19 de novembro de 2019

Temas ao Acaso

Verdades amargas

É ponto assente que as políticas que têm sido seguidas pelos sucessivos governos socialistas que têm governado esta Região não trouxeram as esperadas mais valias que todos os açorianos almejavam. 
Eu próprio, depositei  alguma esperança no primeiro governo liderado por Carlos César julgando que haveria uma maior aproximação aos eleitores, para além da lógica alteração de procedimentos de governança. Puro engano! Desde 1996 até hoje, continuamos na cauda do país em várias vertentes. Basta  verificar os números apresentados pelo INE, ou pela sua delegação nos Açores, para se verificar que até se morre mais e mais cedo nesta Região.
Se algum progresso houve nos Açores, deveu-se à conjuntura total do país que também progrediu, a passo lento diga-se de passagem, quando comparado com outros países da União Europeia.
Para exemplificar, atente-se ao que se passa na área da saúde.
É a desgraça que se vê, e que se sente. É a falta de alguns materiais de uso corrente, são os intervalos dilatados entre as consultas (às vezes demoram mais de um ano, ou dois, em determinadas especialidades) culminando com deficientes administrações hospitalares.
Como tem vindo a público as dívidas são “astronómicas”, e a falta de pagamentos aos fornecedores é o pão nosso de cada dia. 
Daí que a vida das empresas do ramo fica seriamente afectada, ao ponto de, em algumas delas, e segundo informação obtida, a estagnação de salários aos seus colaboradores é real, quando não é mesmo atraso no pagamento de vencimentos.
Por outro lado, a falta de médicos nos vários Centros de Saúde (de Santa Maria ao Corvo) bem como nos chamados Hospitais Centrais de Angra, Horta e Ponta Delgada é uma amarga realidade, ocasionando atrasos, por vezes de anos, a doentes que esperam uma cirurgia, o que, pelo que se lê e ouve, estão milhares em lista de espera.
No que toca aos transportes aéreos e pelo facto de vivermos em ilhas, faz com que seja uma obrigação dos governos facultar aos cidadãos a mobilidade necessária para as suas deslocações inter-ilhas ou para o exterior. É por isto que a SATA existe.
SATA que, de alguns anos a esta parte, e por sucessivas administrações políticas, que de aviação civil nada percebiam, acabou por se transformar no caos financeiro que todos conhecem.
Agora, o governo de Vasco Cordeiro, para presidir aos destinos da SATA, foi “desencantar”, algures neste planeta, um “super-sumo” em administração aeronáutica, provavelmente muitíssimo bem pago.
Pelo que li, a pessoa em questão apresenta um curriculum de fazer inveja a muita gente. Resta saber se, com aqueles “canudos” todos, levará a carta a garcia. Pessoalmente, dou-lhe o benefício da dúvida, porque outros “super-sumos” já lá estiveram e o caos foi aumentando. 
Isto porque, o mal não reside nas pessoas, mas sim no que o único acionista daquela companhia – o governo regional – em política de transportes, impõe que seja feito na SATA o que ele quer, e não, o que empresarialmente  seria mais aconselhável.
Nos transportes marítimos, a incompetência verificada no planeamento de transportes marítimos de passageiros é outra confrangedora realidade. 
Recorre-se a alugueres, pagos a “peso d’ouro” com o dinheiro dos nossos impostos, só porque se teimou em mandar construir, em vez de se procurar um navio em segunda mão em bom estado, como fazem alguns países nórdicos, muito mais ricos do que nós.
Ainda em matéria de transportes marítimos, e no que concerne à actualização das valências dos diversos portos da Região, vou restringir-me ao de Ponta Delgada. 
Na passada semana, este jornal noticiou que, o maior armador português – Grupo Sousa – vai construir um terminal de logística em Ponta Delgada, bem como um terminal para o abastecimento de navios movidos a gás natural.
Lamento que, aquilo que eu tenho vindo a sugerir ao longo dos anos para o porto de Ponta Delgada nunca tenha sido tomado em linha de conta pelas entidades competentes. Agora, aparece um grupo madeirense ligado aos transportes marítimos que quer implantar, no porto de Ponta Delgada, uma solução para abastecimento de navios a gás.
É vergonhoso que, tanto a Portos dos Açores, como o próprio Governo Regional tenham, com a  reconhecida inércia e incompetência, prejudicado tanto o porto desta cidade, que é o maior e mais movimentado porto dos Açores.
Julgo saber quais os motivos que levam o governo e os seus “boys” a proceder desta forma. Mas isso fica para mais tarde.
São verdades demasiado amargas que não merecemos.

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
17 de Novembro de 2019
 

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Categorias: Opinião

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