26 de janeiro de 2020

Recados com Amor

Meus queridos! Embora não seja mulher tarimbada nessas coisas da política, percebo que estamos a oito meses das eleições regionais e, na falta de coisas novas para… porque o tempo desgasta, os políticos lançam o que vem à mão para animar a malta… Não é por mal, mas fico pior que estragada quando ouço pessoas de peso e responsabilidade andarem para aí a tentar escrever ou reescrever à sua moda a história dos primórdios da Autonomia quando dela fugiam… como o Demónio da Cruz… É caso para dizer que “não há mal que sempre dure nem bem que sempre perdure”…  Desde que me conheço sempre ouvi falar de cristãos-novos da Autonomia e a coisa rejuvenesce agora provinde daqueles que embandeiraram em arco com a apelidada “Nova Autonomia” e agora fazem gáudio  da “Velha Autonomia”, dizendo que sem eles ela não teria existido e até se arrogam como parceiros dela. A minha prima Maria dos Flamengos, que tem uma amiga de peito que trabalha na Assembleia Regional, telefonou-me a este propósito e disse-me que já está a coleccionar uns recortes dos Diários das Sessões daquele tempo para se ver o que diziam e faziam pela Autonomia os tais cristãos-novos que nem quiseram votar o Hino e a Bandeira da Região… conclamando o orgulho pátrio e querendo que os Açores fossem uma extensão do rectângulo e das modas políticas que por lá grassavam. Para memórias curtas, nada como ir aos livros… embora como Açoriana dos quatro costados fique encantada que em saber que a revanche de outrora acabe num projecto sólido com os matizes próprios dos ciclos que se vão sucedendo… 

Meus queridos! A minha prima Jardelina anda muito intrigada com essa coisa das novas tecnologias que todos dizem que é para facilitar a vida às pessoas, mas que afinal parece que não é bem assim. Ela, que já sofre das cruzes há bastante tempo e precisa que lhe seja concedido um certificado de incapacidade para poder tratar da sua vida e daquilo que a lei lhe confere, já está há quase três meses à espera de ser chamada para o tal exame médico… depois de ter penado o gadelho… para arranjar um monte de papelada e relatórios sobre relatórios… Mas como não bastasse toda a canseira que teve para organizar o processo… pior ainda é que ela, para não ter de estar de pouco a pouco no Centro de Saúde a perguntar para quando é o tal exame médico, resolveu usar o correio electrónico que está nos sites do Governo para o sector em causa… e já mandou a pergunta para três ou quatro entidades e nada de uma resposta que seja… Ou não respondem mesmo, ou aqueles endereços de e-mail estão todos errados! E depois, se calhar ainda vem alguém dizer que não há qualquer atraso nas Juntas Médicas. É obra!


Meus Queridos! O Director do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu remeteu-me a mensagem que lhe enviou o meu querido Presidente Carlos César sobre o meu recado da semana passada esclarecendo o seguinte:
O PS/A em 1996 não empatou apenas em número de Deputados, ganhou! Tal como o Passos ganhou nas Legislativas. E a Convenção para a Nova Autonomia é que foi decisiva e não o Forum Açoreano que não tinha uma penetração para além de uma reduzida elite universitária e pouco mais que pontadelgadense.
Agradeço a deferência de Carlos César e na verdade o PS/A em 1996 ganhou em votos ao PSD/A, obtendo 51.906 votos contra 46.449 do PSD/A…. mas tal como disse, empatou em número de deputados, 24/24… Por não ser muito entendida nessas coisas de políticas, não quero comparar o que aconteceu com Passos Coelho em 2015 e o PS/A de Carlos César e Monjardino em 1996… eram tempos diferentes… tão diferentes que até perdeu validade o dito “Fórum Açoreanao”… É a vida!


Ricos! Ao ver a notícia que para a Ilha do Corvo até a farinha para fazer pão teve de ir de avião, lembrei-me que mais parece que estamos a regressar aos anos cinquenta e sessenta do século passado, no tempo do velho Carvalho Araújo. Era coisa que eu já não esperava ver nos dias de hoje, porque foi para essas emergências de mar bravo que se fez tanto esforço para se criar uma pista de aviação. Para uma população que não chega a meio milhar de almas, ainda não percebi o motivo de não ser a Força Aérea a prestar esse serviço, em parceria com o Governo Regional. Ou será que é muito complicado articular as necessidades locais e fazer abastecimentos excepcionais? Em pleno século XXI custa a entender. E o pior é que já estamos há meses nisto… e depois queixem-se do alarido do meu querido Monárquico Deputado Paulo Estêvão… Valha-nos a Senhora dos Milagres!


Ricos! Quero mandar daqui um ternurento beijinho ao sempre jovem e irreverente poeta, escritor e político, João Carlos Abreu, que leio sempre com muito interesse no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, pela ideia que teve de criar na cidade do Funchal, lá para os lados da pérola do Atlântico, a “Farmácia da Poesia”, que pretende ser uma forma de terapia dos novos tempos, através da Literatura, e nesse caso, da poesia. É sempre bom quando alguém se lembra que uma das coisas que mais está a faltar no mundo de hoje é cultivar o espírito, porque tanto materialismo até causa doença e stresse. É caso para dizer que João Carlos Abreu, figura mítica do turismo madeirense, continua a mostrar uma força invulgar que o faz estar na cidade dos poetas, no mundo dos escritores e agora até numa farmácia de poesia. Ainda um dia hei-de ver como se processam as receitas poéticas.


Meus queridos! Nesta semana que agora termina, juro que já nem podia abrir uma televisão nem olhar para um jornal lá do rectângulo. É que parece que não há outra notícia que não seja Isabelinha e Angola. Eu sei que há muitos envolvidos e envolvimentos, mas também sei que no meio disto tudo quem teve sorte foi o meu querido Primeiro-Costa que viu a discussão do Orçamento, na especialidade, ser relegado lá para os fundos dos noticiários, por via do tal caso Isabelinha. E até o Chega deixou de ter os seus momentos de Ventura, e de Joacine nem se ouviu falar. Razão tem quem diz que em política um caso só é caso até aparecer outro que o abafe… Mas não posso deixar de dizer que me faz vómitos ver tantos ratos a abandonarem o barco onde até agora estiveram a comer…. Incluindo ainda os políticos e jornaleiros que cantaram loas a Isabelinha sempre que ela tomava conta de mais uma empresa ou de um banco em Portugal….à custa dos dinheiros de Angola…. Sem ser justiceira, gostava de ver elencados os nomes de todos os banqueiros, políticos e afins que beneficiaram, apoiaram e lucraram com os negócios de Isabelinha! Anda por aí uma canalha que depois se apresenta como púdica e de alma lavada… Tenham dó e vergonha!


Meus queridos! Disse-me a minha prima Maria da Vila, que na velha capital micaelense houve esta semana uma reunião pública na Câmara presidida pelo edil Ricardo Rodrigues, transmitida online para quem quis ver e ouvir e que ia dando para o torto. O Presidente Ricardo não gostou nada que o líder da oposição dissesse que as pessoas estavam com medo de andar na Vila, por via dos assaltos que se têm sucedido, e disse que ali estava a ser espalhado pânico desnecessário e que um político que se preze nunca deve fazer isto. Palavra puxa palavra e o diálogo azedou quando o vereador do PSD entrou em diálogo interrompendo o presidente que à terceira lhe disse para estar “caladinho”. Quem não gostou foi a vereadora Sabrina e depois, o resto, só ouvindo. Diz a minha prima Maria da Vila que se soubesse que uma reunião de Câmara era aquilo, não tinha ouvido mesmo. E se vissem as caras com que todos saíram da reunião! Não havia necessidade!


Meus queridos! Com a Quinta-feira de Amigos, já esta semana, e ainda antes das Estrelas, que eram a grande tradição daqui da minha cidade norte, mas que hoje já são de toda a ilha, estamos a chegar ao tempo de Carnaval, que também é preciso um pouco de alegria para disfarçar esta vida pesada que se vai levando. Cada terra tem as suas tradições, e como sempre há os fundamentalistas que querem mudar o planeta e se calhar nem mudam os seus hábitos em casa. Todos os anos é a mesma coisa com a batalha de água na Avenida por via dos sacos plásticos. Olhem, ricos, se dependesse de mim, em vez de sacos plásticos eram bidons de água e todos de penico na mão a atirar água uns aos outros. Passa fora com tanto fundamentalismo. É mais que certo o que por aí se diz de certos ambientalistas… que fazem do ambiente o seu negócio e a maneira de ir caçando algum pilim do Governo! Cala-te boca!..


Ricos! A água da Lagoa das Furnas volta a ter cor esverdeada e espumosa, repetindo o que tem acontecido em anos anteriores. A minha prima , que vive nas Furnas, recorda-se que o Governo do meu querido Presidente Vasco anunciou em Novembro de 2018 um investimento de 21 milhões de euros no combate à eutrofização  das  lagoas das Sete Cidades e Furnas, e isso já depois de haver lançado  em Março de 2016 uma empreitada, com um prazo de realização de 450 dias, para a construção do canal de desvio de afluentes da ribeira do Salto da Inglesa e de consolidação do leito e margens do canal do Salto do Fojo. O investimento na altura foi justificado porque a lagoa ainda não tinha atingido os “parâmetros qualitativos ambicionados, devido ao volume de nutrientes como o fósforo e o azoto, que formam uma enorme carga orgânica que tolda toda a massa de água contida no leito da lagoa. Ora diz  a minha prima Esméria que de acordo com especialistas na matéria com quem ela tem falado sobre o assunto, dizem que enquanto não se fizer uma operação de limpeza dos fundos da Lagoa, através do desassoreamento de toda a carga orgânica que se encontra ali depositada, não haverá melhorias na qualidade das águas das Lagoas. Sabe-se que a operação tornará a água turva durante algum tempo, mas com antecedência a população residente deve ser alertada para o facto, senão entra ano sai ano…. a situação vai repetir-se e o dinheiro vai-se gastando sem resultados…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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