3 de dezembro de 2019

Associação Espírita de São Miguel

A felicidade não é deste mundo

Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Lamenta-se geralmente o homem, em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova, melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo.” Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram.
Diante de tal facto, é inconcebível que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta ânsia a posição das que parecem favorecidas pela fortuna. Neste mundo, por mais que faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de deceções, donde facilmente se chega à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações.
Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem e que somente nela e numa só existência é que lhe cumpre alcançar o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam os que os escutam, visto que está demonstrado, por uma experiência arqui-secular, que só excecionalmente este globo apresenta as condições necessárias à completa felicidade do indivíduo.
Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la. Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.
A felicidade na Terra consiste em algo tão efémero para aquele que não é guiado pela sabedoria que, por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto da existência é uma série de amarguras e deceções, e notai, meus queridos filhos, que falo dos felizes da Terra, dos que são invejados pelas multidões.
Consequentemente, se a morada terrena está sujeita às provas e às expiações, é forçoso admitir que, algures, existam moradas mais favorecidas, onde o Espírito, conquanto aprisionado ainda num corpo material, possui em toda a plenitude os gozos inerentes à vida humana. Tal a razão por que Deus semeou, no Universo, esses belos planetas superiores, para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando vos achardes suficientemente purificados e aperfeiçoados.
Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária. Não, certamente! Dos progressos já realizados, podeis facilmente deduzir os progressos futuros e, dos melhoramentos sociais conseguidos, novos e mais fecundos melhoramentos. Essa a tarefa imensa cuja execução cabe à nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.
Assim, pois, meus queridos filhos, que um santo estímulo vos anime e que cada um de vós se despoje do homem velho. Deveis todos consagrar-vos à propagação do Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração. É vosso dever fazer com que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz, portanto, mãos à obra, meus queridos filhos! Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse  grandioso objetivo de preparar para as gerações vindouras um mundo onde já não seja vã a palavra felicidade.

Do livro: Evangelho Segundo o Espiritismo 
– Capítulo V
Allan Kardec
Pelo Espírito: François-Nicolas-Madeleine, 
Cardeal Morlot (Paris, 1863)
 

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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