3 de dezembro de 2019

De volta à pobreza

Ninguém pode ficar indiferente aos números avassaladores sobre a pobreza que vieram a público a semana passada, pois esta é uma dura realidade nos Açores, a qual não podemos esconder ou colocar a cabeça debaixo da areia como se não existisse, visto que são muitos os açorianos que vivem abaixo do limiar da pobreza.
A taxa de pobreza ou exclusão social nos Açores no cômputo do país é de 36,7%, ou seja 15 pontos percentuais acima da média nacional e mais do dobro da verificada na Área Metropolitana de Lisboa. Comparando com as restantes zonas do Continente, e quase o dobro das taxas de exclusão social no Centro, no Alentejo, no Norte e no Algarve.
De acordo com o mapa do Instituto Nacional de Estatística a desigualdade na distribuição de riqueza nos Açores situa-se nos 7,3%, constituindo também a mais significativa do país, superior à média nacional de 5,2%. Assim, a Região era aquela com um distanciamento maior entre o rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com maiores recursos e o rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com menores recursos.
Mais uma vez se confirma estas estatísticas negaras que não há maneira de as ultrapassarmos, registando-se aqui que a pobreza e exclusão social têm uma incidência mais forte do que noutras Regiões de Portugal. De acordo com os dados disponíveis, a pobreza agravou-se na última década e a gravidade da situação social regional mostrada pelos indicadores sociais deverá continuar a merecer uma grande preocupação do Governo Regional.
Temos de acabar com as formas de perpetuação da pobreza ou com os caminhos seguidos até aqui para o avolumar da pobreza envergonhada ou o passar de geração em geração, cuja realidade empurra os Açores para uma situação pesarosa, numa Região dentro da faustosa Europa Comunitária.
Por outro lado, os Açores é a Região de Portugal com menor nível médio de rendimento familiar e com a mais elevada taxa de pobreza monetária, 28%, acima da média nacional que se situa nos 19%., ou seja as famílias dos Açores são mais pobres dos que a do Continente. Assim, a pobreza nos Açores tem vindo a agravar-se exponencialmente nestas nossas ilhas, mas sobretudo com maior incidência aqui na ilha de S. Miguel. 
Resta-nos acreditar na nova estratégia para combater a pobreza, tarefa que compete a todas as instituições que lidam com este fenómeno, pois é notório o insucesso da governação regional nesta área, apesar de se fazer declarações políticas, debates, etc, tentando-se contornar esta dura realidade em que se vive nos Açores.
Está na hora de avançar determinadamente para o combate a este flagelo, tendo como objetivo que os cidadãos e as famílias pobres possam superar efetivamente o limiar da pobreza, qualificando-os com ferramentas da formação de forma articulada e integrada com os serviços de saúde e de ação social. A própria formação de jovens e adultos tem de os habilitar para um eventual prosseguimento de estudos, ou seja melhor formação.
Por outro lado, há que combater a pobreza não somente com estruturas materiais, subsídios, equipamentos ou apoios à habitação, mas também as estruturas imateriais, basilares na construção de uma sociedade desenvolvida.
Será importante perceber o que é que justifica este lugar ocupado pelos Açores no contexto nacional, bem como se poderá explicar a maior incidência do RSI, sabendo-se, à partida que este ranking é influenciado pelo facto de ser nesta ilha de S. Miguel, onde habita a maioria da população do arquipélago, o local onde se concentra a maior taxa de pobreza e, ao mesmo tempo, onde se regista um maior número de beneficiários do RSI, sendo também influenciado, em muito menor grau, pelo que se vem registando na ilha Terceira. 
A pobreza é nos Açores um problema social incontornável, pelo que ela não diminui apenas com políticas de distribuição de subsídios, mas com políticas de promoção do emprego e do crescimento económico, fortalecendo o tecido empresarial e criando mais riqueza.
 

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Categorias: Opinião

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