Lojas Papagaio levaram calote de 2 milhões de euros na época da crise mas continuam a crescer

 A família Correia abriu uma nova loja de electrodomésticos - o Stand Correia - em Vila Franca do Campo.  A inauguração teve lugar na passada Quarta-feira ao fim do dia, contando com a presença da família, de colaboradores, de amigos, e da vereadora da autarquia Nélia Guimarães.
Nelson Correia, sócio-gerente das Lojas Papagaio, explicou que há várias razões para que o grupo se expanda para Vila Franca dos Campo, entre as quais a necessidade de colocar uma trabalhadora que não tinha colocação nas restantes lojas, abrindo assim a possibilidade de garantir um posto de trabalho, o facto de o concelho ter perdido espaços comerciais na área dos electrodomésticos e mobiliário e haver oportunidade de novos negócios, uma vez que já têm bons clientes nas várias freguesias limítrofes, e ainda a centralidade do espaço.
Nelson Correia recordou que à época da crise económica que afectou também os Açores, de 2008 para 2009, o grupo  tinha 50 funcionários em 2009, e a gerência, para poder manter tudo a funcionar, teve de reduzir horários de trabalho e também o número de funcionários pelas lojas: “A conjuntura em 2009 também não foi nada favorável à empresa. A empresa estava num crescimento, e de repente veio a crise. A empresa passou um mau bocado, tentando reajustar-se até 2013/14 e finalmente, o ano passado certificou-se com um plano de reestruturação. Felizmente, a empresa está melhor do que estava na crise de 2009. Levámos muitos calotes, quase 2 milhões, mas tínhamos reservas e conseguiu-se ultrapassar isso”.
“O electrodoméstico é uma área difícil porque há campeões que têm mania de ser bons. Mas somos pequeninos mas temos o nosso espaço e fornecedores que confiam em nós. É um negócio muito difícil de gerir porque hoje a malta nova tem Ipad, e todos sabem hoje em dia quanto custa um fogão, as referências, enfim tudo o que diga respeito a uma electrodoméstico, ou outros, porque tudo está online. Certo é nós estamos aqui, sabemos o que queremos e temos os fornecedores que nos apoiam. A Vila Franca perdeu algum comércio, e nós, com isso, temos uma quota, principalmente em Ponta Garça, onde temos muitos clientes”. 
Mais, “Não trouxemos as mobílias porque o espaço não dava. E foi muito difícil conseguir este espaço. O que queremos é deixar a nossa marca em Vila Franca e que também a partir daqui que a Câmara Municipal também fortaleça as suas compras, que são poucas até ao momento. 
Agradeço aos nossos colaboradores, que é quem nos apoia. Isto no fundo é para eles. A minha filha possivelmente não vai seguir este negócio porque tem outro ramo de actividade. No fundo, as empresas não morrem por não haver descendentes a continuar, mas sim podem, e devem continuar, por termos bons colaboradores e estes também têm que pensar que o negócio também é deles”. 
O dia 16 é de referência para a empresa, por ser a data que , nomeadamente marca o falecimento, há 12 anos, de Jacinto Correia Papagaio, a  16 de Janeiro. E num dia 16 de Novembro, nós também inaugurámos uma das maiores lojas que temos, o Hiper Boavista, uma loja com 2800m2, com 70mx40m altura, que na altura era considerado um dos maiores armazéns dos Açores.
A empresa foi fundada em Fevereiro de 1950. Nelson Correia conta que foi “o meu avô, com o alvará da taberna, que decidiu abrir. Ele foi para o Brasil na década de 40, tendo regressado em 1948. É dos emigrantes mais antigos desta terra. 
A empresa Jacinto Correia e Filhos, Lda.,  dona do Hiper Boavista e das lojas Papagaio, foi constituída em 1981 com um capital de 200 mil escudos (cerca de mil euros) e hoje tem um capital social de 2 milhões de euros.
O grupo, como lembra Nelson Correia começou com uma pequena mercearia e taberna fundada por Jacinto Correia Papagaio, pai do sócio Jacinto Ferreira Correia, ambos já falecidos. Vindos do Brasil, onde estiveram 14 anos, explorando um açougue  (talho de carne)  optaram por aqui abrir um pequeno negócio.
“Primeiro comprou uma série de casas velhas no campo e a partir daí, veio o bichinho. Meu pai também teve vontade de emigrar para lá, mas fartou-se daquilo. A corrupção era tão alta ou igual à que existe hoje. Os fiscais entravam pela porta dentro, inventavam coisas. Fartou-se daquilo, mas deu para trazer uns dinheirinhos que serviu para fazer qualquer coisa à vida. E a verdade, é que a partir daí, houve o bichinho. Meu pai fez a mercearia-taberna. Depois tirou o curso nesta área e a partir daí, nunca mais parou. A partir de 1973, antes do 25 de Abril, foi a primeira vez que montámos a nossa loja na Ribeira Seca, o Stand Correia, que hoje já não é nossa. Nunca mais parámos de crescer. Com alguns dissabores pelo caminho, mas isso é natural na vida”, concluiu o empresário. 
Por seu turno, a veredadora Nélia Guimarães disse que “já se verifica que Vila Franca  tem estado a ganhar para os lados da Ribeira Grande e Rabo de Peixe. Temos aqui o empresário Paulo Sousa com a sua empresa de charcutaria e penso que ele tem um feedback positivo para dar da nossa vila. Nós só ficamos agradecidos por escolherem o nosso concelho para instalarem o vosso negócio. Quero salientar aqui, o facto da preocupação que a empresa parece ter com a sua vertente social, pelo  facto de ter tido a preocupação de abrir o espaço que pudesse acolher uma funcionária porque de facto as empresas não se podem esquecer da sua vertente social. Têm de um retorno para dar à sociedade daquilo que esta também dá às empresas. Isto é um bom exemplo do que se pode fazer neste aspecto.
Da nossa parte, vamos facilitar o processo burocrático que possa existir, naquilo que possa ser possível fazer. O grosso está feito e contamos com vocês para serem também um membro assíduo do nosso concelho em outras actividades, outros eventos. Passam a ser daqui da casa também”, rematou.

Nélia Câmara/R.M
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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