14 de fevereiro de 2020

Viajamos num “Amor” voo low?

A história do dia de São Valentim: O Imperador Romano” Cláudio II”, impedia os casamentos, para ter mais soldados, nas suas tropas.
Um Sacerdote de nome “Valentim”, às escondidas, pisou as ordens do Imperador, realizando casamentos.
Mais tarde foi descoberto, torturado e condenado á morte. Sendo executado no dia catorze de Fevereiro. Esta data: 14 de Fevereiro, deu origem ao dia dos namorados,” São Valentim”.
Onde estão os jovens à procura do “amor” porto seguro? … Onde estamos amor? Para onde vamos amor? Encontrei respostas rápidas, (estamos no virtual).
Os atalhos da modernidade “virtual”, vão banindo de forma incerta, os novos relacionamentos amorosos.
Com tantas ofertas de “amor” baixo custo, temos dificuldade em segurar o básico: o relacionar, conviver, jantar em família, “sem rede”, namorar “sem rede”.
A “incerteza” do amor da modernidade: é como pegares num punhado de água ou areia, com as mãos, apertas e ele, “amor”desaparece entre os dedos, ou depositas as tuas economias num banco, acordas e, o “amor” banco foi á falência.
Mergulhamos em novos tempos, assistimos uma liquidez afectiva, insegurança que premeiam “negativamente” os futuros relacionamentos.
Este actor social, está envolvido numa teia” de afectos” do pós-modernismo, onde a rapidez se transformam em fluidez.
Vivemos numa sociedade instável, com mudanças rápidas, de tempo,” e de amor” em que as versões,” são actualizadas como a bolsa e são tratadas com bens de consumo.
O beijo oculto: pedir ao pai, irmão mais velho para namorar, era compromisso, sério e estável.
Aquele amor: conquistado nas colheitas, matanças, rezas do terço, festas da freguesia, enfim, eram rituais que davam “uma certa” prova para uma vida a dois.
Existe uma frase tão banalizada:” um dia de cada vez”, será que não haverá o amanhã? Parece que vivemos para o já e agora, dando liberdade aos desejos mais descabidos.
Aqueles “duradouros” relacionamentos do passado, vinham da nascente pura, no presente, estas águas “este amor” está poluída.
Com os avanços tecnológicos, percorrem todas as estradas “de amor” possíveis, procurando mais um/a.
Enredados, em participações amorosas, guiando relacionamentos esporádicos, “em voos de “amor” baixo custo”. O homem actual, derrama um perfume de amor descartável, “produtos enlatados”, abre uma lata lá se foi o aroma.
Este consumo “amor” de enlatados: abrimos uma lata de feijão, não gostamos, segue-se a de grão, de milho, ervilhas, estragamos … e não saboreamos.
Esta rotatividade, gera dúvida, “deixando marcas”, e medo de irem para outra “lata” aventura. Hipotecando, os melhores momentos “amor” da sua vida, só por estes desafores.
Na actualidade: “os jovens” não querem pagar o preço dos antepassados, “ou seja”, suportar um relacionamento para a vida.
Moramos num mundo descartável, somos tratados como, “números” mercadorias, escolhendo a cor, sexo, se é gordo ou magro, com tatuagens ou não.
O conceito de bauman,: sobre as relações amorosas, estão marcadas pela fluidez, frágeis, sem compromisso, livres e inseguras.
Muitos/as procuram o príncipe encantado, mas este não existe, nem a pessoa perfeita, mas “estou certo” que encontramos o outro, para um caminhar a dois.
Caminhamos com turbulência: com este amor, em época de saldos, boas ofertas, com direito a trocas, vivendo o hoje, amanhã é outro dia (tipo chiclete, mastiga e deita fora).
Os relacionamentos modernos, não precisam de se encontrar todos os dias. Com uma chamada em vídeo, encurtam a distância que os separam.
Vivem o ruído dos relacionamentos, “abertos” hoje dormimos em tua casa, amanhã na minha.
Vivemos um novo paradigma, de afectividade. As pessoas envolvidas, não vêm esta fase como uma ponte “aprendizagem” para o casamento, mas sim para novas experiencias.
No passado era “status” apresentar: este é o meu namorado/a, no presente planeiam passar despercebidos.
Tempos novos: encontrei um amigo de longa data. Divorciado à três décadas, foi para França e a ex, para o Canadá. Não tiveram a oportunidade de ver os filhos crescer, cada um seguiu o seu rumo.
”Eles” contaram-me a história “do divórcio”: mas no trilho dos tempos, voltam a juntar-se.
Nos meados dos anos setenta, trabalhava em P. Delgada, e” “conheci este casal de namorados”.
Segui á distância,” esta família abastada,”este amor para a vida. Declamavam casamento e casa de sonho.
Casaram, tiveram dois filhos. Mais tarde “o tsunami da vida” os afastou, ficando os menores, com a mãe. A senhora refez a sua vida, por pouco tempo.
Ele por sua vez, procurava amores “enlatados”: abriu uma lata de «feijão, outra de milho, de grão, provou quase todos os produtos enlatados da modernidade… amigo Jordão, “palavras dele,” …também não gostei.
Trabalhei em quatro países, reflecti sobre o meu passado amoroso. Afinal, isto não é concurso de montras, “termos dele”.
Homem sensato, de poucas palavras: pensei, repensei, afinal, onde pára o meu verdadeiro amor?
Voltei sem “um pouco” de mim, ao chegar apalpei terreno, “porto de abrigo,” fui recebido como nunca.
No presente este casal, vive relacionalmente pela segunda vez, no espaço de quarenta anos, com uma felicidade enorme.
Diz “este amigo” voltei ao meu porto de abrigo, o ancoradouro onde nunca devia ter “cortado as amarras, “abandonado. Foi o melhor investimento que fiz, “depois da partida”, aqui reencontrei a segurança e paz que não tinha.
É certo que muitos rios estão poluídos e parte da nossa alimentação, carne, peixe, águas…mas o AMOR, este… não pode e não deve estar inquinado.

Jordão Botelho
 

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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