17 de novembro de 2019

Do problema à solução...

O alerta deixado pela Directora do Colégio de São Francisco Xavier quando se assinalam os 60 anos de existência daquele importante estabelecimento de ensino, dizendo que “a maior dificuldade que enfrentamos é a falta de crianças, fruto da baixa de natalidade e da perda de poder económico das famílias açorianas”, soa como um grito de socorro lançado à comunidade Açoreana, para que se olhe para a situação demográfica em que se encontra a Região.
As políticas desgarradas que têm sido lançadas com o fim de estancar o decréscimo da natalidade não têm surtido efeito e, enquanto isso, a população vai envelhecendo e continua assim de acordo com a lei natural, o despovoamento das nossas Ilhas, apesar da imigração que tem aportado aos Açores.
A questão primordial da natalidade, não se resolve apenas com medidas políticas de incentivo. A sua resolução, carece da participação activa e basilar da sociedade em geral, para que confrontada com tal desígnio se torne motor da solução, propondo e apresentando mediadas coerentes para o ultrapassar.
Mas o grito de socorro vai mais além, apontando como causa da baixa natalidade a perda do poder de compra das famílias, que é um forte travão à procriação no tempo presente em que vivemos, resultado do enfoque dado pelo neoliberalismo à economia e aos mercados em detrimento do ser humano que deixou de ser referência social para os decisores políticos, embora finjam que tudo quanto fazem é em prol dos cidadãos.
A vida das pessoas está transformada no “inferno” terreno, asfixiada pela enorme carga fiscal, pelo crescente custo de vida, pela dificuldade de acesso à habitação devido aos custos elevados que ela acarreta, retirando capacidade para as famílias cumprirem a regra natural da renovação da raça humana através da procriação.
É preciso pensar e agir enquanto é tempo, para reverter o drama da falta de crianças para renovar a população açoreana. Não podemos, por inacção, ficar como os coveiros da nossa secular identidade.
Dizia ainda há dias Laborinho Lúcio ao Correio dos Açores que “é preciso encontrar com os jovens uma vocação mais moderna para a Açorianidade que faça com que esta seja praticamente uma marca que projecta os Açores no mundo”. Esse encontro tem de começar pela escola desde a creche até à Universidade e isso faz-se com pensamento e diálogo político que tem escasseado nos últimos anos.
Abre-se agora uma janela de esperança com o PSD/Açores a retomar o pé, com a anunciada candidatura de José Manuel Boleiro à liderança do maior partido da oposição e fundador da Autonomia. A forma e o conteúdo como se apresentou o Presidente da Câmara de Ponta Delgada a candidato à presidência do PSD/A, marca um virar de página negra daquele partido nas últimas décadas, que primou pela destruição do seu património, e transformou-se num trampolim de poder pessoal. O resultado está a vista e quem perdeu com isso foi a Autonomia e a Democracia, porque uma fraca oposição, fraco torna um governo.
O PS/A também pôs pés a caminho, e quer juntar à mesa do diálogo a sociedade civil, agregando à sua volta os independentes que pretendam colaborar, pensando o futuro que é já amanhã.
São bons sinais para a necessária revitalização política na Região que deve ser convertida depois no diálogo aberto e frontal sem servilismos ou medos de ser preterido nos direitos que cada cidadão tem, independentemente do credo raça ou partido onde milite. 
Esperança também representa o novo presidente do Conselho de Administração da SATA, escolhido pelo currículo que tem, tal como aqui neste espaço já havíamos há muito tempo sugerido. Espera-se agora que haja um plano estratégico e os meios necessários para erguer uma companhia aérea que é a garante da porta de entrada e saída dos Açores.
 Em política é preciso ter objectivos, mas para o êxito de cada um, é preciso que haja persuasão e uma boa dose de fé e esperança. 

 

Print

Categorias: Editorial

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima