolução”. 
A jovem empreendedora confessa que, por vezes, fica dias e dias em que não consegue criar uma peça. Mas que depois, num dia, cria uma colecção inteira! “As minhas funcionárias já conhecem os meus estados de espírito e quando estou inspirada, num dia, posso criar 10 peças”, conta.
O objectivo desde o início foi ter uma loja totalmente diferente do que se observava porque se fosse para ser igual à oferta existente, não tinha aberto o negócio. Patrícia Skrzypietz decidiu agora fazer o franchising da marca através de um investidor internacional, para além de um investidor na Região, não revelando quem é: “é uma pessoa muito inteligente, com uma dinâmica fantástica e que, apesar de não ser da área, acredita no potencial da Vega. Fizemos uma parceria com a Trema, que é a empresa que tratará de toda a parceria do franchising. Creio que daqui a 3 a 4 meses estará tudo finalizado para estarmos nas feiras e divulgar o próprio franchising.” Uma vantagem que resulta do facto de, na Europa, não existir lojas para o público feminino que conjugam as pedras naturais com o aço. 
A previsão da Trema, segundo conta a jovem empresária, é para que seja efectuado na Península Ibérica. Como revela, é possível que a primeira loja abra em Espanha e só depois em Portugal continental.
Para além da questão do franchising, ao celebrar 14 anos, houve uma alteração na sua designação. No entanto, diz que o nome da Vega “foi mudando ao longo do tempo. Não me foco apenas num termo e quando havia necessidade de troca, fazia-o.” Começou com Vega Bijoux, mas como o objectivo não era para ser uma bijuteria, tirou-se o termo “bijoux”, alterando para VegaAzores. “Entretanto, com a perspectiva do franchising, este não poderia ser com o nome regional e estive perto de um mês a pensar num nome. Acabou por ficar Vega For Star: Vega é uma estrela que pertence à constelação de Lyra, sendo a estrela mais brilhante das 5 que lá existem. O seu significado é “de estrela para estrelas pois os nossos clientes são todos estrelas”, explica a designer. O nome vai mudar em todas as lojas existentes. “Os investidores entram apenas no franchising; as lojas são 100% minhas”.  
Afirma que a hipótese de vender no Brasil está em cima da mesa. “Futuramente, quem sabe? É um mercado enorme. Estamos abertos para negociações. Este campo das joias, para uma mulher trabalhar, é maravilhoso.” Para além das 4 lojas já referidas, Patrícia Skrzypietz também tem uma loja de sapatos no Sol Mar Avenida Center. 

A oferta e o significado

A alusão às ilhas foi logo decidida desde o início. Tendo criado uma colecção dedicada às 9 ilhas do arquipélago. “Existem muitas cópias”, o que para a designer, é positivo: “é bom porque copiam o belo!” 
A Colecção “9 Ilhas – 9 Cores” engloba colar, bracelete e brincos com pedras relativas às cores de cada ilha. A par disto, a designer revela que o best seller é a bracelete representativa das 9 ilhas do arquipélago, contendo 9 pedras: “o bracelete tem uma história. Todas as pedras têm uma história e estão separadas por grupos. Só colocamos 3 pedras de basalto para representar os 3 grupos que compõem o arquipélago.” 
Sobre o que mais vende, diz ser difícil indicar. “A nossa best seller, por exemplo, tem uma história e acho que, ao explicarmos a mesma ao cliente, ele acaba por comprar não só pela beleza em si, mas também devido ao que está por trás”. 
Além deste bracelete, também têm um bracelete representativa da Lagoa das 7 Cidades, das Furnas, do Parque Terra Nostra (esta com alusão à cor da água termal).
“Dentro das pedras naturais, também temos a colecção dos signos. Para além desta, temos a linha do aço inoxidável e aí temos elementos representativos de protecção como elefantes, Mão de Fátima, âncora, por exemplo”. 
Já chegaram a pedir à designer criar peças exclusivas, mas dado o crescimento do número de lojas é difícil devido à gestão de tempo. “Quando é pedido por noivas, fazemos uma excepção. As jóias são de uma gama média-alta. Costumamos dizer que é alta bijuteria: são peças em aço inoxidável e garantimos que não dá alergia. Se o cliente vier cá, dizendo que a bijuteria causou reacção, nós devolvemos o dinheiro sem problema algum. Trabalhamos muito a parte da pedra com aço pois é uma peça que fica para sempre”, explica a designer.
Patrícia Skrzpietz refere que trabalham com várias pedras naturais: Ametista, Citrino, Jade, Quartzo Verde, Lápis-lazúli, Olho de Tigre, Labradorite, entre outras. Acrescenta que existem cerca de 40 pedras na loja. 
Relativamente aos trabalhos elaborados, a designer explica que todas as colaboradoras conseguem fazer jóias: “faço a matriz e, depois, através dela, fazem as réplicas. Algumas são especializadas só nos braceletes, outras nos anéis e outras nos colares”.

Os clientes regressam

“Já tive clientes que vieram dos Estados Unidos com a cópia do nosso cartão porque viram a bracelete «9 Ilhas – 9 Cores», gostaram, mas a pessoa, como não quis dar o cartão, teve que tirar cópia” (risos). 
Têm muitos clientes regulares e o foco da loja no Sol Mar Avenida Center é o cliente vindo do estrangeiro dada a sua localização, principalmente o público oriundo dos cruzeiros que atracam na cidade de Ponta Delgada. “Temos clientes regulares de cruzeiros que já cá vêm há mais de 7 anos.” 
Os emigrantes também compõem a grande fatia de clientes da Veja For Star. “Quando damos a garantia de que é tudo feito por nós e que a maioria delas representa uma história, os clientes estrangeiros acabam por ficar maravilhados. Voltam para o hotel e regressam depois com os amigos. ‘Palavra passa a palavra’ acaba também por ser uma publicidade para o negócio.. 
Através do site, é possível encomendar peças online. Apesar de ter sido criado há pouco tempo, a diáspora existente pelo mundo é um público-alvo. Os guias turísticos em São Miguel também já indicam a loja aos turistas. 
Ao longo deste tempo todo, confessa que gosta imenso de residir em São Miguel e que, esporadicamente, costuma visitar a sua terra natal. No entanto, com a questão do franchising, vai passar a estar menos tempo na ilha em virtude de parte do material ser brasileiro. “A minha maior realização é saber que tenho peças criadas por mim nos 4 cantos do mundo”. Agradece à família, aos amigos que tem nos Açores e todos aqueles que sempre a apoiaram pois admite que, “por vezes teve vontade de desistir” devido a motivos pessoais.

                                             

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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