3 de dezembro de 2019

Temas ao Acaso

Pobrezas

A pobreza nestas ilhas teve, na última semana, “honras” de primeira página em vários O.C.S. 
Para mim, não foi surpresa aparecerem aqueles números. Isto porque, desde o tempo em que Monsenhor Weber Machado Pereira – o padre dos pobres - me convidou para fazer parte do grupo fundador do Banco Alimentar Contra a Fome de S. Miguel que me apercebi que seria necessário fazer alguma coisa que fizesse regredir tal chaga.
Curioso foi notar que, após tantos anos, se continue a verificar tanta miséria, justamente na ilha dos Açores que é considerada a mais rica e a maior, tanto em tamanho como em população.
Em meu entender, a regressão da miséria não se faz “atirando dinheiro” para cima dos problemas. A regressão faz-se dando condições às pessoas para que se crie mais postos de trabalho, tanto no sector privado como no sector público.
Não faz sentido haver sucessivas greves no sector público por falta de profissionais tanto nas escolas, como nos hospitais e ainda noutras actividades da área pública, quando, há muita gente que necessita de trabalhar, eventualmente, muitos dos que constam daquela malfadada percentagem.
Não faz sentido que não se criem as necessárias condições para que os privados se abalancem a novas iniciativas, nomeadamente no sector da transformação, que é aquele que nos dá mais sustentabilidade e riqueza. 
Em S. Miguel, já tivemos fábricas de óleos alimentares, de sabões, de álcool, de açúcar, e de outras que, neste momento não me vêm à memória. Tudo isto se esvaziou por falta de visão política de modo a que os seus legítimos proprietários se comprometessem em manter tais iniciativas em funcionamento.
Neste contexto, a última a cair foi a Sinaga que, de indústria transformadora, passou para uma simples empacotadora de açúcares importados.
Optou-se pela agro-pecuária que, presentemente, é o real sustentáculo da economia dos Açores, aparecendo a seguir o turismo, as pescas, as madeiras e as conservas a seguir. Não necessariamente por esta ordem.
Mas, pergunta-se:- será que estas opções foram as mais correctas? Não parece!
É evidente que, com este modo de governar, não podia dar certo, não sendo, portanto, de admirar aparecerem os índices de pobreza agora divulgados, sobre os quais não vou tecer considerações porque, como acima escrevi, não foi surpresa para mim.
Há um ditado chinês que diz:- não dês um peixe, ensina a pescar! 
Bom, se os nossos governantes quisessem seguir aquele ditado, em vez de só “injectarem dinheiro” para cima do RSI e sem qualquer contrapartida, deveriam, sim, exigir ao beneficiário uma contrapartida laboral, mais que não fosse para o fazer compreender que, aquela benesse, não era uma dádiva, mas sim produto do seu trabalho. 
E não me venham com a “cantiga” de que não sabem fazer isto ou aquilo. Há imensos trabalhos que podem ser executados por mão de obra não especializada, em especial na área do ambiente; desde a limpeza das ribeiras, trilhos, bermas das estradas, reparações de caminhos interiores, e tantos outros que seria fastidioso enumerar aqui.
Mas estas exigências podem não dar votos, por isso, mais vale mantê-los dependentes, do que emancipá-los, em termos laborais claro.
Quem fala do RSI, fala de outros programas laborais que o governo faz para iludir as estatísticas, que não resolve o problema, só o adia, “empurrando-o com a barriga”.
Também não posso deixar passar esta ocasião para perguntar a quem nos governa:- por que razão, continua este governo a afirmar que estamos acima da média nacional em determinadas áreas para, logo a seguir, vir o Instituto Nacional de Estatística negar a afirmações dos nossos governantes?
Será que o nosso Governo Regional acha que os Açorianos são todos tolos?
Lá que os boys e girls, bajulantes de serviço, vão na cantiga, não é de admirar. Mas a generalidade do povo desta terra? 
Termino já, porque a mostarda está a chegar ao nariz.
Até para a semana!
 
P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
1 DEZ2019

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Categorias: Opinião

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