2 de fevereiro de 2020

O que nasce mal… mal acaba!

1- Terminou o primeiro capítulo de uma história que começou a ser escrita desde 2016, quando o partido conservador britânico, decidiu realizar um referendo para auscultar o Reino Unido sobre a sua permanência ou não na União Europeia. 
2- Convém lembrar que a Europa foi um palco de sangrentas guerras, desde as disputas feudais durante cem anos, travadas nos séculos XIV e XV, envolvendo Ingleses, Franceses e Espanhóis, e que levaram ao fim do feudalismo na Europa, abrindo caminho à modernidade e a profundas transformações económicas e sociais.
3- Cinco séculos depois, no termo da 2ª Guerra Mundial, o 1º Ministro Inglês, Winston Churchill, foi um dos primeiros dignitários europeus, a preconizar a criação dos «Estados Unidos da Europa», porque ele entendia que depois da Segunda Guerra Mundial, “só uma Europa unida poderia assegurar a paz.”
4- O Presidente Charles de Gaulle, em nome da França, vetou por duas vezes a adesão da Inglaterra à Comunidade Económica Europeia, e só no dia 1 de Janeiro de 1973 é que o Reino Unido, a Dinamarca e a Irlanda aderem à CEE. 
5- Em 1975, os cidadãos britânicos são convocados para, em referendo, se pronunciarem acerca da sua pertença à CEE. A consulta popular aprovou ”o sim”, com 67 % dos votos.
6- Em 2016, isto é, 41 anos depois, voltam às urnas para em referendo, e por 51%, votarem pela saída do Reino Unido da União Europeia, o que três anos depois acontece a partir do dia 1 de Fevereiro de 2020.
7- Manda a verdade que se diga, que na década de oitenta, durante o consulado de Margaret Thatcher e em pleno liberalismo, estiveram sempre com um pé dentro e outro fora da União Europeia, e até decidiu não aderir ao Euro.
8- Os defensores da saída têm as suas razões, e a União Europeia tem de as ter em devida conta para evitar repetições agora com outros países membros. 
9- Há negociações que vão ser muito difíceis, entre elas as que respeitam ao sector das pescas, onde os Franceses e Britânicos se têm confrontado pelo controle e pesca em águas disputadas pelos dois países.    
10- Acresce que a UE tem vindo a criar uma teia legislativa diabólica, através de variadas normas que impõe depois como lei a transpor para todos os Estados membros. 
11- São normas feitas por tecnocratas à revelia dos Parlamentos Nacionais, e sem ter em conta as especificidades de cada país. 
12- A União Europeia, através da sua Comissão, tem cavalgado numa padronização legal para todos, ignorando que a aplicação de tais medidas  será feita em países muito diferentes entre si.
13- Recorde-se que em 2018, a Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) teve o desplante de recomendar a Portugal que repensasse o ensino da história em Portugal, “em particular, a história das ex-colónias” e que os manuais escolares deviam incluir a “discriminação e a violência cometidas contra os povos indígenas nas ex-colónias”. Onde chegamos! 
14- E o pior é que não se conhece qualquer reacção tomada a este respeito pelo Estado Português. 
15- Não sabemos se foi preciso mandar fazer algum estudo, ou pedir algum parecer aos consultores que ganham rios de dinheiro com o Estado para assessoram o Governo em leis e em medidas políticas que deviam ser da exclusiva responsabilidade de quem governa e da Administração Pública que lhe dá apoio.
16- Só para o ano de 2020, o Orçamento de Estado contém uma dotação de 119 milhões de euros para estudos, pareceres, projectos e consultadoria de escritórios de advogados e outros especialistas.
17- Percebe-se por isso a falta de qualidade política e desinteresse de deputados e governantes cá e lá, porque não é exigível para o desempenho da função, capacidade e saber próprio. Esse chega através dos tecnocratas que fazem e baptizam em nome dos que foram eleitos que depois sacodem a responsabilidade por não serem autores da medida ou da lei.
18- É preciso coragem para reconhecer a verdade e emendar os erros, mas o tempo voa!
 

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Categorias: Editorial

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